Mesmo sem a presença efetiva de Jair Bolsonaro (PL) no cenário pré-eleitoral, nomes ligados ao ex-presidente ou simpatizantes de suas ideias têm alta adesão junto ao eleitorado do Espírito Santo. É o que indica pesquisa Quaest encomendada por A Gazeta, que testou quatro cenários para o primeiro turno com possíveis nomes na disputa pelo governo do Estado.
O levamento indica que o senador Magno Malta (PL) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) figuram como os nomes com maior potencial de voto entre o eleitorado que se considera de direita no Estado. Isso inclui eleitores bolsonaristas e aqueles que se dizem de direita, porém sem adesão à figura do ex-presidente.
Por outro lado, no mesmo recorte, o ex-governador Paulo Hartung (PSD), que ainda não manifestou oficialmente se tentará cargo eletivo neste ano, domina as intenções de voto entre eleitores de esquerda ouvidos no levantamento. O resultado acontece mesmo com um nome diretamente ligado à esquerda também tendo sido testado na pesquisa: Helder Salomão (PT).
No recorte de potencial de voto, conhecimento e rejeição, o senador Magno Malta lidera entre bolsonaristas: 55% o apontam como opção. No mesmo grupo, 25% rejeitam seu nome e 20% dizem não conhecê-lo.
Entre eleitores de direita não bolsonarista, Magno mantém os mesmos 55% de adesão, com 31% de rejeição e 14% de desconhecimento.
Já no campo da esquerda lulista, o cenário se inverte: 52% rejeitam o senador, 20% admitem voto e 28% não o conhecem. A maior rejeição a Magno aparece entre eleitores de esquerda não lulistas, com 83%, contra apenas 5% de adesão.
Entre independentes, sem alinhamento ideológico, Malta registra 25% de potencial de voto, 54% de rejeição e 21% de desconhecimento.
Outro nome competitivo no campo da direita é o do ex-prefeito Lorenzo Pazolini, que deixou o cargo em março e é cotado para disputar o Palácio Anchieta, embora ainda não tenha oficializado candidatura.
Entre a direita não bolsonarista, 42% o veem como opção de voto, enquanto outros 42% dizem não conhecê-lo e 16% o rejeitam. No eleitorado bolsonarista, 39% admitem voto em Pazolini, 21% rejeitam e 40% não o conhecem.
Entre lulistas, o ex-prefeito aparece com 22% de adesão, 33% de rejeição e 45% de desconhecimento. Já entre eleitores de esquerda não lulistas, tem 28% de potencial de voto, 38% de rejeição e 34% de desconhecimento.
Com perfil mais ao centro, Hartung é o nome com maior tração na esquerda. Entre não lulistas desse campo, soma 52% de adesão, com 34% de rejeição e 14% de desconhecimento.
Entre lulistas, Hartung tem 46% de potencial de voto, 36% de rejeição e 18% de desconhecimento. Na direita não bolsonarista, aparece com 38% de adesão, 43% de rejeição e 19% de desconhecimento.
Entre bolsonaristas, o ex-governador divide opiniões: 35% admitem voto, 35% rejeitam e 30% não o conhecem. Já entre independentes, registra 48% de adesão, 33% de rejeição e 19% de desconhecimento.
Nome ligado à continuidade da gestão de Renato Casagrande (PSB), o governador Ricardo Ferraço (MDB) tem melhor desempenho entre eleitores de direita não bolsonaristas: 41% o apontam como opção, 29% rejeitam e 30% não o conhecem.
Entre eleitores de esquerda não lulistas, Ferraço registra 40% de adesão, 31% de rejeição e 29% de desconhecimento. Já entre lulistas, soma 34% de potencial de voto, com 36% de rejeição e 30% de desconhecimento.
Por fim, o deputado federal Helder Salomão, pré-candidato do PT ao governo, aparece com 23% de adesão entre lulistas, 19% de rejeição e 58% de desconhecimento.
Entre não lulistas, Salomão tem 33% de potencial de voto, 25% de rejeição e 42% de desconhecimento. Já entre independentes, soma 12% de adesão, 32% de rejeição e 56% de desconhecimento.
No caso dos que se identificam com a direita não bolsonarista, o petista é admitido como opção de voto por 6% dos entrevistados, rejeitado por 40% e desconhecido por 54%. Enquanto isso, 2% dos eleitorado bolsonarista ouvindo no levantamento admite que votaria em Helder na disputa pelo governo, 46% do mesmo grupo o rejeitam e 52% dizem não o conhecer.
Este é o primeiro levantamento do instituto encomendado por A Gazeta em 2026 com nomes cotados para a disputa pelo Palácio Anchieta. A pesquisa ouviu 804 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 25 e 28 de abril.
Alguns dos nomes citados na pesquisa já anunciaram oficialmente pré-candidatura ao governo do Espírito Santo. Outros ainda são apontados nos bastidores como possíveis candidatos, mas não confirmaram a intenção de disputar o cargo.
A oficialização das candidaturas deve ocorrer durante as convenções partidárias, previstas para agosto, seguidas do registro na Justiça Eleitoral.O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. O segundo turno, se necessário, será realizado em 25 de outubro.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada por A Gazeta, foi realizada entre os dias 25 e 28 de abril, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-03176/2026.