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Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 14:43
Com obras produzidas no século XVII, o Espírito Santo volta a integrar o circuito internacional das grandes exposições de arte. A partir do dia 26 de fevereiro, o Palácio Anchieta recebe a mostra "Rembrandt – O mestre da luz e da sombra", que apresenta ao público 69 gravuras originais de Rembrandt van Rijn, um dos maiores nomes da história da arte mundial. A visitação é gratuita. >
Antes de chegar ao Estado, a exposição passou por Belo Horizonte e pelo Rio de Janeiro, integrando um circuito brasileiro que reúne obras pertencentes a uma importante coleção italiana. Agora, é o público capixaba que tem a oportunidade de se aproximar do trabalho do artista holandês que revolucionou a forma de representar luz, sombra e emoção.>
Reconhecido como o grande mestre do claro-escuro, Rembrandt é apresentado na mostra a partir de dois grandes eixos curatoriais: o humano e o divino. As gravuras conduzem o visitante por diferentes momentos de sua trajetória, em um percurso que atravessa toda a vida do artista e revela suas múltiplas facetas, dos autorretratos às cenas bíblicas, dos retratos de pessoas comuns às figuras marginalizadas. >
Entre as obras famosas expostas estão Autorretrato com Saskia (1636), A Descida da Cruz (1633), A Ressurreição de Lázaro (1632), O Jogador de Cartas (1641), O Manto de José Trazido a Jacó (1633) e Cristo Expulsando os Cambistas do Templo (1635).>
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Mais do que domínio técnico, o trabalho de Rembrandt é atravessado por sentimento. Produzidas principalmente em técnicas como água-forte e ponta-seca, as gravuras revelam personagens marcados por emoções universais, como espanto, dor, fé e compaixão. >
Mesmo ao tratar do sagrado, o artista aproxima o divino da experiência humana, revelando fragilidades e conflitos que atravessam o tempo. A luz e a sombra, elementos centrais de sua obra, costuram essa tensão e conferem profundidade psicológica às imagens.>
A exposição também propõe um olhar atento ao processo criativo do artista. As matrizes revelam um Rembrandt inquieto, que redesenhava cenas, aprofundava contrastes e deixava as sombras ganharem protagonismo. Para ampliar essa experiência, o público contará com lupas disponíveis no espaço expositivo, permitindo observar detalhes minuciosos de cada gravura.>
A influência de Rembrandt atravessa séculos e chega à arte moderna. Vincent van Gogh, por exemplo, declarou em cartas sua profunda admiração pelo artista holandês. Até hoje, esse legado é preservado em Amsterdã, na Casa de Rembrandt, museu instalado na residência onde ele viveu e produziu parte significativa de sua obra.>
Segundo Álvaro Moura, diretor da Premium Comunicação Integrada de Marketing, a chegada de Rembrandt ao Espírito Santo reforça o papel do Estado no mapa das grandes exposições realizadas no Brasil. “Ao longo dos anos, nomes como Leonardo da Vinci, Portinari, Dalí, Goya, Monet, Miró, Picasso, Modigliani, Chagall, Renoir e Michelangelo já passaram pelo solo capixaba, encontrando um público atento e preparado para receber a grande arte”, destaca.>
No Palácio Anchieta, a exposição inaugura também um novo capítulo em termos de acessibilidade. Pela primeira vez, o espaço contará com uma sala exclusivamente dedicada a experiências acessíveis, com reproduções táteis de obras, textos curatoriais em braile, audioguia e totens com vídeos em Libras. Entre os destaques estão peças táteis, como o autorretrato de Rembrandt, que pode ser explorado por meio de variações de textura e relevo.>
A montagem capixaba amplia ainda mais a experiência ao incorporar um ambiente imersivo em formato de cubo, no qual o visitante pode entrar e vivenciar as obras em grandes projeções. Nesse espaço, as gravuras ganham movimento e envolvem o público em um campo sensorial de luz, sombra e emoção. >
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