Por que 'As Marvels' é prova de fogo da Marvel em meio à crise de heróis no cinema

Filme com trio de heroínas estreia após críticos reclamarem de desgaste da fórmula que guiou estúdio ao topo das bilheterias

Salas de cinema ficaram entupidas de gente fantasiada de super-herói no final de abril de 2019, quando o filme "Vingadores: Ultimato" estreou. O mesmo aconteceu com "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa", dois anos e meio depois. Ambas as produções causaram alvoroço porque reuniram nas telas personagens estrelados da Marvel.

Cena do filme

Cena do filme "As Marvels", em cartaz nos cinemas do Estado. Crédito: Marvel/Disney

Ainda que este também seja o mote do novo "As Marvels", longa-metragem que une três super-heroínas do estúdio, a baderna não deve se repetir nos cinemas. O filme, que chega ao Brasil nesta quinta-feira (9), estreia em meio a um aparente desgaste da fórmula que guiou a Marvel ao topo das bilheterias na última década.

Na trama, a poderosa Capitã Marvel tem seus poderes entrelaçados com os da adolescente muçulmana Kamala Khan e de sua sobrinha postiça Monica Rambeau. Juntas, elas precisam derrotar Bar-Denn, vilã que destrói tudo o que vê pela frente na busca por um artefato antigo capaz de canalizar e expelir raios de energia.

Acostumada a lançar um blockbuster atrás do outro, a Marvel levou quatro dos seus filmes para a lista das dez maiores bilheterias da história, após arrecadarem mais de R$ 1,5 bilhão no mundo todo. Desde a pandemia, lançou nove filmes e não alcançou a casa do bilhão com nenhum deles.

A expectativa é que "As Marvels" também naufrague, segundo análise feita por veículos especializados dos Estados Unidos. No Brasil, o cenário não é promissor. As salas de cinema paulistanas que exibiram "As Marvels" na madrugada desta quinta estavam vazias na pré-venda, um cenário distante do visto na época de auge do estúdio, que esgotava ingressos antes das estreias.

Uma das reclamações mais ventiladas pelo público hoje em dia é que ficou difícil assistir a uma nova produção da Marvel sem ter visto as outras dezenas lançadas antes.

Nos últimos três anos, a Marvel aproveitou personagens coadjuvantes do seu panteão em oito seriados lançados na plataforma de streaming da Disney –e há outros agendados para os próximos meses. Ainda que sejam histórias paralelas às levadas ao cinema, as séries tentam seduzir a audiência ao exibir dicas e segredos de filmes vindouros.

Há certa razão nesse temor, como prova "As Marvels", que vai funcionar melhor para quem viu os seriados "Ms. Marvel" e "WandaVision".

EQUILÍBRIO

Nia DaCosta, a diretora do novo filme, diz ter achado difícil equilibrar o peso do universo Marvel com a vontade de narrar uma só história. O jeito, afirma por videoconferência, foi contar com a ajuda dos veteranos do estúdio.

"Me apoiei neles para garantir que o filme poderia se sustentar sozinho e que também se encaixaria na história maior. Eu adoraria jogar tudo o que eu quisesse na trama, inclusive personagens. Mas às vezes esses personagens estarão em outro filme, ou você tem que esperar só porque vai valer a pena. É difícil, mas eu sabia que esse era o caso quando assinei o contrato", ela diz.

Bob Iger, CEO da Disney, que comprou a Marvel em 2009, materializou a sensação de estafa recentemente, ao dizer que a empresa sobrecarregou o público com tantos filmes e séries.

"Houve algumas decepções. Gostaríamos que alguns de nossos lançamentos mais recentes tivessem tido um desempenho melhor. Acredito que, no entusiasmo de expandir significativamente nosso conteúdo para atender ofertas de streaming, acabamos sobrecarregando as pessoas em termos de tempo e foco", disse ele ao jornalista David Faber no canal de televisão americano CNBC.

Para promover o novo filme, então, a Marvel tenta recorrer à fama de Brie Larson, que reprisa o papel de Capitã Marvel, e ao carisma da canadense Iman Vellani, novata que foi elogiada ao interpretar Kamala Khan na série do ano passado. As duas têm química na tela e se saem bem na dinâmica mestre e aprendiz.

O problema é que as atrizes não puderam divulgar o longa devido à greve dos atores de Hollywood, que começou em julho e só foi encerrada nesta madrugada, e impediu os artistas de promoverem suas produções enquanto estúdios e sindicato não chegassem a um acordo.

Sobrou para DaCosta, a diretora, que exprime entusiasmo por ter filmado três mulheres num filme de heróis, subgênero que nunca as representou bem, segundo ela. "Estamos dando passos, mas precisamos de mais", diz. "Eventualmente teremos mais mulheres atrás das câmeras e nos papéis principais."

Em crise ou não, o calendário da Marvel segue cheio para os próximos anos. Devem estrear num futuro breve filmes sobre o Quarteto Fantástico e os X-Men, times queridinhos dos leitores de quadrinhos —e que já fizeram sucesso no cinema—, bem como novos capítulos de "Os Vingadores", sua galinha dos ovos de ouro.

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