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Quem é o brasileiro que cuida da segurança de celebridades internacionais no Brasil

Madonna, Lady Gaga e Mariah Carey estão na lista de 246 artistas com quem ele trabalhou em 38 anos

Publicado em 20 de março de 2026 às 10:26

Quem é o brasileiro que cuida da segurança de celebridades internacionais no Brasil
Quem é o brasileiro que cuida da segurança de celebridades internacionais no Brasil Crédito: Acervo pessoal

Estar ao lado de uma estrela pop internacional, com acesso aos bastidores de shows, ou acompanhá-los em passeios pela cidade pode ser o sonho de muitos fãs. Para o carioca Renato da Silva, 63, é um trabalho que exige muita responsabilidade.

Dono de uma empresa especializada em segurança particular, ele já garantiu a proteção de 246 artistas da música e do cinema. A lista de famosos é longa, afinal são 38 anos e 327 turnês trabalhando com estrelas como: Madonna, Lady Gaga, Mariah Carey, Arnold Schwarzenegger e Tom Cruise, entre muitos outros.

No momento, Renato se prepara para a sua 11ª experiência no Lollapalooza, em São Paulo, desta vez escoltando o escocês Lewis Capaldi. Logo depois, os próximos grandes eventos serão o show da cantora Shakira no dia 2 de maio na praia de Copacabana (zona sul do Rio) e a turnê pela América do Sul do cantor Ed Sheeran.

Renato da Silva com Jean Claude Van Damme
Renato da Silva com Jean Claude Van Damme Crédito: Acervo pessoal

No caso da apresentação de Shakira, ele explica que a preparação para um espetáculo dessa magnitude começa dois meses antes com muitas reuniões. A operação, segundo ele, envolve cerca de 3.000 pessoas de diversos segmentos.

No ambito da segurança, Renato proverá 500 agentes para o coração do show (transfer de palco, barricada, backstage, acessos ao hotel etc.). Além deles, outros 700 são oferecidos pelos organizadores, incluindo Guarda Municipal e Polícia Militar, que cuidam do entorno.

Questionado se é mais difícil lidar com a euforia dos fãs ou com o ego dos artistas, ele responde na lata que é a primeira opção. "Os fãs de metaleiros são mais tranquilos, são pessoas de meia idade que só querem vê-los; mas os de boysband são os mais perigosos, porque são meninas entre 12 e 16 anos, loucas para tocar, agarrar, beijar e que acreditam que vão se casar com eles", diz.

Renato da Silva com Lionel Richie
Renato da Silva com Lionel Richie Crédito: Arquivo Pessoal

Renato e sua equipe estão sempre atentos a movimentações suspeitas, embora ele diga que imprevistos tenham ocorrido poucas vezes. Ele comenta que, uma vez, recebeu um relatório sobre uma "fã" de São Paulo que há anos stalkeava Mick Hucknall, vocalista da banda inglesa Simply Red.

A jovem enviava cartas com frases desconexas e fotos de um filho que dizia ser do cantor. Em uma ocasião, ela estava na porta do hotel onde a banda estava e foi reconhecida por Renato. "Fomos até ela, que saiu correndo", lembra. "Quando a alcançamos e revistamos, ela estava com uma tesoura."

Ele afirma que já está habituado a esses desafios e, inclusive, tem passado adiante as espeficidades da profissão para outra geração da família. Os três filhos, Renato Filho, 36, Felipe, 26, e Gabriela, 22, se dividem em diferentes funções na empresa do pai -no momento da entrevista, Felipe, o do meio, estava na Argentina cuidando da segurança pessoal da cantora neozelandesa Lorde.

POR ACASO

O especialista em segurança começou no segmento por acaso. Engenheiro mecânico de formação, ele foi indicado pelo irmão policial para um trabalho pontual como intérprete em um show promovido pela Anistia Internacional em São Paulo em 1988. A apresentação reuniu astros como Bruce Springsteen e Sting.

"Aquele evento mudou minha vida", explica. "Fui confundido com segurança, fiz amizades e contatos. Era um período em que o Brasil estava sendo descoberto pelo show business, após o Rock in Rio, que tinha rolado em 1985."

Renato notou ali um potencial de mercado e, no mesmo ano, criou sua empresa, a BSS. Logo depois, fez cursos na Inglaterra e Estados Unidos sobre segurança VIP e passou a oferecer seus serviços para as gravadoras e produtoras daqui.

Renato da Silva com Justin Bieber
Renato da Silva com Justin Bieber Crédito: Arquivo Pessoal

A partir do Rock in Rio 2 (1991), trabalhou em boa parte dos grandes espetáculos que passaram pelo país. E a acumular histórias -como viajar no famoso Force One, o avião da banda Iron Maiden.

Algumas lembranças são inusitadas, como sair para caminhar de madrugada com um entediado Bob Dylan pelas ruas de São Paulo. "Ele sempre foi notívago: 3h da manhã ele te chama pra caminhar, porque a rua está vazia", comenta. "Nós fizemos isso várias vezes. Dava 4h da manhã e a gente estava andando ali pelo Masp e pela Avenida Paulista."

O cantor, segundo ele, costuma andar rápido e usando um capuz que cobre parcialmente o rosto -Renato o segue alguns passos atrás. Ele lembra que, em uma ocasião, ao passar diante de um bar lotado, um sujeito bêbado reconheceu o ícone do folk-rock.

"O rapaz olhou e disse: 'Parece o Bob Dylan'. E o amigo dele debochou incrédulo", conta, aos risos. "Ninguém vai acreditar que o Dylan está caminhando na rua naquele horário."

Em outra ocasião, também em São Paulo, o britânico Eric Clapton queria sair para comer de madrugada, mas eles não acharam nada aberto. "Sabe onde ele comeu? Numa barraquinha de cachorro quente, mas naquela época o hot-dog de rua não fazia mal", conta ele, que fez a segurança do cantor três vezes.

Já entre as memórias mais engraçadas está a de Sebastian Bach, na época vocalista do Skid Row, pulando do palco no meio da multidão e tendo suas roupas rasgadas pelo público. O cantor ficou completamente nu, e precisou pegar emprestada uma camisa do segurança.

"Passou na MTV, ele era um garotão de 2 metros e foi uma coisa engraçada", ri. "Ele saiu andando e eu atrás dele, segurando a camisa que cobria a nudez."

CUPIDO

Com jogo de cintura, Renato diz já foi até cupido de alguns famosos. Foi o caso do astro pop George Michael, que engatou um romance com o estilista brasileiro Anselmo Feleppa (falecido em 1993) durante o Rock in Rio 2.

Renato conta que o "affair" não começou na piscina do Copacabana Palace, como a imprensa publicou na época, mas dias antes em Búzios. "Fomos a uma boate na cidade, levei 4 agentes, ele dançava muito e notei que ele dançava olhando para o rapaz, que observava e sorria", lembra. "Fui até ele e disse para entrar comigo em uma área reservada. Logo o George veio na minha direção, eles começaram a dançar e ficaram juntos a noite toda."

Dali, os dois seguiram juntos para o hotel em que George estava hospedado, em uma ilha, e depois para o icônico cinco estrelas da capital carioca. O casal teve um namoro intenso, que só terminou com a morte do estilista dois anos depois, em decorrência da Aids.

SEM ESTRELISMO

Ao contrário do que muita gente pensa, Renato afirma que a maioria dos astros internacionais são pessoas simples e sem estrelismos. Alguns, inclusive, se tornaram amigos dele, como Bruce Springsteen, Jack Johnson e Curt Smith, do duo Tears for Fears.

"O Smith me disse: 'Quando você for aos Estados Unidos [onde ele mora], aqui está meu endereço', e o Johnson falou: 'Se você for ao Havaí, você vai ficar na minha casa'", comemora.

Renato conta que o segredo para agradar os famosos é sempre deixar a pessoa à vontade. "Não trato ninguém como Deus, pra mim ele é o meu cliente, meu trabalho", explica. "Já tive clientes que não falaram comigo, que foram arrogantes, e eu trato da mesma maneira [agradável], meu objetivo é o de proteger."

Indagado sobre quem seriam os antipáticos, o empresário afirma que foram poucos, mas cita o rapper Travis Scott ("ele é difícil de se trabalhar, arrogante, é o estilo do rapper, mas tem que ter jogo de cintura") e o ator e cantor Jared Leto ("não gostei de trabalhar com ele, fiz uma vez e ele foi muito arrogante; já o irmão dele era uma simpatia, saíamos com ele para alguns locais no Leblon").

Prince (1958-2016) é outro exemplo. Renato diz que o cantor só conversava com ele por meio de um interlocutor (seu empresário), mesmo estando diante dele. "Não falou diretamente comigo em nenhum momento", diz. "Ele nem me olhava."

AS CELEBRIDADES INTERNACIONAIS MAIS SIMPÁTICAS, SEGUNDO RENATO DA SILVA

Liza Minnelli

"Ela é uma dama em sua essência, quis visitar o Theatro Municipal do Rio inteiro, fazia perguntas sobre o local e achou tudo lindo."

Rod Stewart

"Fiz quatro vezes, sempre que ele vem para a América do Sul é comigo, tanto que os filhos dele treinam jiu-jitsu com os meus filhos que são faixa preta, saímos juntos em família a lazer inclusive."

Diana Ross

"Uma simpatia, fiz [segurança] duas vezes, na segunda vez dez anos depois, ela se lembrou de mim, fui pegá-la no aeroporto, ela me olhou e disse 'você já trabalhou comigo'."

Paul McCartney

"É um gentleman, ela aperta a mão de todos, conversa com todo mundo... Ele adora o Brasil, fiz quatro vezes."

Jean-Claude Van Damme

"Fiz uma vez em 1994, ele é muito engraçado, levamos ele para conhecer a Xuxa, ele adorou ela, gostou muito de churrasco, levamos ele a Búzios e vários outros lugares."

Mariah Carey

"Fiz seis vezes, ela é maravilhosa, se preocupa com os fãs, sai do hotel mesmo cansada e vai lá falar com eles, nem que seja pra dar um 'boa noite'."

Axl Rose

"Ele vive num mundo totalmente à parte, mas é um grande profissional, nunca foi deselegante."

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