Nem tudo que arrepia é “mal-assombrado”. Às vezes, é história, lenda, silêncio e paisagem. Reunimos pontos do Espírito Santo que carregam mistérios, simbolismos e casos curiosos para olhar com outros olhos. É turismo, mas com respeito: há desde locais sagrados a sensíveis.
Afinal, se mistério também é cultura, o turismo macabro do ES é um mapa de memórias. São histórias que contam quem fomos e por onde passamos. Vai por mim: com respeito e curiosidade, dá para arrepiar e aprender ao mesmo tempo.
Túmulo de Maria Gilda (Santa Leopoldina)
No cemitério municipal, o jazigo de Maria Gilda virou ponto de promessa e curiosidade. Segundo a lenda, após uma bebê morrer afogada em 1923, seu túmulo enche de água até hoje em Santa Leopoldina. Há quem vá para atestar a veracidade da água e até mesmo pegar o líquido que dizem ser milagroso.
Túmulos “de costas” (Santa Maria de Jetibá)
Entre lápides tradicionais, alguns túmulos voltados no sentido oposto chamam atenção em Santa Maria de Jetibá. As explicações variam entre uma tradição pomerana, costume familiar, crença religiosa e simples orientação do terreno - e é nessa dúvida que mora o fascínio.
Cemitério de vagões (Alfredo Chaves)
Um corredor de quilômetros de vagões abandonados, em Ibitiruí, desenha uma paisagem de ferro, ferrugem e silêncio. Fotogênico e inquietante, o lugar rende cliques impactantes e aquela sensação de “cidade fantasma” ferroviária. Um local surpreendente e um tanto quanto macabro.
Túnel de Matilde (Alfredo Chaves)
Entre rocha e mata, o antigo túnel ferroviário ecoa passos e histórias curiosas. Durante o dia, o local virou um ponto turístico famoso para os corajosos. A aventura é divertida: descer os degraus do túnel no escuro. Leve lanterna e tome cuidado para não se assustar com os morcegos.
“Túmulos da BR-101” (Mimoso do Sul)
Esse não é um ponto turístico, mas a história intriga muita gente. Cruzamentos e memoriais à beira da estrada chamam atenção por quem passa em um trecho da BR 101, no km 457, em Mimoso do Sul. O motivo das sepulturas no local é que há cerca de um século existia um cemitério, que inclusive, era voltado a pessoas que perderam a vida para a Gripe Espanhola.
Gritos do Barão - Solar Monjardim (Vitória)
No Museu Solar Monjardim, uma das casas mais antigas do estado, correm relatos de vozes e passos noturnos atribuídos ao barão. Lenda? Eco do casarão? A visita guiada entrega história - e um friozinho na espinha.O horário de funcionamento é de terça a sexta, das 9 às 12h e das 13h30 às 16h30, e nos sábados, domingos e feriados, das 13 às 17h.
Segredos da Igreja dos Reis Magos - Nova Almeida (Serra)
Branca no alto do morro, a igreja e residência jesuítica do século XVI guarda lendas de passagens, ossários e relíquias. O conjunto arquitetônico é belíssimo; já as histórias, melhor ouvir dos guias locais. Cabe ressaltar que no passado, o local onde é Igreja já foi uma prisão.
Reza a lenda que as pessoas viam uma fumaça e esta era chamada de fogo fato, que saia dos cadáveres do cemitério. A população dizia que ouvia negros gritando, que eram fantasmas, assombrações, devido esse gás. Também contam que um homem, ao ser preso na sexta-feira de lua cheia, começava a uivar.
Pedra das Caveiras (Atílio Vivácqua)
O nome já prepara o clima: a formação rochosa cercada por lendas é um ponto turístico de Atílio Vivácqua. Na localidade de Praça do Oriente, a pedra está a cerca de sete quilômetros da sede. A subida até a caverna, que tem um grande salão de pedra a 605 metros de altitude, dura cerca de uma hora de trilha e o acesso ao lugar passa por uma propriedade particular.
A história que foi difundida entre os moradores é a de que, na década de 30, um caçador encontrou sete esqueletos, próximo do topo. Na época, o contexto que acabou famoso entre quem mora na pequena cidade é que um rico fazendeiro, dono de terras na região, fez um pacto com o diabo - e um urubu o assombrava nos últimos dias de sua vida.