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Doença degenerativa

Primeiros sinais de Alzheimer podem surgir nos olhos

Estudo americano envolveu a maior análise já feita de retinas e cérebros doados de pacientes com a doença. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas
Guilherme Sillva

Publicado em 30 de Março de 2023 às 19:07

Alzheimer
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade Crédito: Shutterstock
Perda de memória, dificuldade em realizar tarefas diárias, desorientação, repetir conversas, mudanças bruscas de humor e colocar objetos em lugares errados são alguns dos principais sinais de alerta do Alzheimer. E um novo estudo diz que os primeiros sinais podem surgir nos olhos.
A doença de Alzheimer é um tipo de demência que prejudica a memória, o pensamento e o comportamento. Mais comum após os 65 anos, trata-se de uma doença degenerativa que causa a perda progressiva de células neurais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.
A doença que, segundo o Ministério da Saúde, atinge 1,2 milhão de pessoas no Brasil e registra 100 mil novos casos a cada ano, é neurodegenerativa, progressiva e ainda não tem cura.

O ESTUDO

Cientistas do Centro Médico Cedars-Sinai, nos Estados Unidos, lideraram a maior análise já feita sobre as mudanças que ocorrem na retina dos olhos devido ao diagnóstico de Alzheimer, e como elas se relacionam com as alterações cerebrais e cognitivas da doença. Os pesquisadores encontraram uma série de marcadores que podem ser associados à patologia, e acreditam que os sinais podem ser um dos primeiros capazes de indicar o Alzheimer. A análise foi publicada na revista científica Acta Neuropathologica.
“Nosso estudo é o primeiro a fornecer análises aprofundadas dos perfis de proteínas e dos efeitos moleculares, celulares e estruturais da doença de Alzheimer na retina humana e como eles correspondem a mudanças no cérebro e na função cognitiva”, diz a professora de Neurocirurgia, Neurologia e Ciências Biomédicas no Cedars-Sinai, e principal autora do estudo, Maya Koronyo- Hamaoui, em comunicado.
Além de auxiliar no manejo da doença, o entendimento sobre os impactos na retina, e o consequente diagnóstico precoce, pode auxiliar no desenvolvimento de tratamentos que buscam evitar o declínio cognitivo característico do quadro, afirmam os pesquisadores.
No novo trabalho, os cientistas conseguiram coletar a retina e o tecido cerebral de 86 doadores humanos para analisá-los. É o maior número de amostras do tipo proveniente de pacientes estudado até então. O estudo levou um total de 14 anos para que os pesquisadores conseguissem todas as doações.

PROXIMIDADE COM DIAGNÓSTICO

A geriatra Fernanda Damiani, da Samp, explica que as alterações na retina vistas no estudo, com dados clínicos e os exames de imagem, fazem com que exista uma proximidade maior com o diagnóstico de Alzheimer. "Mas não é definitivo. É um estudo muito bacana, essas alterações na retina correspondem a alterações no cérebro que podem ser detectadas no estágio inicial da doença de Alzheimer, mas não é algo que pode ser levado como diagnóstico definitivo. Junto com o quadro clínico, ajuda a ter um subsídio maior para falar que o paciente tem uma tendência maior para ter demência".
A médica explica se o estudo pode auxiliar no manejo da doença e o consequente diagnóstico precoce. "Se eu tenho um paciente com esses marcadores da retina alterados, se ele tiver associado a isso alterações clínicas, alterações laboratoriais e de ressonância magnética que corroboram com o diagnóstico de demência, isso vai me levar a ter o diagnóstico de forma mais clara", diz Fernanda Damiani.
Atualmente existem testes capazes de definir se o paciente tem a doença ou não, mas a nível de estudo. Sabemos que o diagnóstico de Alzheimer é clínico. Nós fazemos testes no consultório, pedimos exames de imagem - ressonância magnética de crânio - para afastar causas potencialmente reversíveis de demência, algum aneurisma ou algum tipo de hemorragia. Lembrando que nem tudo que é demência, é Alzheimer

TRATAMENTO

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. A causa é desconhecida, mas acredita-se que seja geneticamente determinada. "A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato", explica Fernanda Damiani.
O tratamento atual de pacientes com a doença visa a manutenção da qualidade de vida, melhorando a função e a independência, minimizando as perdas cognitivas e tratando as alterações de humor e comportamento. "A abordagem do tratamento deve ser global, - e dentro do possível - multiprofissional e multidisciplinar. Dentro do tratamento farmacológico, utilizamos drogas chamadas de inibidores da acetilcolinesterase (IAChE), que ajudam na melhora da função cognitiva, comportamental e retardam a progressão dos sintomas", diz a geriatra. 

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