Se o Espírito Santo e a Escócia compartilham as mesmas iniciais (ES), os dois lugares também estão ligados por uma história de amor. Enquanto Brasil e Escócia se reencontram pela quinta vez em uma fase de grupos de Copa do Mundo, o escocês Shaun Alexander e a capixaba Marielle Machado mostram que essa conexão vai muito além dos gramados.
Natural de Edimburgo, na Escócia, e ela de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, o casal construiu uma história que une culturas, sotaques e paixões. E, curiosamente, o vínculo de Shaun com o Brasil começou antes mesmo de conhecer a futura esposa.
Ele conta que visitou o país pela primeira vez em 2007, aos 18 anos, quando representou a Escócia no Campeonato Mundial de Pesca por Seleções Nacionais, realizado em Vitória. Embora a relação com o Brasil tenha começado naquela viagem, foi durante a passagem pelo Espírito Santo que nasceu uma paixão que mudaria os rumos de sua vida.
Eu gostei muito (de Vitória). É uma cidade bonita e tem muita coisa para fazer. Gostei das praias e das comidas, a moqueca capixaba é uma coisa que eu sempre sinto falta. Eu sempre gosto de voltar para a minha segunda casa
Shaun Alexander Diretor de marketing
No outro lado da moeda, a cachoeirense Marielle revela que a impressão que tinha sobre a Escócia, antes de conhecer seu esposo, era de um lugar rural e de castelos. Mas na sua primeira viagem ao país europeu, conheceu a “Hogmanay”, famosa festa escocesa de Ano Novo, e descreveu como um “conto de fadas”.
Era só a segunda vez que eu tinha visto neve, eu só tinha visto neve em Londres, meses antes. Então foi muito bonito e muito diferente de tudo que eu já tinha visto no Brasil
Marielle Machado Publicitária
Inclusive, o primeiro contato entre os dois aconteceu por meio de uma amiga em comum do casal, quando ainda estavam nos continentes opostos. Após a visita ao Brasil, Shaun voltou à capital capixaba para conhecer e aproveitar o lugar, e enquanto isso, a capixaba Marielle estava na Europa, mais especificamente em Londres para estudar inglês. Após conversas na internet, foi na cidade londrina que os dois tiveram seu primeiro encontro.
Quando perguntados sobre o que o Espírito Santo e a Escócia podem ter em comum, o casal deu a mesma resposta interessante: as praias e as pessoas. Shaun comenta que diferente da percepção que alguns brasileiros podem ter, o povo escocês é diferente do estereótipo “fechado e distante” dos outros europeus.
“Tem lugares tipo a Alemanha que as pessoas são mais frias mesmo, mas na Escócia a gente não é assim. A gente é mais feliz, mais alegre, mais amigável, como vocês (capixabas)“, revela o escocês.
Já Marielle complementa sobre a semelhança geográfica, uma vez que muitos não sabem que o país britânico também possui “praias e montanhas muito bonitas em comum” ao estado capixaba.
Agora sobre o futebol, mesmo que ambos não acompanhem o esporte, o momento do torneio mundial é diferente, e admitem que estão bem empolgados para o campeonato de 2026. O casal está atualmente nos Estados Unidos para assistir aos jogos, e já marcaram presença no primeiro duelo da Escócia no mundial, que saiu vencedora por 1-0 contra o Haiti. E vão continuar no país norte-americano para conseguir ingressos para o jogo do Brasil e Escócia, que acontece nesta quarta-feira (24).
Então, surge a pergunta, pra quem cada um vai torcer neste jogo? Será que vai ter ressentimento com quem ganhar? Segundo os dois, não vai ter isso, ambos vão torcer para a sua seleção, mas não ficarão chateados se o time “rival” vencer esse confronto.
Shaun conta que mesmo reconhecendo que a seleção canarinho seja a favorita, vai estar na torcida por seu país durante o jogo.
Como a Escócia não participa do torneio há 28 anos e essa é a nossa seleção mais forte dos últimos tempos, eu tenho que torcer, mas a gente vai torcer junto para os dois times. Nosso coração está partido nesse sentido
Shaun Alexander Diretor de marketing
Já Marielle brinca que vai ter empatia com o time escoces caso precisem muito da vitória. "Eu vou torcer para o Brasil, porque não tem como, mas se a Escócia estiver muito precisando para passar de fase, eu acho que eu vou torcer para eles. Mas eu sempre vou torcer para o Brasil, não tem jeito".