Hoje ouviremos "Um", álbum instrumental cuja força vem de três amplos e óbvios momentos que são imprescindíveis à qualidade do som: o primeiro, quando a arregimentação dos instrumentistas tem sintonia com as músicas apresentadas; o segundo, quando eles trazem na alma o som de seus instrumentos; e, por fim, quando os arranjadores sublimam o repertório, tornando-se quase parceiros das composições.
"Um" é o primeiro álbum do pianista Edu Sangirardi. Ao verificar os pontos que, creio eu, caracterizam um bom CD instrumental, encontrei alguns itens aqui listados – claro que outros elementos podem e devem ser ajuntados às listas que permitem reconhecer de antemão os predicados dos trabalhos, pois quanto mais itens positivos houver, melhor será o disco, é claro!
Avaliemos o trabalho que Edu Sangirardi trouxe à luz. A qualidade das dez composições gravadas são de tirar o chapéu. Dessas, sete são inéditas, sacadas da gaveta em que Edu guarda suas joias, a serem registradas um dia; as outras já foram gravadas pela cantora e compositora Anna Setton.
Pois bem, o dia chegou, é hoje: a tampa abre com “Canto de Aruanda” (Edu Sangirardi). Desde a intro o som do clarone impõe seu timbre, cuja pujança se torna mais energética. O piano, junto com o baixo e a batera, abrem alas para o suingue arrebatador, e as cordas iluminam ainda mais o arranjo.
Agora é “Sim” (Edu Sangirardi, Danilo Silva e André Goldfeder), que tem a guitarra desenhando notas solitárias, enquanto a batera soa bonito. O piano assume as rédeas com uma bela levada. A guitarra improvisa. O rhodes embala o duo de piano e guitarra. Uma música suave, cujos improvisos alternam-se entre piano e guitarra, conduzem a melodia e a harmonia requintadamente.
Em meio à pandemia que nos mata e um presidente que nega a importância da vacina, ouvir um trabalho como o de Edu Sangirardi é acreditar que o futuro trará boas nuvens de paz e alegria.