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Vitor Vogas

Ricardo Ferraço promete criar nova secretaria. Saiba qual

Governador tem assumido novos compromissos de campanha e apresentado ideias não incluídas originalmente em seu plano de governo. Também analisamos algumas mudanças no discurso dele no segundo turno

Publicado em 16 de Outubro de 2026 às 17:33

Públicado em 

16 out 2026 às 17:33
Vitor Vogas

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Ricardo Ferraço, em campanha, tira uma selfie com jovens apoiadores
Ricardo Ferraço, em campanha, tira uma selfie com jovens apoiadores Reprodução Facebook

A dez dias do segundo turno, o governador Ricardo Ferraço (MDB) anunciou que pretende criar uma secretaria estadual caso seja reeleito: a Secretaria de Estado da Juventude. O anúncio foi feito por Ricardo diante de apoiadores na quinta-feira (15), em seu comitê de campanha.


O governador está em plena campanha pela reeleição, após ter chegado atrás do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) no primeiro turno. No dia 4 de outubro, Pazolini registrou 49,65% dos votos válidos, contra 34,06% de Ricardo.


Na primeira pesquisa Quaest para a Rede Gazeta no segundo turno, divulgada na última quarta-feira (14), Pazolini registrou 47% das intenções estimuladas de voto; Ricardo, 38%.


A ideia de criação de uma Secretaria da Juventude não consta no plano de governo de Ricardo apresentado ao TSE. Foi introduzida pela campanha agora, no segundo turno. O plano do atual governador contém várias propostas e programas voltados para o público juvenil, mas não a criação de uma secretaria específica.


O programa de governo fala em “desenvolver políticas específicas para juventudes”. Tem inclusive um eixo intitulado “Juventudes: inclusão e projeto de vida”. Promete ampliar a rede de Centros de Referência da Juventude (CRJs) para outros territórios vulneráveis – hoje há 14, espalhados por 10 municípios – e transformá-los em “política permanente de Estado”. Também propõe a implementação do Programa Meu Projeto de Vida. Mas não menciona a implantação de uma Secretaria da Juventude, ideia agora lançada por Ricardo.


No segundo turno, o emedebista de fato tem assumido compromissos que não constavam em sua plataforma no primeiro turno (ao menos não com a mesma ênfase).


Podemos citar, por exemplo, os acenos fortes ao magistério, prometendo ampliar o tempo de planejamento para os professores da rede estadual de ensino e, principalmente, sua remuneração: prometeu que, se reeleito, colocará o salário médio dos educadores da rede estadual entre os três maiores do país. “É meu compromisso.”


O governador também acaba de anunciar a renovação do contrato de 4 mil professores em designação temporária (os DTs).


A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) tem, atualmente, quase 20 mil educadores na ativa, entre servidores efetivos e DTs. Estes são a grande maioria, correspondendo a quase 70% da categoria. 


Ricardo também já anunciou uma proposta de cashback de combustível a taxistas, entregadores e motoristas de aplicativo. A ideia é que o Governo do Estado devolva a essas categorias o ICMS recolhido no abastecimento dos veículos usados em serviço.

Entrei em contato com a assessoria de imprensa do candidato em busca de mais detalhes sobre a Secretaria da Juventude: custos, finalidade, atribuições, programas sob seu guarda-chuva. Até o momento desta publicação, não houve resposta. 

Desnacionalização

Algumas mudanças importantes na estratégia e no discurso têm sido observadas na campanha de Ricardo do primeiro para o segundo turno. A primeira é uma tentativa ainda mais forte de “desnacionalizar” a eleição para governador. Ricardo tem repetido que, no primeiro turno, muita gente votou para governador querendo resolver os problemas do STF e não os do Estado. “Quem vai resolver o STF é o Senado.”

O protagonismo da primeira-dama

Outro ponto a destacar é a participação na campanha, com bem maior destaque, da primeira-dama, Vivian Coser. Emblematicamente, no primeiro programa de rádio e TV de Ricardo, na reestreia do horário eleitoral, a maior parte do tempo foi ocupada pela esposa do governador. Ele entrou em cena sozinho e falou um texto por cerca de dois minutos. Os outros três foram dedicados a um depoimento de Dona Vivian sobre o marido, destacando suas qualidades. 

Na última terça-feira (13), após a entrevista realizada com Ricardo por A Gazeta e CBN Vitória – no lugar do debate programado, mas não concretizado devido à ausência de Pazolini –, perguntei ao governador sobre “certo protagonismo” conferido à primeira-dama. Ele me corrigiu: “‘Certo protagonismo’, não. Ela tem protagonismo”.


Do ponto de vista estratégico, é uma maneira de Ricardo levar o debate para a pauta da família, dos valores familiares e do respeito (ou desrespeito) às mulheres, ponto que ele também tem buscado explorar, no segundo turno, como parte da estratégia de desconstrução do oponente. 

Mudança: “mudou”, “vai mudar mais”

Outra mudança, com o perdão da redundância, é a tentativa de se apropriar do discurso da mudança, naturalmente usado por Pazolini e típico de candidatos de oposição. No caso de Pazolini, logicamente, a mudança é unívoca. Só se projeta para o futuro, pois só pode se projetar para o futuro: “vamos mudar” (com a mudança de governo).


Já o novo discurso de Ricardo, por ser ele o atual incumbente, trabalha o conceito de mudança duplamente, apontando ao mesmo tempo para duas direções: passado e futuro, para trás e para a frente. Ricardo diz “já mudou” (durante o atual governo, citando as áreas e os dados) e ajunta “vai mudar ainda mais” (com a minha permanência no governo).

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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