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Publicado em 12 de março de 2026 às 14:33
O legado de um dos artistas mais revolucionários da arte brasileira será celebrado em dois dias de programação no Espírito Santo. Nos dias 20 e 21 de março, o Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha, realiza o seminário “Só o experimental me interessa: 46 anos da morte de Hélio Oiticica”, reunindo pesquisadores, críticos de arte, artistas e pessoas que conviveram com o criador dos parangolés.>
Entre os destaques do seminário está a participação da cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que fará uma conversa musical no sábado (21), às 16h30, logo após a inauguração da obra. Em entrevista exclusiva para HZ, a artista contou sobre a relação antiga com o trabalho de Oiticica, que começou ainda na adolescência.>
“A relação começa indiretamente a partir da Tropicália, quando descubro os artistas e o movimento. Depois fui estudando e ficando fascinada com Hélio e as diferentes maneiras que ele encontrou de trabalhar com as cores”, conta a cantora.>
Segundo Adriana, um dos momentos mais marcantes da trajetória de Oiticica foi o surgimento dos parangolés, obras vestíveis criadas a partir do contato do artista com o samba e com a escola de samba Mangueira. “O parangolé nasce desse encontro dele com o samba. Isso acabou tendo uma influência no meu trabalho e eu também tenho uma relação com a Mangueira”, afirma.>
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A relação da cantora com o artista se materializou em diferentes momentos da carreira. Na inauguração do Magic Square #5, no Museu do Açude, por exemplo, Adriana chegou a vestir um parangolé na cabeça, repetindo um gesto feito por Oiticica décadas antes. A obra também inspirou a canção “Parangolé Pamplona” e o visual do álbum “Marítimo”, cuja capa mostra a artista vestindo uma peça criada por ela mesma.>
Para a cantora, participar de um evento dedicado ao artista também é uma forma de manter viva essa troca. >
A presença do Magic Square #3 no Parque Cultural Casa do Governador também reforça a proposta de aproximar o público da arte contemporânea em um espaço aberto. Para Adriana, esse tipo de iniciativa tem um papel importante na formação cultural das cidades.>
“Acho maravilhosa a iniciativa de um parque como esse, que é muito bom para a cidade. Temos um público que viaja o mundo inteiro para ver obras assim. É ter algo único. Estou muito feliz de poder ver o Hélio inserido nesse elenco e nessa seleção de obras”, diz.>
Mesmo com uma longa trajetória de shows no Espírito Santo, Adriana admite que suas passagens pelo estado quase sempre foram rápidas, mas deixaram lembranças marcantes. “Sempre vim ao Espírito Santo para cantar, então nunca consegui aproveitar muito. Mas tenho memórias muito visuais daquela região do porto, de ver os navios e observar as mudanças ao longo do tempo.”>
E, claro, há um clássico da culinária local que ela faz questão de mencionar: “A moqueca capixaba não pode faltar. É obrigatória.”>
A programação marca também a inauguração da instalação “Magic Square #3”, um labirinto de planos coloridos que passa a integrar o acervo permanente do parque. A obra dialoga com uma das fases mais conhecidas de Oiticica, marcada pela experimentação e pela interação do público com a arte.>
Entre os convidados confirmados estão Milton Cunha, Cesar Oiticica Filho, Lisette Lagnado, Paulo Herkenhoff, Fernanda Lopes, Nuno Ramos, Pollyana Quintella, Paulo Ramos e Maurício Barros de Castro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link na bio do Instagram @parqueculturalcasadogovernador.>
Ao longo dos dois dias, o seminário promove mesas de debate, oficinas, visitas mediadas e encontros com artistas e pesquisadores, discutindo diferentes aspectos da obra de Oiticica. No sábado (21), a programação começa com mesas de debate que abordam o trabalho do Projeto Hélio Oiticica, responsável pela preservação do acervo do artista, além de reflexões sobre revolução cultural, processos criativos e o conceito de Crelazer, criado por Oiticica como contraponto às lógicas produtivistas.>
A tarde inclui a inauguração do Magic Square #3, seguida pela conversa musical com Adriana Calcanhotto. No domingo (22), o público poderá participar de uma visita mediada especial sobre o artista, além de duas oficinas simultâneas: uma voltada para crianças de 3 a 10 anos, chamada “Labirinto de lençóis: arquitetando imaginários infantis a partir de Hélio Oiticica”, e outra aberta ao público, intitulada “Ativação: a cura vem através do caminhar”.>
O encerramento do seminário acontece com um cortejo da escola de samba Mocidade Unida da Glória (MUG). Durante todo o evento também estará aberta ao público a Arena H.O, um espaço dedicado ao compartilhamento de pesquisas e materiais sobre o artista. O ambiente reúne textos, fotografias, relatos e anotações que ajudam a compreender o processo de estudo desenvolvido pela equipe da Escola Viva de Artes.>
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