Um grupo criminoso do Rio de Janeiro que aplicava o chamado "golpe do vale-gás" contra idosos no Espírito Santo foi desarticulado pela Polícia Civil capixaba. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa nesta terça-feira (29).
Segundo a corporação, o grupo atuava no Estado desde agosto de 2024 e permaneceu em atividade por cerca de um ano. Dos dez envolvidos identificados, dois foram presos em setembro do ano passado: Joyce Máximo da Silva e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira. Os outros oito foram indiciados e respondem em liberdade.
A Polícia Civil estima que os golpes tenham causado cerca de R$ 2 milhões em prejuízos durante o período. Somente em 2025, foram registrados 58 boletins de ocorrência relacionados à atuação do grupo.
De acordo com a Polícia Civil, a organização funcionava de forma semelhante a uma empresa, em que as vítimas eram tratadas como "clientes" e os golpes, como "contratos". O grupo mantinha uma espécie de quartel-general, chamado pelos integrantes de "escritório", no Complexo do Alemão, conjunto de favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Um organograma divulgado pela corporação detalha as funções atribuídas a cada integrante:
- Bárbara Pena Corrêa: apontada como gerente do grupo, responsável por coordenar as fraudes e distribuir as funções de cada um;
- Daniel André Miranda Paz de Oliveira, Antônio Cesar Sousa Ferreira e Walter Martins de Souza Neto: apontados como sócios e líderes do grupo, responsáveis pelas áreas financeira, logística e também pela confecção dos vales-gás;
- Bárbara Victória dos Santos da Paz, Jéssica Ferreira da Silva, Josiane Ribeiro da Silva Oliveira, Joyce Máximo da Silva, Vitória de Freitas da Silva e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira: apontados como executores de campo.
Segundo as investigações, todos os integrantes são do Rio de Janeiro e vinham ao Espírito Santo especificamente para aplicar os golpes. A Polícia Civil também identificou atuação do grupo em outros Estados, como Minas Gerais, além do próprio Rio de Janeiro.
As vítimas preferenciais eram idosas com renda entre um salário mínimo e R$ 2 mil, e que permanecessem em casa até as 17h.
O delegado adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), Jonathan Lana, explicou que a fraude era dividida em três etapas.
Etapa preparatória: período em que o grupo definia metas, perfil das vítimas e o período em que eles permaceriam no Espírito Santo. Os envolvidos também levavam mais de um aparelho celular para usar caso algum dos telefones fosse comprometido;
Etapa de execução: quando chegavam ao Estado, um dos integrantes enviava os dados da vítima em um grupo de WhatsApp. Em seguida, outro participante da organização ligava para o idoso e informava sobre o suposto benefício social, dizendo que uma assistente social iria à casa dele para recolher informações e realizar um reconhecimento facial;
Etapa final: com os dados obtidos, os criminosos antecipavam o 13º salário das vítimas, contratavam empréstimos consignados e mantinham o controle das contas bancárias. Depois, os valores eram sacados em caixas eletrônicos e divididos entre os envolvidos.
Imagens obtidas pela Polícia Civil mostram Joyce fazendo o reconhecimento facial em algumas vítimas. (Veja abaixo)