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Congresso Nacional

Como senadores do ES pretendem votar na PEC do fim da escala 6X1

Proposta aprovada na Câmara dos Deputados prevê jornada de 40 horas semanais

Publicado em 28 de Maio de 2026 às 17:18

Tiago Alencar

Publicado em 

28 mai 2026 às 17:18
Senadores do ES divergem sobre proposta que acaba com escala 6x1 Reprodução

A proposta que prevê o fim da escala 6x1 foi aprovada na quarta-feira na Câmara dos Deputados e agora será analisada pelo Senado Federal. Entre os senadores do Espírito Santo, há posições diferentes sobre o tema.


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pelos deputados em dois turnos. No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 contrários. No primeiro, o placar foi de 472 votos a 22.


O texto aprovado estabelece jornada semanal de 40 horas, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, substituindo o modelo atual de até 44 horas semanais com apenas um dia de folga.


O senador Fabiano Contarato (PT) declarou apoio à proposta. Segundo ele, a medida representa uma questão de “justiça social, saúde pública e dignidade humana”.


“Não é aceitável que milhões de trabalhadores vivam sem tempo para a família, para o descanso e para a própria vida”, afirmou o parlamentar à reportagem. 


Já o senador Magno Malta (PL) afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que vê preocupação na proposta aprovada pela Câmara dos Deputados. Segundo a equipe do parlamentar, a PEC “pode acabar produzindo efeitos contrários aos desejados, prejudicando justamente o trabalhador”.


A assessoria informou ainda que o senador avalia que uma mudança “sem amplo debate e sem transição responsável” pode provocar aumento do desemprego, redução salarial e dificuldades para a manutenção de vagas, principalmente entre pequenos e médios empregadores.


O senador Marcos Do Val (Avante) também foi procurado pela reportagem nesta quinta-feira (28), mas não respondeu até a publicação deste texto.


No último dia 20, em consulta de A Gazeta sobre a opinião da bancada capixaba em Brasília sobre a PEC, antes de sua aprovação, o parlamentar havia informado, por meio da assessoria, que pretendia aguardar o avanço da discussão antes de definir posicionamento sobre a proposta.


“O senador Marcos Do Val prefere aguardar o amadurecimento da discussão sobre o tema na Câmara dos Deputados e, quando a matéria chegar ao Senado, ouvir o ponto de vista do setor produtivo, dos trabalhadores e dos eleitores capixabas sobre a questão”, disse, à época. 

O que muda com a proposta

O texto aprovado pelos deputados prevê uma transição gradual para a redução da jornada de trabalho.


Dois meses após a promulgação da PEC, os trabalhadores da iniciativa privada regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Nesse mesmo prazo, a carga semanal será reduzida de 44 para 42 horas.


A redução para 40 horas semanais deverá ocorrer 14 meses após a promulgação da emenda constitucional. A proposta também determina que a redução da jornada ocorra sem diminuição de salários, incluindo pisos salariais já existentes.

Exceções e regras específicas

O texto prevê exceções para algumas categorias. Entre elas, trabalhadores com diploma de nível superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social e contratos terceirizados vinculados à administração pública.


A PEC também permite regras diferenciadas para categorias com jornadas específicas, como profissionais da saúde, segurança pública, transporte e limpeza urbana. Nesses casos, acordos e convenções coletivas poderão prever compensações para garantir os dois dias de descanso semanal dentro do mês.


Outro ponto incluído na proposta prevê regras de transição para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. A regulamentação deverá ser feita posteriormente por lei complementar.


O texto aprovado pela Câmara é um substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) às PECs apresentadas pelos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP).


*Com informaçoes da Agência Câmara

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