Muito além dos 90 minutos em campo, o confronto entre Brasil e Haiti, que acontece nesta sexta (19), às 21h30, também coloca em evidência histórias de integração, acolhimento e troca cultural aqui no Espírito Santo.
Entre tradições, costumes e a paixão compartilhada pelo futebol, o duelo ganha um significado ainda mais profundo para os haitianos que vivem no estado.
Para entender essa conexão, HZ conversou com um imigrante que acompanha de perto a seleção de seu país e revelou como é torcer em uma partida que une duas nações importantes em sua trajetória.
Haiti e Espírito Santo: o coração dividido em dois continentes
Após o empate com o Marrocos, a seleção brasileira volta ao campo nesta sexta (19) contra um país que retorna ao campeonato após 52 anos desde a sua estreia, o Haiti. Após o Mundial da Alemanha Ocidental, em 1974, o país caribenho conseguiu uma classificação histórica, deixando seus torcedores em festa com sua conquista tão aguardada. E um desses haitianos orgulhosos está no Espírito Santo.
Wilgens Exil, ou simplesmente Will, nasceu no Haiti e se tornou professor de Economia da Ufes. Ele mora atualmente na Serra, e veio ao Brasil em 2016 para realizar um mestrado no Programa de Pós-graduação em Política na federal capixaba. No entanto, resolveu continuar em terras capixabas para fazer o doutorado e também desenvolver pesquisas na área das Ciências Sociais Aplicadas.
Will admite que o futebol era sua maior referência que tinha do Brasil antes de se mudar, mas não foi o esporte que fez ele se apaixonar pelo nosso país, mas sim o acolhimento.
Sempre fui muito bem recebido e me senti em casa. Ao longo desses anos, construí amizades incríveis, tanto aqui no Espírito Santo quanto até em Manaus. Tenho muita gratidão por isso
Wilgens Exil Professor de Economia da UFES
Quando perguntado se o Haiti e o Espírito Santo têm algo em comum, Will disse que principalmente o clima, as belas praias, e também as cachoeiras que o estado e o país caribenho tem de semelhança.
Já sobre as diferenças, o professor admite que mesmo apaixonado pelo o estado, o Haiti continua com um espaço especial em seu coração que nunca vai mudar. Além das saudades de sua família, amigos, músicas e da culinária, um dos motivos de continuar no ES é justamente o que une o estado e seu país natal, ser um pesquisador e produtor de conhecimento.
Eu produzo e continuo produzindo pesquisas sobre o Haiti, como uma forma de contribuir com o desenvolvimento e ajudar pessoas a conhecerem o Haiti que não é mostrado na mídia
Wilgens Exil Professor de Economia da UFES
Na sua adaptação, uma das coisas que mais “estranhou” nos seus primeiros anos no Espírito Santo era o hábito que os brasileiros têm de usar diminutivos para quase tudo, como "cafezinho" e "agorinha". “No começo, eu achava isso muito engraçado”, revela o professor.
Sobre o futebol, Will gosta do esporte, mas acompanha mais no período do campeonato de seleções. E depois de um período tão grande sem participação do Haiti, e sua quase classificação no mundial do Qatar em 2022, ele afirma que vai acompanhar a cada jogo com muita emoção.
Ele relembra que quando seu país caiu no mesmo grupo do Brasil na fase de grupos, sua reação foi de choque, mas não de medo. Ele reconhece que o Brasil representa um time de peso que poucos desejariam enfrentar, o sorteio aconteceu, e apesar de muitas pessoas subestimarem a seleção haitiana, o futebol é imprevisível e não se pode subestimar seu adversário.
E quando a bola rolar no jogo Brasil x Haiti, pra quem Will estará torcendo? Mesmo sendo uma pergunta difícil, ele seguiu seu coração e foi direto: Haiti.
Continuarei torcendo pelo Brasil em todos os outros jogos, mas na noite de 19 de junho de 2026, meu coração estará com a seleção haitiana
Wilgens Exil Professor de Economia da UFES