Vivemos cercados de concreto, telas, carros, compromissos e notificações. Aos poucos, talvez sem perceber, começamos a falar da natureza como um lugar para onde vamos de vez em quando. “Vamos para a natureza.” “Vamos conhecer a natureza.” Como se nós mesmos não fizéssemos parte dela. Como se preservar uma floresta fosse cuidar de alguma coisa distante, que não tivesse relação direta com a nossa própria existência.
Estar ali, cercada por árvores, pássaros raros e tantas formas de vida da Mata Atlântica, mexeu comigo. Eu me senti parte. E, quando a gente se sente parte, cuidar deixa de parecer uma obrigação e passa a ser quase uma consequência.
Na Reserva Kaetés, vivi uma experiência que nunca pensei que amaria tanto: a observação de aves. Foi lá que descobri a saíra-apunhalada, uma espécie ameaçada de extinção e, até então, desconhecida por mim. E essa descoberta também me fez pensar em quantas riquezas existem aqui, tão perto de nós, sem que sequer saibamos seus nomes.