Um homem de 47 anos foi preso temporariamente suspeito de estuprar a filha, a enteada, ambas com 19 anos, além de uma vizinha, de 18. Segundo a Polícia Civil, os abusos aconteceram há cerca de 10 anos, quando as meninas ainda eram crianças.
O caso veio à tona após a própria filha denunciar o crime na Delegacia Especializada de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI) de Guarapari — cidade onde os crimes aconteceram — no dia 15 de agosto.
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (1º), o delegado Rafael Gobbi informou que, a partir do relato da filha, a Polícia Civil iniciou as investigações e ouviu as outras vítimas. Segundo ele, os relatos das três jovens apresentaram informações convergentes.
De acordo com a investigação, os abusos contra a filha teriam começado quando ela tinha 10 anos. Tempos depois, o homem passou a morar com uma mulher que também tinha uma filha. Segundo a polícia, a menina também teria sido vítima de estupro praticado pelo investigado.
A terceira vítima, uma vizinha do homem, foi identificada durante as investigações. Segundo o delegato, a existência de outro possível caso foi descoberta durante conversas com pessoas que moravam próximas ao investigado.
“Elas foram encontrar pessoas próximas do local em que ele residia e para procurar saber a respeito da vida dele. E, na ocasião, elas tomaram conhecimento de que havia uma terceira vítima”, disse Rafael Gobbi.
O homem de 47 anos já tinha um antecedente criminal por assédio sexual. Desta vez, ele foi preso pelo crime de estupro de vulnerável e encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Os nomes do suspeito e das jovens, assim como o bairro onde os crimes teriam ocorrido, não foram divulgados para preservar a identidade das vítimas.
O homem é natural do Maranhão e morava em Guarapari há cerca de 20 anos. Segundo a Polícia Civil, após saber pela própria filha que havia sido denunciado, ele teria planejado fugir para o Estado de origem. O suspeito, porém, foi preso no dia 21 de agosto, mesma data em que pediu demissão do emprego. A informação sobre o desligamento foi confirmada pelo chefe dele aos policiais.
Além da prisão temporária, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão. Segundo as investigações, após a denúncia, o homem passou a ameaçar as vítimas por mensagens enviadas pelo celular. Conforme a polícia, ele encaminhava a foto de uma carabina calibre 5,5 mm para intimidar as jovens.
"As meninas não tinham conhecimento se era uma arma de fogo ou não, mas, de certa forma, isso acaba caracterizando o crime de ameaça, porque intimida qualquer pessoa, sobretudo essas meninas que já estavam amedrontadas com os abusos sexuais sofridos", disse o delegado.
A chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), delegada Cláudia Dematté, destacou a importância de realizar a denúncia em casos de estupro.
“O crime contra a dignidade sexual é uma das piores violências que mulheres e meninas podem sofrer. São crimes que ferem o nosso corpo, ferem a nossa liberdade, ferem a nossa dignidade sexual e ela deixa marcas que são para sempre. Nós queremos que esses crimes não aconteçam, jamais”, concluiu.