Estagiária / [email protected]
Publicado em 9 de março de 2026 às 16:37
Enquanto a maioria das pessoas está se preparando para dormir, muitos DJs estão apenas começando a trabalhar. É durante a madrugada, entre luzes e pistas cheias, que esses profissionais assumem o comando da noite e transformam música em experiência para o público.>
Celebrado em 9 de março, o Dia Nacional do DJ chama atenção para uma profissão que, embora muitas vezes associada ao glamour das festas, exige dedicação e resistência à rotina intensa. No Espírito Santo, DJs que atuam em casas noturnas, eventos e festivais mostram que o trabalho envolve muito mais do que selecionar músicas.>
Para o DJ Lukão, que começou a atuar no pós-pandemia, um dos maiores desafios é a rotina intensa. "São muitos concorrentes, então sempre tenho que trabalhar muito, mais que os outros. O DJ tem que criar música, postar vídeo, criar set, divulgar música, se preocupar com contratante", contou. >
Lukão ainda conta que sempre gostou de colocar as músicas em festas, muito por uma influência familiar, mas só percebeu que queria viver como DJ quando viu que era possível se sustentar. "Foi todo um processo, comprei meu ipad, percebi que as pessoas gostavam das músicas que eu colocava, fui sendo chamado para tocar e percebi que o palco era o meu lugar">
>
Ele ainda relembra shows marcantes da sua carreira, que aconteceram na Bahia, Fortaleza e até fora do país, nos EUA, e quando conheceu grande sartistas como Veigh e Matuê. "Quando eu toquei na Festa de São Pedro, por ser no meu bairro e no mesmo dia do Raça Negra, foi muito marcante. Eram 20 mil pessoas ali, minha família e amigos me prestigiando". >
A trajetória da DJ Karolla também começou no pós-pandemia, com todos os desafios daquele período. Ela foi convidada para abrir o show da MC Tha, e desde então, descobriu que ser DJ era mais que um hobby e poderia se tornar uma profissão. >
Para ela, um dos maiores desafios de fazer arte no Espírito Santo é não deixar que caia no automático. "É muito fácil deixar que tudo vire apenas um produto, mas eu acredito muito na importância de manter um equilíbrio entre o lado profissional e a essência artística. A arte precisa fazer sentido, ser expressão", destacou. >
Além dos shows, os DJs precisam pensar na parte estética, look, narrativa do set e performance, por exemplo. Karolla enfatiza que existe um trabalho invísivel antes da música tocar. A DJ já participou do Funk Parade, na Austrália, e confessa nunca ter imaginado que a música a levaria tão longe. "Foi especial ver pessoas de todas as nacionalidades celebrando o funk e a brasilidade".>
Para ela, a motivação é continuar tocando as pessoas através da música, gerar conexão, emoção e encontros, carregando sempre suas raízes. >
Com quase quatro décadas de carreira, o DJ capixaba Renato Vervloet afirma que um dos maiores desafios da profissão é equilibrar identidade musical e as demandas do mercado. Para ele, a experiência ajuda a encontrar esse ponto de equilíbrio. “Consigo unir o atual ao clássico com naturalidade, deixando de lado o que não me identifico e trazendo tudo do novo que se encaixa na minha narrativa musical”, explica. No Espírito Santo, segundo ele, a carreira também exige sensibilidade para entender o público e reconhecer em quais espaços o trabalho do artista realmente se encaixa. >
A relação com a música começou de forma simples, tocando em encontros entre amigos e festas menores. Foi nesse ambiente que ele percebeu que poderia transformar o hobby em profissão. “Quando vi a energia das pessoas se transformando pela música, senti que havia algo além da diversão. Ali percebi que queria criar experiências e me dedicar integralmente a isso”, lembra.>
Apesar de muita gente imaginar que a rotina de um DJ se resume a tocar e aproveitar a festa, o trabalho envolve uma preparação intensa nos bastidores. Vervloet destaca que grande parte do tempo é dedicada à pesquisa musical, à descoberta de novos estilos e à montagem cuidadosa dos sets. Além disso, a profissão também exige testes de equipamentos, networking com produtores e outros artistas, além da logística de viagens e apresentações, muitas vezes em madrugadas seguidas.>
Entre as muitas histórias da carreira, uma das mais marcantes aconteceu em 2005, quando decidiu apostar em um formato que ia na contramão da tendência digital da época. Foi quando criou a Festa do Vinil, considerada a primeira festa capixaba totalmente dedicada ao formato analógico. “Quando vi a casa lotada, com o público dançando e pedindo novas edições, percebi o impacto real do meu trabalho”, conta.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta