Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • HZ
  • Cultura
  • Sucesso há quase três décadas, "Hermanoteu na Terra de Godah" volta a Vitória
Comédia

Sucesso há quase três décadas, "Hermanoteu na Terra de Godah" volta a Vitória

Espetáculo será apresentado na capital capixaba neste domingo (13), em duas sessões, sendo uma com ingressos já esgotados
Gustavo Cheluje

Publicado em 11 de Novembro de 2022 às 11:00

Hemanoteu (Ricardo Pipo) e Isaac (Welder Rodrigues) em
Hemanoteu (Ricardo Pipo) e Isaac (Welder Rodrigues) em "Hermanoteu na Terra de Godah" Crédito: Nicolau ElMoor / Divulgação
Antes de sua peregrinação para chegar a Godah (Aleluia, irmãos!), Hermanoteu vai dar uma passada por Vitória e, quem sabe, não aproveita para degustar uma deliciosa moqueca? 
Calma, por enquanto, "HZ" ainda não pirou... A brincadeira (ou seria insanidade mesmo?) no início do texto é uma alusão à peça "Hermanoteu na Terra de Godah", comédia encenada pela companhia Os Melhores do Mundo.
Há quase 30 anos na estrada, mas com um texto sempre afiado e atualizado, contemplando situações do cotidiano, o espetáculo será apresentado na capital capixaba neste domingo (13), com sessões às 16h e 19h, no Centro de Convenções de Vitória. Os bilhetes para a apresentação das 19h já estão esgotados.  
Em relação à peça, não há uma trama linear, pois as esquetes vão se atualizando, mas as citações a passagens bíblicas ou mesmo ao grupo inglês Monty Python - e seu "A Vida de Brian" - são claras.
No palco, acompanhamos a saga de Hermanoteu (Ricardo Pipo), jovem designado por um anjo (seria o novo messias?) a peregrinar até a misteriosa Godah, uma espécie de Terra Prometida. 
Com suas nove moedas no bolso, o "escolhido" encontra pelo caminho tipos como o diabo, uma profetisa e Isaac (Welder Rodrigues), onde temos os melhores diálogos (surreais) da peça. Um em especial mostra como o guerreiro libertou os hebreus do Egito ao lado de Moisés!
Ah, sim: o espetáculo também conta com a luxuosa participação do saudoso Chico Anysio (morto em 2012), que interpreta Deus em textos com narrativa em off.
Loucuras à parte, conversamos com (o talentoso) Welder Rodrigues para tentar entender os motivos que levam "Hermanoteu na Terra de Godah" a continuar com salas lotadas mesmo com quase três décadas de estrada...
"A peça, apesar de se passar na antiguidade, é atual por tratar-se de um "pano de fundo" para acontecimentos do dia a dia. Tanto sociais, como políticos e culturais. Usamos a história do peregrino para falarmos da realidade. E o público se identifica imediatamente...", aponta Rodrigues, tentando explicar a fórmula do sucesso.
A peça, inclusive, se tornou viral na internet, com pessoas reproduzindo cenas inteiras, especialmente os diálogos entre Hemanoteu e Isaac. Com isso, logo pensamos que as redes ajudaram, e muito, na longevidade do espetáculo.  
"Quando a internet surgiu, já estávamos com este espetáculo em cartaz! Não sabíamos como ficaria o teatro depois disso. Sabíamos que era uma mudança sem precedentes na vida de todos, mas resolvemos apostar. Deixamos nos fotografar, filmar e nos abrimos para a mudança. As cenas foram para internet. Arriscamos e acertamos", comemora.
"O fato das peças estarem inteiras na internet poderia representar o fim do público no teatro. Mas aconteceu o oposto, ganhamos plateia. As pessoas querem ver ao vivo aquilo que as diverte nas redes",  enfatiza.

ATUALIDADES

O grupo Os Melhores do Mundo usa "Hermanoteu" como uma espécie de laboratório. Algumas esquetes são atualizadas com situações do cotidiano e até com a realidade de cada local onde é apresentada. Será que com Vitória vai acontecer o mesmo?  Teremos piadas com capixabas?
"Fazemos uma crônica do que está acontecendo. A plateia sabe que, naquele dia, o que ela está assistindo é único. Antes, precisávamos de uma pesquisa em cada cidade. Hoje, já estivemos várias vezes em cada capital do Brasil e tantas cidades do interior. Já temos nossas próprias referências também. Vivemos as cidades. Temos amigos em Vitória e nos atualizamos dos assuntos do momento", despista Welder, teimando em não revelar se teremos surpresas em relação ao ES.
Durante o bate-papo, perguntamos ao humorista se satirizar passagens bíblicas não arrisca causar a ira de pessoas pertencentes a algum segmento religioso. "Tratamos do tema com cuidado. Não ofendemos. Brincamos. A peça é uma brincadeira com épicos do Velho Testamento. A plateia se diverte com as aventuras do anti-herói Hermanoteu", responde.
Cena da peça
Cena da peça "Hermanoteu na Terra de Godah" Crédito: Nicolau ElMoor / Divulgação
Por falar em polêmicas, como é apresentar "Hermanoteu" em uma sociedade considerada bem mais conservadora do que há 25 anos, quando o texto foi apresentado pela primeira vez. O humor ácido pode continuar "livre, leve e solto"?
"O humor é uma crítica à sociedade. Brincamos com o erro. Com isso, mostramos o quanto somos ridículos, risíveis. A plateia está rindo dela mesma e das próprias referências, por isso não temos cautela. Pelo contrário, somos ferramenta de resistência e mudança", exalta Rodrigues.
"Precisamos nos colocar como tal. Não somos um grupo político, mas tudo é política. Não temos nem como deixar de ser o que somos, nos fizemos assim, criticando e rindo de nós mesmos. A plateia, que nos assiste, sabe disso. Já nos 'comprou'. O limite do humor para gente é a risada. Nós acompanhamos as mudanças e estamos atentos. As coisas mudam e nós também. Muita coisa não tem mais graça, por isso tiramos algumas piadas e trocamos por outras", reflete.

NA TELONA

Após vários especiais na TV, animações e DVDs com apresentações gravadas, "Hermanoteu na Terra de Godah" acabou virando longa-metragem, que contou com lançamento do canal Telecine e hoje está disponível em algumas plataformas digitais. 
"A pandemia da Covid-19 não permitiu que nosso filme fosse para os cinemas como queríamos. Mas estamos felizes com a qualidade e repercussão que o projeto teve na TV. É uma superprodução e vai sendo assistida cada vez em mais plataformas. Superou as nossas expectativas em termos de qualidade. E o público vai nos dando um retorno maravilhoso. Eternizou a peça", acredita o humorista, que também está bombando na novela "Mar do Sertão", da Rede Globo, como o incorrigível Sabá, o Prefeito de Canta Pedra.
Corrupto, o mandatário só pensa no dinheiro e em formas de se manter no poder. Claro que é impossível não fazer uma metáfora com os políticos brasileiros dos tempos atuais. Será que a vida imitou a arte?
"O Sabá Bodó é um retrato de tantos políticos que, ao longo da história brasileira, se mantiveram no poder através de meios ilícitos. O sucesso do personagem é uma resposta do povo que ri da desgraça, mas que, cada vez mais, está percebendo como funciona o jogo político e sabe que pode ter voz para mudar a situação", complementa Welder Rodrigues. 

"HERMANOTEU NA TERRA DE GODAH"

  • O QUE É: Espetáculo teatral da companhia Os Melhores do Mundo. Em cena, os atores Adriana Nunes, Adriano Siri, Jovane Nunes, Ricardo Pipo, Victor Leal e Welder Rodrigues
  • QUANDO: Domingo (13), com sessões às 16h e 19h, no Centro de Convenções de Vitória. Rua Constante Sodré, 157, Santa Lucia, Vitória. 
  • INGRESSOS: A sessão de 19h já está com ingressos esgotados. Ainda há bilhetes disponíveis para a apresentação de 16h, à venda pela internet. Os valores custam entre R$ 50 a R$ 110. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Trump diz que EUA vão pausar operação de escolta de navios no estreito de Ormuz
Imagem de destaque
'Não somos só notícia, somos pessoas': o apelo dos passageiros presos em cruzeiro com surto de hantavírus
Imagem de destaque
O que se sabe sobre ataque a tiros que deixou duas pessoas mortas em escola no Acre

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados