Avaliação de propostas? Identificação partidária? Carisma do candidato? Antes de apertar a tecla “Confirma” e ouvir o som mais famoso das eleições, escolher os candidatos é uma parte essencial do processo democrático. Mas como fazer essa escolha? Para entender essa questão, A Gazeta foi às ruas para escutar o eleitorado do Espírito Santo.
Conheça os candidatos do Espírito Santo que estão na disputa eleitoral
Nas ruas, os critérios para optar por um candidato são variados. Para a estudante Carla Dias, é necessário avaliar e comparar as propostas dos concorrentes no pleito. Segundo ela, as pautas mais decisivas na escolha do voto são educação e segurança pública.
A jovem acrescenta que analisa o histórico do candidato e possíveis envolvimentos em casos de corrupção. “A gente precisa de um candidato que nos represente. Se coloco um com a ficha suja no poder, ele estará me representando de alguma forma”, destaca.
Além da vida pública, a vida pessoal do candidato, como a religião e o histórico familiar, é citada como um dos critérios para essa seleção. Segundo a enfermeira Carina dos Santos, família e religião são pilares que influenciam a decisão final.
“O histórico familiar dele e também a questão em relação às famílias da sociedade, no geral, hoje, contam muito para eu poder dar o meu voto aos candidatos”, pontua.
Mas também há quem vote pelo partido ou pela federação. A identificação partidária pode orientar a escolha, principalmente nas eleições proporcionais, para deputados estadual e federal. O estudante Pedro Pagotto afirma que essa questão guia suas escolhas. Primeiro, ele analisa as opções dentro do partido com o qual possui afinidade e, depois, escolhe os candidatos que defendem pautas que o agradam.
E quem vem de fora do Estado e não conhece os candidatos? O auxiliar administrativo Michel Boldrin disse que, apesar de ser capixaba, morou por muito tempo fora do Espírito Santo e, por isso, considera não ter conhecimento suficiente sobre a política local. Ele ressalta que buscará a orientação de pessoas de sua confiança para conhecer os nomes em quem poderá votar.
“Eu teria que entrar em contato com pessoas mais informadas para me dizer, para me orientar, em quem votar”, reforça.
O posicionamento dos candidatos diante de algumas pautas também entra na decisão. A trancista Ester Machado comenta que, antes de definir em quem vai votar, observa quais são as pautas sociais defendidas pelos candidatos. Segundo ela, a forma como o político enxerga as minorias, a educação e a economia vai determinar sua decisão final.
Compare as propostas entre candidatos ao governo do ES e à Presidência
Em muitos casos, alguns eleitores não conseguem estar completamente atualizados sobre todos os candidatos e suas propostas. Esse é o caso do tatuador Yago Paraíso. Ele admite que é difícil estar a par de todas as notícias. Por isso, costuma avaliar o viés político e o perfil do nome selecionado.
Para o tatuador, analisar a conduta dos candidatos diante de determinadas pautas é um critério relevante, como o posicionamento em relação às privatizações, aos grupos minoritários e à criminalidade. “Eu sempre procuro me embasar em qual é o viés dessa pessoa, em quais áreas ela vai querer atuar”, declara.
Nas eleições, saber onde buscar informações confiáveis sobre os candidatos é importante para evitar notícias falsas. Segundo a integrante da Comissão de Mesários do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) Rosiane Marrochi, informar-se apenas pelas redes sociais para escolher um candidato pode ser arriscado, pois o conteúdo publicado não passa por uma pré-verificação e pode conter informações falsas ou manipuladas.
“A resolução do TSE nº 23.610/2019, que dispõe sobre a propaganda eleitoral, regulamenta a propaganda e delimita as regras para veiculação de propaganda, inclusive na internet, mas não há uma checagem prévia quanto à veracidade das informações postadas”, destaca.
O material publicado nas redes sociais é de responsabilidade de cada candidato. Quando há descumprimento de alguma regra prevista na resolução, a Justiça Eleitoral pode ser acionada.
Para ajudar os eleitores com informações sobre os candidatos, A Gazeta reúne dados sobre os concorrentes em sua página especial de eleições. Há também o comparador de propostas, em que é possível analisar os planos de candidatos ao governo do Estado e à Presidência da República.
Já a Justiça Eleitoral disponibiliza o site DivulgaCandContas, com dados das candidaturas e das contas eleitorais. Entre as informações disponíveis estão:
Eleições anteriores;
Relação de bens do candidato;
Propostas de governo, para os cargos do Executivo;
Sites e redes sociais do candidato
Certidões criminais;
Situação do registro de candidatura;
Informações sobre arrecadação e gastos de campanha.
Consultando o processo de registro de candidatura, também é possível acessar informações sobre o andamento do pedido, manifestações do Ministério Público e decisões relacionadas ao registro. O processo é público.
Quanto à prestação de contas das campanhas eleitorais, o sistema mostra as receitas, quem foram os doadores e o valor doado por cada um, além das despesas e de que forma o candidato gastou o dinheiro arrecadado.
Na democracia brasileira, cada voto conta e participa da definição dos representantes eleitos. Nas Eleições 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 158,7 milhões de pessoas estarão aptas a votar no Brasil. No Espírito Santo, o número chega a quase 3 milhões.
Seja para quem possui o voto facultativo – como adolescentes de 16 e 17 anos, cidadãos acima dos 70 anos e pessoas analfabetas – ou para quem tem o voto obrigatório, dos 18 aos 69 anos, votar é um ato democrático. Segundo o cientista político João Victor dos Santos, o processo eleitoral é um dos principais momentos de participação política da população.
“É um momento raro de participação política e tem que ser exercido com a maior qualidade possível”, afirma.
Por isso, antes de montar a colinha com os nomes e números dos candidatos escolhidos e ir à urna, é importante analisar os nomes que disputam a eleição e suas propostas. Segundo João Victor, o voto não consciente pode envolver situações como a venda do voto, o voto nulo e a abstenção, além de formas de influência sobre a escolha do eleitor, como o assédio eleitoral.
“O impacto do voto não consciente deixa a democracia na UTI. Então, quando a gente tem uma alta taxa de abstenção, de voto nulo, entende que a democracia tem falhado com alguns públicos”, afirma.
O cientista político também alerta para a importância do uso de canais públicos para realizar a escolha dos políticos. Ele orienta a realização de pesquisa em plataformas oficiais da Justiça Eleitoral e nos planos de governo apresentados pelos candidatos do Executivo, como presidente e governador.
No caso dos cargos do Legislativo, como deputados e senadores, João Victor destaca que uma forma de avaliação é verificar o partido ou a coligação da qual o candidato faz parte e suas posições políticas. Assim, o eleitor pode conhecer melhor as pautas defendidas pela legenda e compará-las com as propostas e os posicionamentos do candidato.