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Sacramentado

Por R$ 400 milhões, Ronaldo Fenômeno compra o Cruzeiro

Revelado pelo clube mineiro, o ex-jogador e empresário confirmou a aquisição de 90% das ações da SAF cruzeirense

Publicado em 18 de Dezembro de 2021 às 15:36

Agência FolhaPress

Publicado em 

18 dez 2021 às 15:36
Cruzeiro
Ronaldo será acionista e dono de 90% das ações da SAF do Cruzeiro, clube que o rveelou Crédito: @sergio.santosrodrigues/Instagram
O Cruzeiro será comprado por Ronaldo Nazário. O negócio, no valor de R$ 400 milhões, foi anunciado na tarde deste sábado (18) pelo ex-jogador durante uma transmissão online em uma rede social. O ex-atleta estava junto do presidente do time mineiro, Sérgio Santos Rodrigues, que confirmou a negociação.
"Quero dizer que tenho muito a retribuir", afirmou Ronaldo. Bem antes de virar o Fenômeno, ele iniciou a carreira como jogador na equipe de Minas Gerais, pela qual como profissional de 1993 a 1994, antes de se transferir para o PSV, da Holanda —foram 58 jogos e 56 gols pelo clube mineiro.
"O clube revelou o Ronaldo para o mundo, agora o Ronaldo está abrindo as portas do mundo para esse clube de novo", disse Sérgio Rodrigues. Atualmente, o ex-atacante também é dono de um clube na Espanha, o Valladolid, da Segunda Divisão. Em 2018, o brasileiro comprou 51% das ações do time.
Por meio da empresa Tara Sports, Ronaldo será o acionista majoritário, com 90% das ações da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), modelo de clube-empresa criado a partir de um projeto de lei de autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em agosto.

MODELO DE NEGÓCIO

Esse é o primeiro grande negócio fechado nesse novo modelo, que incentiva a adoção do formato empresarial pelos clubes brasileiros. Os detalhes do negócio, bem como o papel que será exercido por Ronaldo no dia a dia, ainda não estão claros.
"A transação vislumbra o reequilíbrio financeiro e operacional do departamento de futebol do clube, com um plano de crescimento sustentável de médio e longo prazo. A conclusão da transação está sujeita à finalização de uma série de condições precedentes", declarou o Cruzeiro em nota.
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O Cruzeiro jogará a segunda divisão em 2022 pelo terceiro ano consecutivo Crédito: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
A SAF cruzeirense foi constituída pelo clube há duas semanas. Na sexta-feira (17), durante uma assembleia, foi aprovado uma mudança no estatuto da agremiação para permitir que até 90% das ações da SAF possam ficar nas mãos de investidores. Antes, até 49% poderiam ser vendidas.
Ao todo, 564 pessoas estiverem presentes na votação, entre conselheiro e associados, dentre cerca de 3.000 aptos a votar. Foram 544 votos a favor da mudança, 18 contra, um branco e um nulo. "Ontem, a gente precisava de uma aprovação para que isso acontecesse, e hoje estamos aqui assinando a nossa intenção de o Ronaldo ser agora o nosso acionista, já conhecido como 'presidente', agora como nosso acionista majoritário da Cruzeiro SAF.
Obrigado, Ronaldo, bem-vindo de volta", disse Rodrigues. O negócio começou a ser costurado em meados de janeiro, quando o dirigente esteve em São Paulo para uma reunião com o ex-atleta. Na ocasião, ele afirmou que "coisas boas virão por aí".
Pedro Mesquita, head da XP Investimentos, que participou da operação, disse que o negócio foi formatado nos últimos meses. "É uma negociação que não começou agora. Estamos conversando há bastante tempo. Como todo negócio bom, a gente manteve isso a sete chaves."
De acordo com Mesquita, ainda há uma série de trâmites até o acerto ser concretizado. "Tem uma dívida grande no Cruzeiro, tem toda a tramitação, renegociação para fazer, mas é o início dessa nova trajetória."

DÍVIDA

O modelo de clube-empresa é visto pela diretoria como uma forma de recuperar o time, que vive uma das maiores crises de sua história. Com uma dívida de cerca de R$ 660 milhões, vai disputar em 2022 a Série B do Campeonato Brasileiro pelo terceiro ano consecutivo, o que impacta nas arrecadações. O clube não divulgou nenhum relatório ou extrato de suas finanças em 2021.
O documento mais recente é de 2020 e mostra o quanto a receita caiu por disputar a Série B. Em 2019, foram gerados R$ 303 milhões. No primeiro ano após a queda, o valor foi de R$ 120 milhões, segundo estudo do Itaú BBA.

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