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Eleições 2020

Alvos de ataque racista, candidatas vão à polícia em Cariacica

Edilamara Rangel, vice na chapa do candidato a prefeito Marcos Bruno, e uma candidata a vereadora foram ofendidas enquanto subiam em carro de som para discursar

Publicado em 09 de Novembro de 2020 às 20:47

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 nov 2020 às 20:47
Edilamara Rangel e Marcos Bruno (Rede), candidato a prefeito de Cariacica
Edilamara Rangel e Marcos Bruno (Rede), candidato a prefeito de Cariacica, se manifestaram pelas redes sociais Crédito: Reprodução/Instagram
Alvos de ataque racista, candidatas vão à polícia em Cariacica
A vice na chapa do candidato a prefeito de Cariacica Marcos Bruno (Rede), Edilamara Rangel, e a candidata a vereadora de Cariacica Kelly Kuster, também filiadas à Rede, registraram boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Cariacica, manhã desta segunda-feira (9), após terem sofrido o crime de injúria racial em uma atividade de campanha para as eleições, na avenida Expedito Garcia, no sábado (7).
Negras, Edilamara e Kelly contam no B.O. que estavam subindo em um minitrio elétrico quando foram chamadas de "crioulas" e questionadas, por um homem que estava sentado nas escadas do carro, sobre o que estariam fazendo ali. As ofensas teriam sido feitas após as candidatas pedirem que ele desse espaço para que subissem.
Logo após os ataques racistas, Edilamara se manifestou no carro de som. "Democracia não é feita assim, não. A gente sabe o que precisa, a gente não vai abaixar a cabeça. A gente vai seguir firme, a gente não tem medo. Estou vindo como vice-prefeita de Marcos Bruno e ninguém vai nos intimidar, não. A nossa voz não vai ser calada", disse.
Após ter feito essas declarações ao microfone, a candidata, que também é advogada, afirma que o homem que cometeu as agressões verbais saiu do local.
Pelas redes sociais, Marcos Bruno se posicionou sobre o episódio. "Edilamara foi vítima de um ataque racista covarde que machucou muito a gente. Eu não tolero racismo e isso não pode acontecer em Cariacica ou em qualquer lugar do planeta. Estamos recebendo mensagens de solidariedade, inclusive por militantes de outros candidatos a prefeito, e não vamos nos calar diante de atos como este", disse.
Edilamara contou à reportagem de A Gazeta, no domingo (8), que, além desse ataque racista, também foi alvo de mais agressões verbais. "Vamos tomar as providências para não deixar passar, não temos que sofrer essa violência gratuita. Um outro homem gritou, questionando 'se não tínhamos uma trouxa de roupa para lavar'. Porque incomoda tanto assim ver mulheres tendo autonomia de suas vidas, fazendo um discurso? Não podemos aceitar", frisou.
Segundo ela, o homem ainda não foi identificado, mas a equipe de campanha está buscando obter registros que possibilitem essa identificação.

NOTAS DE REPÚDIO

Entidades do meio jurídico se manifestaram sobre o episódio com notas de repúdio. A Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica do Estado do Espírito Santo (ABMCJ-ES) se manifestou em repúdio a toda e qualquer forma de preconceito, em especial aos ataques recentes sofridos pela associada e secretária da entidade, Edilamara Rangel.
"Edilamara e outras advogadas, foram chamadas de 'crioulas', questionadas sobre 'o que faziam ali' e que 'deveriam ir lavar uma trouxa de roupas'. Ofensas que já tinham acontecido, dias atrás, quando a advogada entregava 'santinhos' nas ruas e uma pessoa perguntou quanto ela estava ganhando para entregar o material, pois uma negra não poderia ser candidata", relatou a associação.
"A ABMCJ-ES reforça o repúdio a atos tão graves contra qualquer ser humano e se coloca à disposição da associada, bem como das outras advogadas vítimas de injúria racial, no auxílio às medidas legais a serem adotadas", declarou.
A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) também publicou um texto nas redes sociais. "Nas palavras proferidas CONTRA a advogada e demais colegas, e? evidente e gritante a forma que uma grande parcela da sociedade ainda enxerga a mulher negra. Ou a objetifica sexualmente, ou a imagina apenas em um espac?o social de subalternidade. E quando essas pessoas encontram mulheres, negras, em espac?os de poder, em posic?a?o de lideranc?a, existe a tentativa – dia?ria – da retirada, da exclusa?o dessa mulher", diz a nota.
A Comissão das Mulheres Advogadas da 11ª subseção da OAB/ES manifestou apoio e solidariedade à advogada. "A CMA da 11ª subseção da OAB reforça o repúdio a atos tão graves contra qualquer ser humano e se coloca à disposição da associada, bem como das outras advogadas vítimas de injúria racial, no auxílio às medidas legais a serem adotadas", diz a nota publicada em rede social.

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