Portugal e Uruguai faziam o último jogo da segunda-feira (28), válido pela segunda rodada do Grupo H, na Copa do Mundo do Catar. Na partida, nem só os dois gols de Bruno Fernandes na vitória da seleção portuguesa por 2 a 0 chamaram a atenção.
No início do segundo tempo, um torcedor driblou a segurança e entrou no gramado com uma bandeira LGBTQIA+ e com uma camisa com as inscrições “Salvem a Ucrânia” e “respeito às mulheres iranianas”. Após correr por parte do gramado, foi dominado pela segurança e retirado do campo. Nesta terça (29), ele foi liberado, mas acabou banido da Copa do Mundo.
As manifestações carregavam fortes significados. A bandeira com as cores do arco-íris representavam a liberdade de expressão em um país que considera relações entre pessoas do mesmo sexo como crime, e com duras punições, como prisão, deportação e até castigo físico.
Já a inscrição cobrando ajuda ao território ucraniano pede paz em meio à guerra com a Rússia, em que mais de 240 mil pessoas já perderam a vida por desavenças políticas e econômicas entre os dois países. Além disso, também foi pedido respeito às mulheres iranianas, que sofrem com o governo de leis machistas e passam por conflitos após uma mulher ter sido assassinada pela “polícia da moralidade”, depois de ser flagrada com mechas do cabelo para fora da vestimenta feminina tradicional do Irã.
Pouco tempo depois do fato, o invasor foi reconhecido. O italiano Mario Ferri, de 35 anos, é um influencer, ativista e apostador do mundo dos esportes. Em 2010, na Copa do Mundo realizada na África do Sul, ele entrou no gramado no duelo entre Espanha e Alemanha, válido pela semifinal daquele Mundial.
Já em 2014, veio até o Brasil e protagonizou uma cena parecida. Na partida entre Bélgica e Estados Unidos, na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), entrou com uma camisa pedindo apoio às crianças das favelas e com a hashtag “Ciro Vive”, em referência a um torcedor italiano morto em uma confusão antes da decisão da Copa da Itália daquele ano.
O rosto de Ferri correu o mundo e suas atitudes dividiram opiniões. Nas redes sociais, alguns defendem a causa do torcedor e as ‘causas nobres’ que ele evidencia. Já outros espectadores afirmam que existem outras maneiras de se manifestar, sem atrapalhar a partida de futebol.
Segundo as autoridades italianas, Mario Ferri está constantemente envolvido em confusões. Em 2014, por exemplo, ele estava proibido de frequentar estádios na Inglaterra e na Itália justamente por invasões e desordem nas partidas que ia, além de possuir uma extensa ficha policial com crimes como desacato, perturbação da ordem, dano ao patrimônio privado e público, entre outros.
Banido da Copa
Mario Ferri foi liberado nesta manhã (29), mas teve seu Hayya Card — documento que permite a entrada e permanência de estrangeiro no país durante o torneio — revogado pelo Comitê Supremo para Entregas e Legado da Copa do Mundo e não poderá mais comparecer a nenhum jogo do Mundial.
"Após a invasão de campo que aconteceu ontem no jogo Portugal x Uruguai, confirmamos que o indivíduo envolvido foi liberado logo após ser retirado do campo. Sua embaixada foi informada. Como consequência de suas ações, e sendo a prática padrão, seu Hayya Card foi cancelado e ele foi banido de participar de futuras partidas neste torneio", afirmou a organização, em notas enviadas aos jornais 'The Guardian' e 'The Athletic'.
Após ser liberado, Ferri se pronunciou nas redes sociais. "Quebrar as regras por uma boa causa nunca é crime. O mundo deve mudar. Podemos fazer isso juntos com fortes gestos que vêm do coração. Com coragem. Queremos um mundo livre que respeite todas as raças e ideias [...] Obrigado por todas as mensagens de amor vindas do mundo", escreveu, em seu Instagram.
Com informações da Agência Folhapress