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Entrevista exclusiva

Documentário premiado de Eliza Capai estreia no ES: "É como passar o filme em casa"

Capixaba de coração, diretora celebra a estreia nacional de A Fabulosa Máquina do Tempo, premiado no 33º Festival de Vitória e agora em cartaz nos cinemas de todo o Brasil
Aline Almeida

Publicado em 30 de Julho de 2026 às 15:04

Eliza Capai fala sobre "A Fabulosa Máquina do Tempo", que estreia nos cinemas
Eliza Capai fala sobre "A Fabulosa Máquina do Tempo", que estreia nos cinemas Eliza Capai

Premiado durante o 33º Festival de Cinema de Vitória, o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30), após uma trajetória de destaque por festivais nacionais e internacionais.


Coprodução da Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil, o longa acompanha o cotidiano de meninas de Guaribas, no sertão do Piauí, que crescem entre as memórias da fome vivida por suas mães e os sonhos de um futuro com mais oportunidades.


Antes da estreia nacional, o filme passou por importantes festivais. A produção abriu a mostra Generation Kplus no Festival de Berlim, com sessões esgotadas, e, no Espírito Santo, integrou a 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas do 33º Festival de Cinema de Vitória, onde conquistou o Troféu Vitória de Melhor Fotografia, assinado por Carol Quintanilha.


Para Eliza Capai, exibir o filme em Vitória teve um significado especial. A cineasta, que cresceu no Espírito Santo, define o festival como uma volta para casa e destaca o carinho com que a produção foi recebida pelo público capixaba.


"Meus pais estão aí, então passar o filme no Festival de Vitória é como passar o filme em casa. Fiquei muito feliz com o prêmio de fotografia para a Carol Quintanilha, que além de fotógrafa foi uma grande parceira criativa. As invenções do filme e as brincadeiras com as meninas nasceram muito dessa troca", afirma.

Meus pais estão aí, então passar o filme no Festival de Vitória é como passar o filme em casa. Fiquei muito feliz com o prêmio de fotografia para a Carol Quintanilha, que além de fotógrafa foi uma grande parceira criativa. As invenções do filme e as brincadeiras com as meninas nasceram muito dessa troca

Eliza Capai, cineasta

Uma história construída ao longo de mais de uma década
A origem do documentário remonta a 2013, quando Eliza viajou para Guaribas durante uma pesquisa sobre os impactos do Bolsa Família nas relações de gênero. Na época, a cidade era conhecida por ter registrado um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
Premiado, "A Fabulosa Máquina do Tempo" estreia nos cinemas brasileiros
Premiado, "A Fabulosa Máquina do Tempo" estreia nos cinemas brasileiros Carol Quintanilha

O que encontrou ali mudou os rumos de sua carreira. "Percebi uma transformação muito forte. As mulheres da minha idade sonhavam em encontrar um bom marido. Já as filhas falavam em ser médicas, advogadas, profissionais. Aquilo mostrava uma mudança de perspectiva muito grande", relembra.


A diretora voltou ao município em 2021 e, posteriormente, em 2024, para desenvolver o documentário. O foco deixou de ser apenas a transformação econômica da comunidade e passou a observar como meninas enxergam o futuro, as relações de gênero e o mundo ao seu redor.

O olhar das próprias crianças

Antes das gravações, a equipe promoveu uma oficina de audiovisual com meninas entre sete e doze anos. A experiência foi determinante para definir a linguagem do filme, construída a partir das conversas, entrevistas e brincadeiras das próprias participantes. Segundo Eliza, praticamente nada foi encenado.


"O filme nasceu como uma oficina de vídeo para 15 meninas. Há entrevistas convencionais, exercícios em que elas entrevistavam as próprias mães e muitas brincadeiras espontâneas. A brincadeira do zumbi, por exemplo, surgiu quando uma delas descobriu que crianças também morrem. Não havia roteiro para isso. Outras cenas vieram das interpretações que elas faziam depois de assistir a documentários antigos."

Capixaba de coração, Eliza Capai leva documentário premiado aos cinemas
Capixaba de coração, Eliza Capai leva documentário premiado aos cinemas Eliza Capai

O resultado é um documentário que mistura realidade e imaginação para revelar, com delicadeza, temas como desigualdade, machismo, infância e liberdade.

Um convite para imaginar outro Brasil

Mais do que retratar a realidade de Guaribas, Eliza espera que o filme desperte reflexões sobre o país e sobre a importância das políticas públicas na transformação da vida de crianças e adolescentes.


"Acho que as pessoas acabam se conectando com a própria infância e com os próprios sonhos. O filme também convida a pensar no Brasil que queremos construir. Essas meninas provavelmente estariam trabalhando na roça e sem acesso à escola se determinadas políticas públicas não existissem".

É um convite para imaginar uma sociedade em que seja possível brincar, ser feliz e transformar os próprios medos


A expectativa para a estreia

Depois da boa recepção em festivais, a diretora espera que o documentário encontre também espaço nas salas de cinema, reconhecendo os desafios enfrentados pelas produções documentais brasileiras.


"Documentário brasileiro sempre enfrenta dificuldades para permanecer em cartaz. Por isso, faço um convite para que as pessoas assistam ao filme nos cinemas."

Capixaba de coração, Eliza Capai lança "A Fabulosa Máquina do Tempo"
Capixaba de coração, Eliza Capai lança "A Fabulosa Máquina do Tempo" Joao Pina

Além da exibição comercial, a equipe pretende ampliar o alcance da obra por meio de sessões gratuitas em escolas, cineclubes e espaços culturais.


"Vamos disponibilizar o filme para exibições coletivas gratuitas. Quem tiver interesse pode acessar o Instagram de A Fabulosa Máquina do Tempo, se cadastrar pelo link da BIO e organizar sessões seguidas de debate. Nosso desejo é que essa conversa continue acontecendo".


No Espírito Santo, o filme estará em cartaz no Cine Metrópolis, localizado no campus de Goiabeiras da Ufes.

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