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Expansão na saúde

Grupo Meridional compra maternidade do ES e prevê novas aquisições

Maior rede de hospitais do Estado vai investir R$ 60 milhões em obras e equipamentos em 2020, e segue o movimento de fusões e aquisições que tem sido forte em todo o país no segmento  da Saúde

Publicado em 25 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

25 jan 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Rede Meridional conta com sete hospitais no Espírito Santo Crédito: Grupo Meridional/Divulgação
A rede Meridional - hoje o quinto maior grupo hospitalar privado do país e líder no Espírito Santo - adquiriu a Maternidade Santa Úrsula, localizada em Vitória. A compra foi concluída no final de 2019 e faz parte dos planos de crescimento da rede, segundo contou à coluna o presidente Antonio Alves Benjamim Neto.
Desde junho de 2018, quando o fundo americano H.I.G Capital se tornou sócio do Hospital Meridional, a rede capixaba tem feito um forte e acelerado movimento de expansão, como quando comprou em novembro de 2018 o Hospital Metropolitano, na Serra. Nos bastidores, a operação teria envolvido cifras superiores a R$ 40 milhões, mas oficialmente o valor da transação não foi divulgado. Os números relacionados à aquisição da Santa Úrsula também são mantidos sob sete chaves.
Agora, com a incorporação da maternidade, a companhia conta com sete hospitais no Espírito Santo: Meridional Cariacica, Meridional Serra, Meridional São Mateus, Meridional Praia da Costa, São Francisco, São Luiz e Santa Úrsula.
Juntos, eles somam 700 leitos, sendo 170 de UTI, e passam a atender por ano mais de 345 mil pessoas nas emergências e a realizar 29 mil cirurgias e 41 mil internações. Ao todo, 4 mil empregados diretos fazem parte da equipe da rede, e há ainda outros 8 mil indiretos.
Além das sete unidades no Estado, o grupo adquiriu em novembro do ano passado o Hospital São Mateus, em Cuiabá, no Mato Grosso. De acordo com Benjamin, novas fusões e aquisições estão previstas para este ano e a estratégia do grupo é de chegar à marca ousada de 20 a 30 hospitais nos próximos cinco anos.
"O que estamos fazendo, de formar uma rede de hospitais, é uma tendência no Brasil. Isso já aconteceu em várias outras áreas, inclusive na saúde - com a formação de redes de radiologia e laboratórios, por exemplo. Os hospitais ficaram por último por serem um negócio mais complexo. Mas a nossa hora chegou"
Antonio Alves Benjamim Neto - Presidente do Grupo Meridional
Antonio Alves Benjamim Neto é presidente do Grupo Meridional Crédito: Grupo Meridional/Divulgação
Para ele, esse movimento é capaz de melhorar a qualidade e a eficiência do serviço prestado com menor custo possível, além de introduzir conceitos e diretrizes de governança, algo mais difícil de acontecer entre pequenos negócios. “Há um ganho de escala e também amplia a capacidade de investimentos em novas tecnologias. E isso é bom para todos. Ganham o paciente, o médico, o plano de saúde e os investidores”, avaliou.

INVESTIMENTOS

O CEO do grupo Meridional adiantou que em 2020 serão investidos nos hospitais da rede cerca de R$ 60 milhões em obras de expansão e na compra de equipamentos. Esse valor não inclui as fusões e aquisições que estão no radar da empresa.
A Santa Úrsula é uma das unidades que vai receber recursos e passar por transformações, inclusive no nome. Ela será ampliada e batizada de Meridional Vitória. A ideia é construir um hospital geral no terreno em frente à maternidade. Assim, a empresa vai sair de uma oferta de 70 para 200 leitos. O projeto será feito em duas etapas. A primeira está prevista para ser concluída em 2021 e a segunda em 2022.
“Será um hospital mais amplo, mas a maternidade continua como foco. O prédio atual permanece com a maternidade, que passará por melhorias e terá um serviço mais premium, e a nova estrutura será o hospital geral”, detalhou o CEO.
Maternidade Santa Úrsula, em Vitória, foi adquirida pelo grupo Meridional Crédito: Grupo Meridional/Divulgação

APETITE DOS FUNDOS

onda de fusões e aquisições não é privilégio do Espírito Santo. Este é um movimento que está forte em todo o país. O sócio da Valor Investimentos Paulo Henrique Correa explicou que investidores estão com grande apetite pelo segmento da saúde e da educação.
No caso da saúde, ele lembra que o interesse de fundos foi intensificado a partir de 2015, quando o governo federal mudou a legislação e permitiu a participação de investidores estrangeiros no setor de saúde brasileiro. “Soma-se a isso o envelhecimento da população, a grande demanda por saúde e a oferta restrita. O mercado ainda não está superconsolidado, então, há espaço para boas oportunidades”, destacou Correa.
O empresário do ramo, Maely Coelho - CEO do MedSênior -, pontuou que além das aquisições o que veremos a partir de agora é um processo de maturação, em que vão começar a aparecer a mudança de cultura de algumas empresas e também movimentações negociais.
Um exemplo é que a Unimed Vitória deixou recentemente de atender no pronto-socorro e na maternidade do Vitória Apart Hospital (VAH). Para o mercado, esse já é um reflexo de uma disputa entre empresas do setor. Vale lembrar que o gigante Pátria Investimentos adquiriu em 2018 o VAH e tem no seu portfólio planos de saúde concorrentes à Unimed, como o Samp e o São Bernardo Saúde.

NO RADAR

Fontes do setor afirmam que está na mira do grupo Meridional o Hospital Vila Velha. O que estaria travando ou pelo menos prolongando a decisão de compra seria o grande passivo que o hospital da cidade canela-verde teria. Questionado se o ativo está mesmo no radar, o CEO Antonio Alves Benjamim Neto afirmou: “Temos interesse, a princípio, em todos os ativos hospitalares privados”.

CIDADE-SAÚDE

No bastidor, outra informação que diz respeito aos planos de expansão da rede Meridional é que a empresa tem interesse de construir um hospital em Guarapari, que atenderia a região Sul capixaba.

VILA VELHA HOSPITAL NEGA PASSIVO

Após a publicação da nota acima "No radar", no dia 25 de janeiro, o Vila Velha Hospital entrou em contato e negou que esteja em negociação com a Rede Meridional, bem como disse não ter um grande passivo, conforme fontes relataram à coluna. Por meio de nota,  enviada no dia 30 de janeiro, o diretor-presidente da instituição, Rommel Couto Grossi, se pronunciou:
“O Vila Velha Hospital vem esclarecer à sociedade e ao seu grupo de acionistas que a notícia veiculada não espelha a verdade em relação a um suposto “grande passivo” do hospital canela-verde, bem como sua suposta venda ao grupo foco da reportagem. Atualmente, o VVH é a maior instituição hospitalar do Espírito Santo, comportando 309 leitos operacionais e com previsão de fechar o primeiro semestre de 2020 com 500 leitos, sendo 90 destes, leitos de Unidade de Terapia Intensiva, 20 de UTI Neonatal e Pediátrica, 17 salas de cirurgia e centro de diagnóstico. A ampliação do Vila Velha Hospital faz parte de um plano diretor elaborado desde sua concepção e executada a partir de 2017, com previsão de término até meados de 2020. Em momento algum houve captação de recursos externos de grandes grupos econômicos ou sócios para que a expansão fosse implementada, o que faz do VVH o único grande complexo hospitalar genuinamente capixaba, cujo interesse é servir aos seus pacientes com dedicação e responsabilidade. Por fim, ratificamos o nosso compromisso com a sociedade capixaba e o nosso grupo societário, nos colocando sempre à disposição para esclarecimentos que se fizerem necessários das ações de nossa instituição perante o mercado capixaba.”

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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