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Reclamações

Beyoncé mudará letra de música de 'Renaissance' por reclamações de capacitismo

'Heated' usava termo pejorativo para falar de pessoas com paralisia cerebral em contexto sensual
Agência FolhaPress

Publicado em 01 de Agosto de 2022 às 16:16

Capa do álbum 'Renaissance' de Beyoncé
Capa do álbum 'Renaissance' de Beyoncé Crédito: Divulgação
A cantora Beyoncé decidiu mudar a letra de uma das músicas do seu novo álbum, "Renaissance", após reclamações de capacitismo e de ofender pessoas com deficiência por ativistas e instituições de caridade. O termo em questão é "spaz", e está presete na música "Heated", escrita em parceria com o rapper Drake. A informação foi confirmada por um representante da cantora ao portal Insider nesta segunda-feira (1º).
O termo é um termo pejorativo e curto para falar de pessoas com diplegia espástica, uma forma de paralisia cerebral afeta ambas as pernas. O termo, nas devidas proporções, seria algo similar a algo como "retardado" em português, ainda que na música ele apareça em um verso que se refere a "espasmos" em uma bunda que parece estar levando tapas ou rebolando —"Spazzin' on that ass, spaz on that ass".
"A palavra, não usada intencionalmente de forma prejudicial, será substituída", disse o comunicado emitido pela produção da cantora.
O termo já foi centro de uma polêmica similar quando apareceu na música "Grrrls", de Lizzo. Em junho do ano passado, a cantora também se arrependeu de ter usado a expressão. "Como uma mulher negra gorda na América, tive muitas palavras ofensivas usadas contra mim, então entendo o poder palavras podem ter (seja intencionalmente, ou no meu caso, não intencionalmente)".
No Reino Unido, o termo em questão é amplamente considerado ofensivo. Em 2003, ficou em segundo lugar em uma pesquisa da BBC sobre os termos mais ofensivos no Reino Unido relacionados a qualquer pessoa com deficiência. Nos EUA, no entanto, ainda aparece em uso mais comum.
Ativista das causas de pessoas com deficiência, a australiana Hannah Diviney foi uma das críticas de Beyoncé no britânico The Guardian, dizendo que seu valor artístico não exime "seu uso da linguagem capacitista —linguagem que é usada e ignorada com muita frequência", escreveu Diviney. "Linguagem você pode ter certeza que eu nunca vou ignorar, não importa de quem seja ou quais sejam as circunstâncias."
A instituição de caridade britânica Sense notou ainda que era "decepcionante que outro artista estivesse usando um termo ofensivo em sua música tão logo depois de ser apontado como a palavra é dolorosa" e pediu "mais educação para melhorar a conscientização sobre incapacidade". Depois, a instituição ressaltou que Beyoncé tem um histórico inclusivo e agradeceu a opção por regravar a canção.

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