Já está mais do que comprovado que os animais de estimação são considerados membros da família. Por isso, ao falecerem, a dor no coração dos tutores pode ter a mesma intensidade de quando se perde um ente querido.
A psicóloga clínica Paula Pittelkow Lopes explica que culturalmente as pessoas costumam atrelar o luto apenas à perda de entes queridos. Mas pode ir muito além. “Porém, todos nós atravessamos uma série de outros ‘lutos’ ao longo da vida. Perda de emprego, términos de relacionamentos e perda de um animal de estimação são exemplos de ‘mortes’ capazes de nos levar a sentimentos e sensações similares aos da perda de um ente querido, por mais que isso muitas vezes não seja validado pela sociedade”.
Estabelecer uma relação emocional com os animais proporciona melhora do bem-estar e aumenta os níveis de felicidade, proporcionando momentos de qualidade. Além disso, em alguns casos, torna-se peça-chave em tratamentos psicológicos e momentos de maior fragilidade da vida. Mas quando se perde o bichinho, há uma readaptação da rotina.
“É normal e esperado os tutores sentirem tristeza, raiva, culpa e apresentarem comportamentos de negação perante a perda. De forma geral, inicialmente há uma sensação de choque e negação. Em seguida, o sentimento varia entre raiva, culpa, tristeza e até em humor deprimido, principalmente quando o tutor se aproxima da sensação de vazio que o bichinho deixa na rotina. E, por fim, há a busca pela ressignificação e aceitação da perda, o que somente o tempo irá proporcionar, transformando o que antes era presença física, em memória."
Lidar com o luto infantil suscita um maior cuidado, explica a psicóloga. “A explicação precisa ser sincera (adequada ao entendimento de cada idade) e, a partir disso, deve-se acolher a criança em todas as formas de se expressar. Outra possibilidade para ajudá-las a lidar com a situação é preparar um ritual de despedida para o ‘amigo’ que partiu, de forma a auxiliar na materialização da perda, o que também ajuda os adultos".
Para o sócio-proprietário do Céu de Patas, crematório para pets, Rene Aride Neto, o processo de despedida do animal de estimação deve ser realizado de forma respeitosa e ecológica. “A cremação de nossos animaizinhos é um processo similar ao de humanos, permitindo que os tutores façam cerimônias e homenagens ao seu querido companheiro. Após a cerimônia, o animal é colocado na câmara crematória, a qual é projetada para evitar a liberação de gases nocivos no meio ambiente, tornando a cremação uma escolha ecologicamente responsável”.
São dois tipos de cremações: a individualizada, no qual o tutor recebe apenas as cinzas do seu pet, e compartilhada, em que as cinzas são doadas e usadas como substrato orgânico. Ao final do processo, é emitido um certificado que comprova que a cremação foi realizada de maneira segura e conforme a legislação vigente.