Está tudo indo bem com seu pet, até que de repente você percebe que seu cão ou gato está apresentando episódios de vômito, indicando alguma alteração digestiva. Inicialmente, a gente pensa ser algo simples, como, por exemplo, alimentação inadequada, ingestão rápida de comida ou mudanças na dieta. Um, digamos, episódio isolado. Afinal, isso também é muito comum entre nós, os humanos.
A médica-veterinária Atana Farias, da Avert Biolab Saúde Animal, explica que o vômito é uma resposta do organismo diante de diferentes desequilíbrios. “Ele pode ter origem digestiva, mas também estar relacionado a alterações sistêmicas importantes. Por isso, a recorrência dos episódios e o contexto clínico do paciente são fundamentais para entender a gravidade do quadro”, explica.
Além de gastrites e inflamações intestinais, doenças renais, pancreatite, alterações hepáticas, intoxicações e até obstruções gastrointestinais também podem provocar episódios recorrentes. Nos gatos, o quadro exige atenção redobrada, já que muitos felinos costumam esconder sinais clínicos e manter parte da rotina aparentemente normal mesmo quando estão doentes.
A especialista alerta que vômitos frequentes associados a outros sintomas podem indicar agravamento do quadro clínico. “Muitos gatos compensam sinais clínicos de forma bastante silenciosa. Quando o responsável percebe alterações mais evidentes, o quadro pode já estar mais avançado. Um fator que contribui para esse atraso é a normalização dos episódios de vômito na espécie, especialmente quando associados às bolas de pelo ”, destaca.
Outro ponto de atenção é que o vômito persistente pode comprometer rapidamente a hidratação e o estado nutricional dos animais, especialmente em filhotes, idosos e pacientes com doenças crônicas. Em muitos casos, o quadro também vem acompanhado de náuseas, desconforto abdominal e redução do interesse pela alimentação, o que impacta diretamente a recuperação clínica e a qualidade de vida do pet.
“Um dos desafios da rotina clínica é justamente porque o vômito está presente em diferentes doenças. Muitas vezes, ele é a manifestação inicial de alterações que ainda estão em desenvolvimento”, alerta.
Além da frequência, o aspecto do vômito também fornece pistas importantes. Presença de sangue, conteúdo escurecido, episódios associados à dor abdominal ou alimento não digerido várias horas após a alimentação indicam a necessidade de avaliação imediata, que deve ser realizada por um médico-veterinário.
“Observar mudanças de comportamento, frequência dos episódios e alterações na alimentação é fundamental para identificar precocemente problemas de saúde. Filhotes, idosos e animais com doenças crônicas exigem atenção ainda maior, já que podem evoluir rapidamente para desidratação e piora do estado geral”, conclui Atana.
Cinco sinais de alerta em casos de vômito em cães e gatos
- Episódios frequentes ao longo da semana
- Presença de sangue ou conteúdo escurecido no vômito
- Falta de apetite e perda de peso
- Dor abdominal, apatia ou diarreia associada
- Alimento não digerido horas após a alimentação