Abrir uma janela nem sempre é um gesto simples. Às vezes, é um convite para lembrar, imaginar e sentir. É exatamente essa travessia que o público vai experimentar a partir do dia 9 de abril, com a inauguração da exposição “Através da Janela, além da paisagem”, da artista Ângela Gomes, no Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, na Serra.
Com abertura marcada para as 15h30, a mostra dá início também às atividades da Galeria Belchior Paulo e segue em cartaz até o fim de julho, tempo suficiente para quem quiser se perder (e se encontrar) nas 17 obras em acrílica sobre tela que compõem a exposição.
De acordo com a própria artista, a exposição apresenta fragmentos de mundos. Suas telas transitam entre o real e o imaginado, costurando memórias afetivas com cenários que parecem saídos de sonhos.
Igrejinhas brancas, caminhos sinuosos, jardins floridos e céus povoados por figuras inesperadas criam um universo que, embora fantasioso, soa estranhamente familiar, especialmente para quem carrega o Espírito Santo no coração.
A própria Igreja dos Reis Magos surge como uma das inspirações que atravessam a exposição, conectando o espaço expositivo à história e à paisagem capixaba. É como se cada quadro fosse uma fresta aberta para dentro da memória coletiva do Estado.
Segundo a curadora Almerinda Lopes, o conceito da exposição e a criação das obras têm origem em memórias da infância da artista. “A ideia de janela e o caráter contínuo das imagens devem ser entendidos em um sentido expandido, ou seja, para além de um espaço físico determinado. Ainda assim, é possível identificar, em algumas composições, elementos da realidade vivida pela artista”, destaca.
Essa dimensão afetiva também dialoga diretamente com a proposta do espaço, como ressalta Erika Kunkel, presidente do Instituto Modus Vivendi. Para ela, "a exposição reforça o papel do centro cultural como um território de valorização da memória e das experiências sensíveis, ao mesmo tempo em que inaugura o projeto “Democratização da Arte”, que amplia o acesso e aproxima o público da produção artística".
Sobre Ângela Gomes
Com mais de 50 anos de trajetória, Ângela Gomes é um dos nomes mais importantes da arte capixaba. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, a artista começou a pintar ainda na infância e construiu uma linguagem própria, marcada pelo uso vibrante das cores e por composições ricas em detalhes.
Autodidata, encontrou na pintura naïf, estilo conhecido pela espontaneidade e pelo olhar sensível sobre o cotidiano, um território fértil para desenvolver sua poética.
O reconhecimento ultrapassou fronteiras: suas obras já passaram por instituições importantes no Brasil e no exterior, com exposições em países como França, Portugal e Polônia, onde foi premiada no Art Naif Festival.
Agora, de volta ao território que inspira grande parte de sua obra, Ângela convida o público a fazer o mesmo movimento que orienta suas telas: olhar para dentro, atravessar a janela e descobrir que, do outro lado, há muito mais do que paisagem.