Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 11:12
O rei, a rainha e seus mais próximos caminham com solenidade até uma parte elevada do palácio para apresentar a princesa recém-nascida aos súditos. A população do reino aplaude e grita, e o ancião discursa sobre os tempos bons que se aproximam. É uma cena nos moldes da abertura de "O Rei Leão", agora replicada pela TV Globo para a sua próxima novela das seis, "A Nobreza do Amor".>
O paralelo com a Disney é feito pelo próprio diretor do folhetim, Gustavo Fernández, que comandava as gravações na Fortaleza Santa Cruz da Barra, em Niterói, no Rio de Janeiro, na segunda-feira da semana passada. "A novela é uma fábula, fantasiosa, e ele é o Scar", diz Fernández, apontando para Lázaro Ramos.>
O ator fazia cara de mau. Ele dá vida ao vilão Jendal, braço direito do rei e da rainha, vividos por Welket Bungué e Erika Januza, que vai aplicar um golpe para tomar a coroa de Batanga, um reino fictício na África. É o primeiro antagonista de Lázaro.>
Derrotada, a rainha foge para o Brasil com sua filha, a protagonista Alika, interpretada por Duda Santos, que ganhou projeção na novela "Garota do Momento" há dois anos. As personagens se escondem em Barro Preto, cidade inventada no Rio Grande do Norte, onde mudam de nome se fingir serem pessoas comuns.>
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Jendal, ainda na África, fica obcecado com a ideia de encontrar a princesa para se casar à força com ela. Aqui no Brasil, Alika se apaixona por Tonhão, rapaz trabalhador que sonha em ser dono de terras, vivido por Ronald Sotto. A história se passa nos anos 1920.>
"A novela vem do desejo de contar a história de uma princesa negra, de mostrar uma nobreza africana sobre a qual não se fala. As histórias das amas a gente já conhece", diz Duca Rachid, uma das autoras. Ela escreveu a trama com Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., o mesmo trio por trás de "Amor Perfeito", novela que a Globo exibiu em 2023.>
"Amor Perfeito" também era uma novela de época, ambientada nos anos 1940, apresentou uma elite negra brasileira, o que despertou nos autores a vontade de ir além no debate sobre representatividade na TV - "A Nobreza do Amor", afinal, se destaca com um elenco principal todo de pessoas pretas, algo incomum na teledramaturgia. "Estamos cumprindo um fim nobre, influenciar a autoestima do país", diz Lopes Jr.>
A trama não foi a primeira apresentada pelo trio à alta cúpula da TV Globo - a outra, apesar de aprovada, foi considerada cara demais e acabou engavetada. Mas "A Nobreza do Amor" tampouco vai sair barata, afirmam os autores, dado que as gravações estão ocorrendo fora do Projac, no Rio de Janeiro, onde o canal ergue cidades cenográficas para baratear os custos de produção.>
As filmagens começaram no Rio Grande do Norte, em dezembro, e este ano migraram para o forte militar de Niterói, onde as muralhas de pedra tentam dar conta de formar o imponente palácio de Batanga. Para reforçar a fantasia, bandeiras com brasões inventados foram penduradas na extensão dos muros.>
A reportagem viu dezenas de figurantes vestidos com trajes de estilo africano. Eram mantos e colares cerimoniais, numa junção de referências de várias sociedades africanas, afirma a figurinista Marie Salles, que trabalhou também nos figurinos do remake de "Vale Tudo". Sob o calor do Rio de Janeiro, os atores tiveram de repetir incontáveis vezes a gravação da apresentação da princesa Alika.>
Lázaro Ramos, no camarim, descansando após o almoço, diz que se interessou na novela especialmente por casa da mistura de várias culturas da África. Foi ele quem pediu por um papel na trama.>
Lázaro nunca almejou fazer personagens malvados - diz que se interessava mais pelos anti-heróis -, mas agora, com um caderninho em mãos, afirma estar empolgado, como se fosse um ator novato, com a ideia de aprender idiomas, costumes e hábitos de uma sociedade fictícia. "A gente se apropriou da estética africana para fazer fábula, não outra novela sobre escravização.">
É mais ou menos o que a Marvel propôs com o filme "Pantera Negra", de 2018, que vai dos Estados Unidos a Wakanda, um reino africano supertecnológico. O longa e a novela são cheias de paralelos ambas falam de reis derrotados, a criação de príncipes e de exploração. Fernández, o diretor, diz, inclusive, que "A Nobreza do Amor" abre com uma cena de ação, a luta pela independência de Batanga.>
Filmes de Hollywood como "Pantera Negra" serviram, sim, de referência, afirmam os autores, mas há inspiração também em vivências brasileiras - como a do próprio Elísio Jr., que foi criado nos arredores de Curuzu, bairro em Salvador com uma forte identidade afro-brasileira. "Todos os anos, no Carnaval, eu via uma princesa, como a nossa Alika, ser coroada em um carro alegórico num bloco onde só entram pretos.">
O jornalista viajou a convite da TV Globo>
A NOBREZA DO AMOR>
- Quando Estreia em 16/3 na TV Globo>
- Classificação Não informada>
- Autoria Duca Rachid, Elísio Lopes Jr. e Júlio Fischer >
- Elenco Duda Santos, Erika Januza e Lázaro Ramos>
- Direção Gustavo Fernández>
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