Aos 54 anos, Adalton Januário Gomes carrega uma história de superação, talento e amor pelo artesanato. Com menos de 1% da visão, descobriu nas artes um caminho para se expressar e transformar o que seria apenas terapia em trabalho reconhecido internacionalmente.
Natural de Iúna, na região do Caparaó capixaba, e morador de Iriri, em Anchieta, ele começou a criar suas peças em 2005, quando vivia em Minas Gerais e frequentava uma instituição para pessoas cegas.
Manter um trabalho assim por tantos anos não é fácil, mas é algo que me faz bem e que ajuda o meio ambiente
Tudo começou com canudos feitos de jornal, que Adalton moldava em miniaturas de animais. Com o tempo, passou a trabalhar também com revistas, sempre priorizando materiais reciclados e colas mais naturais, sem produtos químicos agressivos.
“Entre as criações, já fiz bois, elefantes, burros, carros de boi, porta-joias e até uma girafa de dois metros de altura. Costumo produzir várias peças ao mesmo tempo, que podem levar de dois a três dias para ficarem prontas. Cada obra é única e carrega seu próprio traço. Nenhuma é igual a outra”, afirma.
Segundo o capixaba, a inspiração vem de réplicas de brinquedos e da observação tátil de formas e detalhes. Essa técnica, desenvolvida desde que começou a perder a visão aos nove anos, permitiu que ele mantivesse a precisão e a riqueza nas esculturas.
E olha que Adatlon foi longe. Suas peças já chegaram a compradores de diferentes partes do mundo, com a última venda indo para a Itália. Ou seja, não é apenas sobre o artesanato: é sobre resiliência, criatividade e a capacidade de se redescobrir em meio às adversidades.