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Turismo

De séries e shows a grandes eventos esportivos: como o entretenimento impulsiona as reservas de viagem em 2026

Febre de Porto Rico pós-Bad Bunny, Outlander aumentando em 43% as reservas para a Escócia e final da Liga dos Campeões impulsionando o turismo local
Redação de A Gazeta

Publicado em 26 de Agosto de 2026 às 11:51

Bad Bunny levou cinco estatuetas no Grammy Latino
Bad Bunny levou cinco estatuetas no Grammy Latino Eric Rojas

Quem nunca entrou no Coliseu com as imagens de “Gladiador” passando na cabeça? A diferença é que, até pouco tempo atrás, visitar um cenário de filme era o complemento de uma viagem; hoje, virou o motivo dela. 


Nos últimos cinco anos, séries, filmes, shows e grandes eventos esportivos se consolidaram como um dos maiores motores do turismo no mundo. E o efeito vem sendo sentido de forma direta nos dados da Civitatis, plataforma de reserva de atividades turísticas e visitas guiadas presente em mais de 160 países, que vem registrando picos de reservas atrelados ao calendário do entretenimento.

 

O ponto de virada é sutil, mas decisivo: as pessoas já não viajam para só então reconhecer um cenário conhecido. Elas viajam porque assistiram à série, foram ao show ou acompanharam o jogo. Segundo dados da plataforma, esse comportamento move desde destinos de narrativa lenta, como a Escócia de Outlander, até casos de viralização instantânea, como o de Porto Rico na esteira de Bad Bunny.

 

“O turista já não procura só destinos: ele procura experiências que já viveu emocionalmente. Quando alguém termina uma série ou sai de um show, a viagem deixa de ser um sonho distante e passa a ser o próximo passo natural”, afirma Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis Brasil.

Como um filme ou série transforma um destino?

Um caso emblemático atende por um nome: Outlander. Em 2025, as reservas de atividades na Escócia cresceram 43%, impulsionadas, em parte, pela febre da série - o tour temático que percorre os cenários escoceses subiu cerca de 35% no mesmo ano, na comparação com 2024. É o retrato do turismo de narrativa: o público quer caminhar pelos lugares que já conhece de cor pela tela. 


Qual fã de Senhor dos Anéis não gostaria de fazer uma excursão a Hobbiton, vila dos Hobbits, na Nova Zelândia? Que fã de Guerra dos Tronos não se aventuraria nas muralhas medievais de Dubrovnik, cenário de Porto Real, a capital dos Sete Reinos da série?


Hobbiton, vila onde foi gravado Senho dos Anéis, na Nova Zelândia, pode ser visitada em excursão disponível na Civitatis

 

Destinos ligados à produção da HBO, inclusive, não pararam de crescer ao longo dos anos após sua última temporada: Dubrovnik e Belfast, mantiveram crescimento sustentado nas reservas entre 2024 e 2025, e a estreia do spin-off O Cavaleiro dos Sete Reinos, em janeiro de 2026, e o recente sucesso da terceira temporada de Casa do Dragão reacendeu o interesse por esse universo.


O fenômeno tem escala global, e os dados reforçam a tendência. Segundo pesquisa de 2025 da Netflix, entre os espectadores de conteúdo coreano na plataforma, 72% declararam interesse em visitar a Coreia do Sul, contra 41% entre aqueles que não utilizam a plataforma, uma diferença de 31 pontos percentuais que evidencia o impacto do conteúdo audiovisual na intenção de viagem.


No Brasil, esse interesse já aparece nos dados da Civitatis. Entre janeiro e abril de 2026, as reservas de atividades na Coreia do Sul feitas por brasileiros cresceram 50% contra o mesmo período de 2025, movimento que acompanha o avanço da chamada Hallyu, impulsionada pelo K-pop, pelos K-dramas e pela presença crescente da cultura coreana nas redes sociais.


Nem todo efeito é passageiro. Algumas franquias culturais geram um fluxo que atravessa gerações. As reservas do tour dos estúdios de Harry Potter em Londres cresceram cerca de 15% em 2025 frente a 2024, e 2026 tende a dar novo fôlego ao interesse, com os 25 anos da estreia do primeiro filme da saga nos cinemas e a proximidade do lançamento da série da HBO, que recontará a história original.

Os estúdios do Harry Potter podem ser visitados na Inglaterra
Os estúdios do Harry Potter podem ser visitados na Inglaterra Warner Bros
Por que os shows viraram picos no calendário?

Se a série trabalha no tempo lento da narrativa, a música age no impulso. Os grandes shows se tornaram um dos maiores geradores de viagens urbanas. “E o público não compra apenas o ingresso: ele aproveita para fazer uma a viagem inteira ao redor dele, conhecer a cidade, sua gastronomia, museus e passeios ao redor da cidade”, explica Alexandre Oliveira.

 

Os números da Civitatis mostram o efeito quase em tempo real. Nos dias dos shows do Coldplay em Budapeste, em junho de 2024, as reservas de atividades na cidade saltaram 65% no período na comparação ano a ano. O mesmo padrão se repetiu em outras paradas da turnê: Munique registrou alta de 119% na comparação anual e Atenas, de 106%. Já os shows de Ed Sheeran em Madrid, em maio de 2025, elevaram as reservas em 23% frente ao mesmo período do ano anterior.


E, muitas vezes, não é apenas o show que movimenta as pessoas, mas toda a cultura criada em torno de uma banda ou artista. É o caso da febre Bad Bunny: Porto Rico registrou alta de mais de 234% nas reservas em 2025 em relação ao ano anterior. Nos dois primeiros meses de 2026, após as reservas no destino chegaram a quintuplicar na comparação com o mesmo período de 2025. O dado mostra como a força de um artista pode transformar rapidamente a percepção de um destino e impulsionar o turismo em escala global.

 

Porto Rico quintuplicou reservas na Civitatis nos primeiros três meses de 2026 na comparação ano a ano, após febre do Bad Bunny atrair os olhos dos viajantes para a ilha do Caribe.

Bad Bunny foi o artista mais escutado do mundo no Spotify
Bad Bunny foi o artista mais escutado do mundo no Spotify Erika Santelices / Reuters/Folhapress
E o esporte? Final da Liga dos Campeões é case, mas fenômeno vai além do futebol

O esporte segue sendo um dos maiores catalisadores de turismo internacional, e aqui os dados chegam perto de uma relação de causa e efeito. Na final da Liga dos Campeões, disputada em Londres, em 1º de junho de 2024, entre Real Madrid e Borussia Dortmund, as reservas de atividades na cidade nos dias próximos do jogo aumentaram 33% frente ao ano anterior. Nas mesmas datas de 2025, sem final na cidade, elas caíram quase 15%.

 

Mas o impacto dos grandes eventos esportivos vai além do aumento no número de visitantes: eles também atraem um público com maior poder de consumo.


O fã de Fórmula 1 é um exemplo. Quem viaja para acompanhar um Grande Prêmio gasta, em média, o dobro de um turista convencional no destino: mais de US$ 2.400 além do ingresso, segundo o balanço econômico do GP de Las Vegas 2024. Além disso, o visitante permanece, em média, quatro noites na cidade. “É um público que não apenas viaja para o evento, mas também se hospeda, consome experiências e movimenta a economia local” explica Alexandre Oliveira.


“A grande virada é que o entretenimento se tornou previsível. Os calendários de estreias, turnês e grandes eventos existem com meses de antecedência, o que permite antecipar a demanda em vez de apenas reagir a ela. Para o setor de turismo, o entretenimento deixou de ser inspiração para virar um canal de aquisição, tão mensurável quanto qualquer outro”, conclui o Country Manager da Civitatis Brasil.

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