Motoristas que trafegam pelo Espírito Santo relatam enfrentar aumento no tempo dos deslocamentos após a interdição de um viaduto na BR 259, na altura do distrito de Acioli, em João Neiva, no Norte do Estado. Com o bloqueio, condutores precisam utilizar rotas alternativas indicadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que, dependendo do trajeto, podem acrescentar até 74 quilômetros à viagem.
Um dos afetados é o motorista Carlos Eduardo Assis, entrevistado pelo repórter Vitor Recla, da TV Gazeta, enquanto transportava uma carga de granito de Colatina para Vila Velha. Ele contou que o percurso, normalmente feito em cerca de três horas, deve levar aproximadamente cinco horas com o desvio.
"Daqui para lá pega muito trânsito, tem que passar pelo Centro de Linhares, aquele transtorno todo. Às vezes, a população não entende o motivo de estarmos passando lá, mas não tem jeito, é a única alternativa", relata Carlos.
O bloqueio também afeta viagens para fora do Espírito Santo. O motorista Marcos José Viana transportava uma carga de tratores com destino ao Tocantins e seguiria por Governador Valadares, em Minas Gerais, mas precisou alterar o trajeto ao saber da interdição. À TV Gazeta, ele contou que desconhecia o bloqueio e que a nova rota acrescentaria quase 100 quilômetros à viagem.
O Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas) confirmou que o setor enfrenta aumento significativo nas distâncias percorridas e tempo de viagem, principalmente no transporte de blocos de rochas. Para cargas que saem de pedreiras da região de Colatina, o acréscimo chega a aproximadamente duas horas.
Segundo o sindicato, ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro toral para o setor. A entidade informou, porém, que já há pedidos de reajuste nos valores dos fretes trajetos com até cerca de 130 quilômetros adicionais, o que evidencia os impactos da interdição sobre os custos de transporte.
Procurada pela reportagem, a Viação Águia Branca informou que parte das operações foi afetada pela interdição. Linhas que normalmente passam pela região interditada agora trafegam pela BR 101 e a ES 248. O desvio acrescenta cerca de 74 quilômetros e aproximadamente uma hora e meia ao tempo de viagem.
Além disso, seis localidades deixaram temporariamente de ser atendidas pela empresa. A Águia Branca informou que os passageiros afetados podem cancelar ou remarcar as passagens sem cobrança de taxa, dentro do prazo estabelecido pela companhia.
O DNIT confirmou que um desvio local começou a ser construído ao lado do viaduto interditado nesta quinta-feira (20). A obra tem prazo de 10 dias para ser concluída e permitirá que veículos transitem entre os quilômetros 0 e 106 da BR 259.
Porém, até que a estrutura seja finalizada, motoristas devem continuar usando as rotas alternativas apontadas pelo DNIT. O órgão também ressalta que a construção do desvio não representará o fim da interdição do viaduto, que só será liberado após a conclusão dos reparos necessários.