Uma quadrilha especializada em furtos de módulos de motor de caminhão causou um prejuízo de quase R$ 1 milhão a donos de veículos que trafegavam pelo Espírito Santo. O principal integrante do grupo, um homem de 25 anos, sem antecedentes criminais, foi preso em Belo Horizonte, em Minas Gerais, após a conclusão das investigações pela Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana capixaba.
Segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, que divulgou o caso nesta segunda-feira (11), a atuação do grupo começou a ser apurada após uma série de denúncias registradas em janeiro deste ano, em municípios como Venda Nova do Imigrante, Viana, Anchieta e Iconha. Até o momento, 23 furtos foram identificados.
Segundo o titular do Deic de Venda Nova do Imigrante, delegado Eduardo Oliveira, o crime chama a atenção pela especificidade das peças roubadas. Os módulos são como o "cérebro" eletrônico do veículo, atuando para otimizar o funcionamento do motor. Eles controlam a injeção de combustível, rotação e emissões, entre outras funções.
Sem a peça, o caminhão fica, de certa forma, inoperante, resultando em prejuízo que pode ir além da troca da peça, uma vez que cargas perecíveis, por exemplo, são passíveis de serem perdidas.
Outro ponto que causa desconfiança, de acordo com a polícia, é que, em todos os casos já identificados, o alvo eram veículos da Volvo, sendo que cada módulo desses custa, em média, R$ 40 mil.
“Os furtos não eram aleatórios. Eram planejados e encomendados. (...) Ocorreram num momento de recesso, então caminhoneiros muitas vezes estacionavam em ruas próximas de suas residências ou em postos de gasolina devido ao tamanho, e somente ao retornar ao trabalho, dias depois, se deparavam com isso.”
A quadrilha foi descoberta com o auxílio de imagens do cerco inteligente e parceria com a Polícia Civil de Minas Gerais, responsável pela prisão de um dos suspeitos no dia 4 de maio.
De acordo com o delegado Eduardo Oliveira, outros dois suspeitos já foram identificados. Agora, a polícia tenta descobrir os receptadores das peças cujo furto foi planejado. “O homem (preso) ficou em silêncio, quis se manifestar somente em juízo. Não colaborou com nada na investigação”, ressaltou.
O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, reforça que a participação da população é fundamental para a responsabilização dos demais envolvidos.
“A gente pede a participação da sociedade por meio do disque-denúncia 181. Essa informação vai ser registrada no sistema, garantindo o absoluto sigilo e anonimato, e vai chegar ao Deic, que vai investigar.”