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Alexandre Ramalho

Secretário do ES critica brechas da lei que permitem 'prende e solta' de criminosos

Logo após a prisão de um trio pela polícia na região de Andorinhas, o coronel Alexandre Ramalho comemorou a retirada dos suspeitos das ruas, mas ao saber da soltura de dois deles mediante fiança, o chefe da Sesp criticou as 'brechas' da legislação

Publicado em 14 de Julho de 2020 às 14:02

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 jul 2020 às 14:02
O chefe da Segurança Pública do ES, Coronel Alexandre Ramalho, criticou a soltura constante de indivíduos presos pela Polícia Militar
O chefe da Segurança Pública do ES, Coronel Alexandre Ramalho, criticou a soltura constante de indivíduos presos pela Polícia Militar Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Após elogiar a ação da Polícia Militar que resultou na prisão de três suspeitos de tráfico de drogas, entre eles o homem apontado como chefe da venda de entorpecentes na região de Andorinhas, em Vitória, Rhaony Hansen Cordeiro Soares, de 28 anos, o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), coronel Alexandre Ramalho, criticou publicamente o que ele classificou como "brechas" da legislação que permitem o "prende e solta" de criminosos.
Nas redes sociais, Ramalho comemorou as prisões efetuadas: "Liderança do tráfico preso. Parabéns, camaradas! Pra cima deles", escreveu Ramalho ao mencionar o trabalho dos policiais. Na sequência, a crítica se deu logo após o chefe da Sesp saber que dois dos três detidos na operação policial haviam sido liberados da Delegacia Regional de Vitória mediante o pagamento de fiança.
"A Polícia Militar e a Polícia Civil trabalham muito nessas questões tentando evitar esses ataques, tentando dar a segurança local que essas comunidades merecem, mas infelizmente temos uma legislação que não dialoga com a sociedade nessa questão criminal. Então correr, se esconder em casa, pegar uma pistola, ser preso e encaminhado para a delegacia, e a legislação permitir que ele pague uma fiança e seja liberado, nós vamos de novo ter que correr atrás desse indivíduo, para verificar outras investigações e denúncias. Então a legislação realmente deixa uma brecha que desestimula muito os nossos policiais lá na ponta", criticou Ramalho.
Pela manhã, em nota, a Polícia Civil, informou que dois dos detidos haviam sido liberados mediante o pagamento de valores estabelecidos pelo Judiciário. Questionada novamente sobre os valores estipulados, a PC explicou que, "por padrão", não informa as quantias estipuladas para fianças.
"Os suspeitos de 19 e 28 anos, foram autuados em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e liberados para responderem em liberdade, após o recolhimento da fiança arbitrado pelo delegado de plantão. O suspeito de 18 anos, foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana", diz a nota da PC.

SENSAÇÃO DE FRUSTRAÇÃO

O descontentamento com a soltura dos suspeitos também foi compartilhado pelo Tenente Anthony, da Polícia Militar. Em entrevista à TV Gazeta, ele salientou que a ação efetiva da PM na última noite ainda evitou um ataque armado à outra comunidade também inserida na disputa pelo controle do tráfico de drogas.
"Cabe ressaltar que essa operação começou em Joana D'arc, com a prisão de um indivíduo que estava de posse de uma submetralhadora. Esse criminoso iria se reunir com outros criminosos, inclusive o Rhaony, chefe do Tráfico de Andorinhas, para arquitetar um ataque no bairro Itararé. A Polícia Militar não só os prendeu como impediu que vidas fossem ceifadas. Saber da soltura deles gera para a Polícia Militar uma sensação de frustração. Para a sociedade, e pior, para o próprio criminoso, gera uma sensação de impunidade", comentou, em tom de desabafo.
Bairro Andorinhas, em Vitória
A região de Andorinhas, em Vitória, está inserida em uma área de intensa disputa pelo tráfico de drogas na capital Crédito: Carlos Alberto Silva
Apesar da sensação frustrante, o militar garantiu que a soltura de indivíduos detidos em operações em nada muda o foco da corporação.
"Essas sensações de impunidade e frustração não são fatores impeditivos para que a PM continue agindo como deve agir. Costumo dizer que a Segurança Pública é um sistema e a Polícia Militar é um ator que faz parte dessa engrenagem. Se há lacuna na lei que permite que criminosos perigosos sejam liberados, a Polícia Militar vai seguir fazendo a parte dela, a Polícia Civil a dela, assim como a Justiça. Cabe ao cidadão de bem cobrar das autoridades que essas leis sejam revistas, elaboradas para que evite então gerar esse sentimento de impunidade e que frustra a Polícia Militar", ponderou o Tenente Anthony.

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