A tensão que se instaurou na região de Tabuazeiro, em Vitória, após a morte de um gerente do tráfico de drogas do Morro do Macaco, mexeu com a vida de quem vive e trabalha na área. Teve tentativa de incêndio a ônibus, toque de recolher e coletivos com a rota alterada devido à insegurança. O policiamento foi reforçado no bairro e também no entorno.
De acordo com o próprio comandante-geral da Polícia Militar do Estado, coronel Douglas Caus, esse tipo de represália contra a ação da polícia (como queima de ônibus, toque de recolher) não acontece na região sem a autorização dos líderes do tráfico desses bairros. Mas quem são essas pessoas?
Em Tabuazeiro, quem comanda são os "Irmãos Vera": Luan Gomes Faria, o Kamu; Gabriel Gomes Faria, o Buti ou Gabrielzinho; e Bruno Gomes Faria, o Nono. Eles têm influência não apenas no Morro do Macaco, como também em Itararé, Cruzamento e Conquista.
Os três são procurados pela polícia. Bruno e Grabriel possuem um mandado de prisão em aberto cada; já Luan, conta com sete mandados.
Conforme apuração da reportagem de A Gazeta, as regiões comandadas pelos Irmãos Vera, nacionalmente, se identificam como pertencentes à facção Terceiro Comando Puro (TCP). No entanto, aqui no Estado, eles se intitulam como aliados ao Primeiro Comando de Vitória (PCV), de maneira independente.
O PCV é a maior facção criminosa do Espírito Santo, espalhada não só na Grande Vitória como no interior. A sede fica no Bairro da Penha e Bonfim.
O "01" do PCV aqui no Estado é Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. Com sete mandados de prisão em aberto, ele é considerado o homem mais procurado do Espírito Santo.
É ele quem responde diretamente à cúpula do PCV, hoje toda na cadeia, e fica responsável por colocar em prática os mandos das chefias.
Tensão após morte
A tensão que paira em Tabuazeiro começou na tarde desta quarta-feira (3), quando Jose Milson de Andrade Lima, de 25 anos, foi morto pela PM durante um confronto no Morro do Macaco, onde, segundo o coronel Caus, ele atuava como gerente do tráfico.
Logo depois da morte, começaram as represálias: um grupo tentou incendiar um ônibus municipal na Avenida Leitão da Silva, na altura de Itararé. Depois, criminosos passaram ameaçando comerciantes da região de Tabuazeiro, que tiveram de baixar as portas. A situação de estendeu até a noite de quinta-feira (5), quando vários estabelecimentos permaneciam fechados.
Para driblar a situação, houve reforço do policiamento na área, sem previsão para terminar. Em entrevista na região, o coronel Douglas Caus deixou um recado para as lideranças do tráfico.
"Já fica aqui o recado para os irmãos Vera e para o Marujo: esse tipo de situação que eles estão fazendo aqui, suposto toque de recolher, enfrentamento da Polícia Militar, nós vamos potencializar, triplicar nosso policiamento até prendê-los. E um recado para a população: a PM está aqui para protegê-la e vai fazer saturação suficiente para garantir a segurança deles", declarou.