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Casagrande, Zema e Barbalho defendem voto eletrônico após ameaças de Bolsonaro

Governadores de ES, MG e PA se reuniram para aderir a campanha da ONU em prol do meio ambiente e foram questionados pela imprensa sobre ameaças do presidente às eleições

Publicado em 04/08/2021 às 14h57
O goverenador do ES, Renato Casagrande (o segundo da esquerda para a direita), ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho e o de MG, Romeu Zema
O goverenador do ES, Renato Casagrande (o segundo da esquerda para a direita), ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho e o de MG, Romeu Zema,. Crédito: Twitter/@Casagrande_ES

Três governadores – entre eles um aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – criticaram nesta quarta-feira (4) a proposta bolsonarista do voto impresso e reafirmaram sua confiança no sistema de votação eletrônico supervisionado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os chefes dos governos do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), do Pará, Helder Barbalho (MDB), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), participaram na manhã desta quarta de um evento sobre meio ambiente promovido pela Embaixada do Reino Unido, em Brasília.

Após reunião com o presidente da Conferência da ONU sobre o Clima (COP-26), Alok Sharma, os governadores foram questionados por jornalistas sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso que tramita no Congresso e sobre a escalada de declarações golpistas de Bolsonaro.

Nos últimos dias, Bolsonaro tem atacado o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, e denunciado – sem apresentar provas– a existência de uma suposta fraude no sistema eleitoral brasileiro.

Nesta quarta, as críticas mais duras contra o projeto do voto impresso vieram de Zema, governador próximo a Bolsonaro.

"Eu sou totalmente favorável ao voto que já me elegeu, que elegeu diversos governadores, e ex-presidentes. Eu não imprimo minha conta bancária, não imprimo o extrato do meu cartão de crédito e acho que 99% da população não faz isso. O meio digital veio para ficar, existe auditoria digital, então é o mundo moderno. Hoje nós não usamos mais papel carbono. Acho que querer imprimir [o voto] é a mesma coisa que não confiar numa copiadora e querer papel carbono", disse o governador mineiro.

Ele também disse lamentar a crise institucional aberta com os ataques de Bolsonaro a Barroso e ao sistema eleitoral.

"Eu lamento muito porque isso não coloca arroz, carne e feijão no prato do brasileiro e também não coloca vacina no braço. Eu vejo isso semelhante a uma guerra civil. Nós precisamos de união, de diálogo e de resolver o problema desse povo tão sofrido, tanto o mineiro como o brasileiro. É hora de nós trabalharmos em prol de reformas, em prol de um Brasil do futuro, e não ficarmos aí com polêmicas que eu julgo totalmente desnecessárias", afirmou.

Na mesma linha, Casagrande classificou as investidas de Bolsonaro contra o Judiciário como algo "muito ruim para a democracia brasileira".

Renato Casagrande (PSB)

Governador do Espírito Santo

"[É] muito ruim para a democracia brasileira. Os países só prosperam quando têm estabilidade institucional. Infelizmente, desde o primeiro momento do governo Bolsonaro tem tido confronto entre o Poder Executivo e as demais instituições"

"Era com o Congresso, agora é com o TSE, já foi com o STF [Supremo Tribunal Federal]. Esse tipo de comportamento é muito ruim para a democracia brasileira, cria instabilidade interna e externa. Capital estrangeiro foge do Brasil, então assim: nós estamos num ambiente de confronto permanente. É o estilo do presidente Bolsonaro, mas é um estilo que não ajuda o país", disse.

Casagrande também afirmou que "não há necessidade do voto impresso" e que nunca houve um "questionamento objetivo" contra o uso de urnas eletrônicas.

"Não há necessidade do voto impresso. É um assunto que não tem tanta importância quanto está se dando, porque nós já temos eleições que já foram feitas, [e] todas elas não tiveram um questionamento objetivo --não teve nenhum fato concreto com relação ao questionamento. Então é um debate que pode ser feito, mas não tem a prioridade que se está colocando e não tem a mobilização que quer se fazer em torno desse tema."

Por último, o governador do Pará declarou que o Brasil é "referência no seu modelo de voto" e que é preciso fortalecer o TSE.

"Primeiramente o Brasil é uma referência de voto e no seu modelo eleitoral. E nós devemos fortalecer esse modelo e, acima de tudo, fortalecer o Tribunal Superior Eleitoral. Compreendo que o Brasil pode sim cada vez mais aprimorar o uso da tecnologia, mas tenho absoluta confiança na credibilidade do processo eleitoral brasileiro", afirmou.

"Devemos cada vez mais apostar na relação harmônica entre os Poderes; seja o Poder Executivo nacional, sejam os Poderes Executivos locais, junto ao Poder Judiciário, ao Poder Legislativo, ao Ministério Público, e todos buscarem a harmonia. O Brasil deve ter foco nos seus verdadeiros adversários: o combate ao desemprego, à desigualdade social, a busca pela justiça em favor da população e o combate á pandemia para que viremos a página e consigamos construir um futuro melhor", disse Helder.

Bolsonaro defende um modelo de voto impresso – que ele diz ser "auditável" e "democrático".

Atualmente, tramita no Congresso uma PEC nesse sentido, mas uma articulação de diversos partidos, inclusive de aliados do Planalto, criou uma frente para derrubar a proposta.

Na sua defesa do voto impresso, Bolsonaro disparou nos últimos dias uma série de falas golpistas. Ele chegou a ameaçar a realização do pleito no ano que vem, caso não haja mudança no atual sistema eletrônico de votação.

"Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição", disse Bolsonaro no domingo (1º), numa videochamada a manifestantes que estavam em frente ao Congresso Nacional.

O alvo preferencial de Bolsonaro tem sido Barroso, presidente do TSE.

A RESPOSTA DO TSE

Em reação às ameaças de Bolsonaro, a corte eleitoral tomou, na segunda (2), a ação mais contundente desde que Bolsonaro começou a fazer as ameaças de impedir as eleições em 2022.

O tribunal aprovou, por unanimidade, a abertura de um inquérito e o envio de uma notícia-crime ao Supremo para que o chefe do Executivo seja investigado no inquérito das fake news.

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