Durante décadas, alianças idênticas foram praticamente uma regra nos casamentos. Mesmo formato, mesma espessura e o mesmo acabamento simbolizavam a ideia de unidade entre o casal. Mas essa lógica começa a mudar. Cada vez mais noivos têm optado por alianças diferentes entre si, adaptando o design ao estilo, à personalidade e até à anatomia de cada um.
A mudança acompanha uma transformação mais ampla no universo dos casamentos. Segundo o Relatório de Tendências de Casamento 2026 do Pinterest, especialmente entre os integrantes da Geração Z, cresce a busca por celebrações menos padronizadas e mais conectadas à identidade dos noivos. Se antes essa personalização aparecia principalmente no vestido, na decoração ou no formato da cerimônia, agora ela também chega às joias.
Na prática, isso significa casais escolhendo alianças com larguras diferentes, acabamentos distintos e até combinações entre peças lisas e modelos com pedras. O objetivo não é abandonar o simbolismo da união, mas reinterpretá-lo.
"Hoje existe uma compreensão maior de que união não significa necessariamente abrir mão da individualidade. Muitos casais querem que as alianças contem uma história em comum, mas também reflitam quem é cada um", explica a gemóloga e joalheira Giselly Assis.
A tendência já aparece inclusive entre celebridades. O casamento da cantora Dua Lipa com o ator Callum Turner chamou atenção pelo design do anel de noivado, mas um detalhe passou despercebido por parte do público: as alianças do casal também seguiam propostas diferentes, com espessuras e características próprias para cada um.
União sem abrir mão da individualidade
Segundo a gemóloga, as alianças diferentes não significam a ausência de conexão entre as peças. Muitos casais mantêm o mesmo metal ou algum elemento em comum no design, mas adaptam detalhes como textura, volume e presença de pedras de acordo com as preferências pessoais.
Foi exatamente essa a escolha do casal capixaba Leandro Peixoto Saibert e Paula de Paula. Depois de meses procurando um modelo que agradasse aos dois, decidiram seguir caminhos diferentes.
"Como é uma peça que a gente vai usar praticamente todos os dias pela vida inteira, precisava ser algo que nos deixasse felizes e confortáveis, até pela anatomia diferente das mãos", conta Paula, que optou por uma aliança mais fina e com pedras cravejadas, enquanto Leandro escolheu um modelo mais robusto.
No fim das contas, ninguém nem percebe que usamos alianças diferentes. O mais importante é estarmos casados, não se as alianças são iguais ou não
Completou Leandro
Casais participam da criação das próprias joias
Outra tendência que começa a ganhar espaço é a participação dos próprios noivos no processo de criação das alianças. Em algumas joalherias e ourivesarias, casais acompanham etapas da produção e ajudam a definir detalhes do design, transformando a peça em uma experiência compartilhada.
A prática segue um movimento internacional de valorização da personalização. O anel de noivado de Taylor Swift, por exemplo, foi desenhado pelo então noivo Travis Kelce em parceria com uma designer de joias em Nova York.
Para especialistas, esse envolvimento muda a relação com a peça. A aliança deixa de ser apenas mais um item da lista do casamento e passa a carregar também a memória do processo de criação e das escolhas feitas pelo casal.
"Quando cada pessoa pode adaptar detalhes do modelo e participar da produção, a aliança passa a representar não apenas a união, mas também a individualidade de quem a utiliza", afirma Giselly.