Imagine ter 16 anos e fazer parte de uma escuderia de Fórmula 1. Só que, antes de chegar à pista, é preciso projetar o carro, construir a equipe, buscar patrocínios, pensar em sustentabilidade e ainda apresentar o projeto em inglês. É esse o desafio enfrentado pelos estudantes da CPX Racing, do SESI Araçás, que vão disputar pela primeira vez o Mundial de STEM Racing, em Singapura.
Antigo F1 in Schools, o STEM Racing leva para as escolas os desafios encontrados no dia a dia de uma escuderia profissional. Os alunos projetam e fabricam mini carros de Fórmula 1 movidos a CO₂, que podem chegar a 70 km/h, mas a competição vai muito além da velocidade. Os estudantes também precisam desenvolver estratégias, administrar a equipe, trabalhar com marketing, buscar investimentos e defender o projeto diante dos avaliadores.
A trajetória da CPX até o Mundial começou de forma turbulenta. Em 2022, praticamente todos os integrantes deixaram o projeto e apenas uma estudante permaneceu na equipe. Com cerca de um mês para reconstruir o grupo antes da primeira competição, a equipe conseguiu terminar o Regional na segunda colocação e garantiu a classificação para a etapa Nacional.
A partir dali, a CPX passou a acumular resultados e premiações em diferentes áreas da competição, como empreendedorismo, apresentação e engenharia. O desempenho abriu caminho para uma classificação inédita ao Mundial, onde os estudantes capixabas vão enfrentar equipes de mais de 30 países.
Na prática, os alunos assumem funções diferentes dentro da escuderia. Enquanto parte da equipe trabalha no desenvolvimento e nos testes do carro, outros integrantes ficam responsáveis pelo empreendimento, marketing, comunicação, gestão e busca por patrocinadores. O projeto também exige que os estudantes apresentem e defendam suas decisões em inglês.
O Espírito Santo terá ainda outra equipe no Mundial. A Hyoku, do SESI Linhares, também garantiu vaga na competição. Na edição de 2025, a equipe conquistou o primeiro lugar na categoria Enterprise Portfolio Award, que reconhece o trabalho de gerenciamento de projeto e empreendedorismo desenvolvido pelos estudantes.
No STEM Racing, portanto, o carro é apenas uma parte do desafio. Antes de colocar o modelo na pista, os estudantes precisam transformar a ideia em um projeto completo, que envolve engenharia, negócios, comunicação e sustentabilidade. Para a CPX Racing, a competição em Singapura será o próximo passo de uma trajetória que começou dentro da sala de aula e agora chega ao cenário internacional.