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"Ovelha negra"

Conheça Rita Lee pelas respostas espirituosas que ela dava em entrevistas

A ironia da artista se revela com originalidade em 11 respostas enviadas a diferentes matérias feitas pelo ‘Estadão’
Agência Estado

Publicado em 09 de Maio de 2023 às 16:02

Último show da cantora Rita Lee, no vale do Anhangabaú para comemorar o aniversário de São Paulo, em 2013
Último show da cantora Rita Lee, no vale do Anhangabaú para comemorar o aniversário de São Paulo, em 2013 Crédito: Código19/Folhapress
Rita Lee, que morreu nesta segunda-feira, 8, após uma batalha contra o câncer, sempre enfrentou a vida com amor, sarcasmo e humor. Nas redes sociais ou nas entrevistas que concedeu nos últimos anos (sempre por e-mail), ela respondia a todas as perguntas, mesmo as mais absurdas, e habitualmente com frases afiadas e carregadas de deboche.
Conheça Rita Lee em 11 respostas que deu aos jornalistas do Estadão ao longo dos anos:
- "Eu e minha vidinha besta" (sobre temas que inspiram suas canções).
- "Não pretendo mais votar, chega de voto obrigatório, respeitem meus cabelos brancos pintados de vermelho".
- "O tropicalismo foi a semente mais genial que foi plantada na minha cabeça, viver aquilo de perto me ensinou a ser o que sou hoje, uma Joana d'Arc sessentona que não tem pudores em desfilar por quaisquer avenidas musicais".
- "Carne crua nem pensar, não como cadáveres de animais, mas pratico o autocanibalismo devorando as peles dos meus dedos.".
- "Minha musa Carmen Miranda já está no céu, quem sabe rola um ‘ao vivo’ quando eu for pra lá também... Mas será que eu vou pro céu?".
- "Comigo era só dengo, afinal, eu não representava a menor ameaça à coroa de melhor cantora" (sobre Elis Regina).
- "Nos tempos de chumbo, você ia pessoalmente duelar com os censores, baita humilhação. Das raras vezes que conseguíamos driblar uma palavrinha, era uma felicidade. Hoje, não há censura e o que se vê é um monte de bananas preguiçosas. Censura não, talento sim."
- "O que mais me orgulha nos 50 anos de estrada foi nunca ter vendido a alma para leis rouanets e palanques políticos. Dos palcos, quero distância; da música, nunca, continuo fazendo o que mais gosto que é compor. Escrevi a biografia daquela 'ritalee' de cabelos de fogo que saía em turnês - a de hoje está beirando os setentinha, deixou os cabelos brancos e acha a vida de dona de casa o maior barato. Envelhecer não é para maricas. Ainda me falta muita coisa a fazer."
- "A moral da minha história no momento é 'pretendo viver para sempre, até agora estou indo bem'."
- "Envelhecer já é complicado - sem uma boa dose de humor e de sarcasmo imagino que possa ser um inferno."
- "Como avó, sou um misto de Dona Benta com Dercy Gonçalves, contadora de histórias e meio desbocada."

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