De portas abertas! O Museu do Cais das Artes foi inaugurado nessa quinta-feira (02), com a exposição “Amazônia”, de Sebastião Salgado. Além da abertura, o evento contou com solenidade e apresentação da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo.
Após anos de obras e muita expectativa, a inauguração marca um novo capítulo para a cena artística do estado. Lélia Wanick Salgado, viúva do fotógrafo Sebastião Salgado e curadora da exposição, celebrou a abertura do espaço.
"Sou capixaba, nasci em Vitória e tenho um grande amor por essa exposição. É um prazer estar aqui", contou. Ela ainda relembrou que, apesar de não ter nascido no ES, Sebastião Salgado era capixaba de coração.
Ao falar da exposição, a curadora exaltou a Amazônia e deixou uma mensagem.
A Amazônia é quase metade do nosso território, e os brasileiros tem que conhecer. A primeira vez que eu estive lá, eu me emocionei. É lindo, e que a gente tem que proteger. A gente não pode deixar ninguém acabar com a Amazônia. A Amazônia é sagrada
Lélia ainda falou sobre a união com Sebastião. "Eu definiria nossos 61 anos de vida juntos como amor, carinho e respeito".
Um marco na cultura capixaba
Fabrício Noronha, Secretário de Cultura do Espírito Santo, também celebrou a inauguração do Museu do Cais. "Começar com Sebastião é muito significativo, pela sua grandiosidade, por sua história com o nosso estado, pela história da Lélia com o Espírito Santo".
O evento contou com a presença de diversas autoridades, como o então Governador Renato Casagrande, o vice-governador Ricardo Ferraço, representantes da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e da Fundação Roberto Marinho. João Alegria, secretário geral da fundação, destacou a integração entre cultura e educação no espaço, que fortalece o vínculo entre a comunidade e o novo equipamento cultural.
A iniciativa de formação de mediadores culturais já atraiu mais de 450 jovens aqui da região
A exposição
"Amazônia" conta com mais de 200 fotografias de Sebastião Salgado, e é uma verdadeira experiência sensorial. Ao longo do percurso, é possível assistir a sete filmes com depoimentos de lideranças indígenas, gravados em suas próprias línguas. Os relatos abordam modos de vida e os desafios da preservação, reafirmando o papel dos povos na narrativa da exposição.
O local conta ainda com dois espaços de projeção que ampliam a experiência: um apresenta paisagens amazônicas e o outro possui retratos dos povos indígenas. Os dois espaços contam com trilha sonora.
O espaço "Amazônia Touch" possibilita ainda uma experiência tátil aos visitantes. Apesar da ausência do olhar, o livro exclusivamente fotográfico possibilita o acesso a fotografias da floresta amazônica e de comunidades indígenas feitas por Sebastião. O espaço é dedicado a cegos e deficientes visuais, ampliando a acessibilidade.