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Crime ocorrido em 2024

Pastor foi morto ao tentar ajudar homem a deixar o tráfico em Viana

Polícia identificou três envolvidos no duplo homicídio, mas ainda não apontou quem teria ordenado o crime

Publicado em 05 de Outubro de 2026 às 18:00

Nayra Loureiro

Publicado em 

05 out 2026 às 18:00
(Esquerda) O pastor Tiago Carlot, de 35 anos e o ajudante de pedreiro Maciel Oliveira, de 29 anos (direita); ambos foram mortos no dia 23 de julho de 2024 no bairro Areinha. em Viana
(esquerda) O pastor Tiago Carlot, de 35 anos e o ajudante de pedreiro Maciel Oliveira, de 29 anos (direita); ambos foram mortos no dia 23 de julho de 2024 no bairro Areinha. em Viana Divulgação | Polícia Civil

O pastor Tiago Carlotti, de 35 anos, morto a tiros enquanto trabalhava em uma obra em Viana, em julho de 2024, tentava ajudar um dos homens assassinados no mesmo ataque a se afastar do tráfico de drogas. A conclusão é da investigação apresentada nesta segunda-feira (5), que apontou Maciel Oliveira, de 29 anos, como o alvo dos atiradores e identificou três envolvidos no crime.


O duplo homicídio aconteceu na manhã de 23 de julho de 2024, no bairro Areinha. Tiago, que também trabalhava como pedreiro, e Maciel, ajudante de pedreiro, estavam em uma casa em obras quando foram surpreendidos pelos atiradores. Um jovem de 24 anos que estava no local também foi baleado, mas sobreviveu.


Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Jr., Tiago não tinha antecedentes criminais e procurava ajudar pessoas envolvidas com o tráfico e usuários de drogas. "Ele estava dando uma oportunidade para o Maciel e para outra vítima saírem do mundo do crime”, explicou o delegado.

Disputa dentro do PCV teria motivado ataque
Pastor e colega de trabalho foram mortos a tiros em bairro de Viana no dia 23 de julho de 2024
Pastor e colega de trabalho foram mortos a tiros em bairro de Viana no dia 23 de julho de 2024 Divulgação | Polícia Civil

A investigação apontou que o ataque ocorreu em meio a um racha dentro do Primeiro Comando de Vitória (PCV), em 2024. Segundo Cleudes Jr., Marcelinho do Vale do Sol, apontado como uma liderança da facção na região, teria perdido a posição de comando, dando início a uma disputa interna pelo poder.


Apesar de identificar três envolvidos diretamente no ataque, a Polícia Civil não conseguiu apontar quem teria ordenado o crime. O delegado afirmou considerar provável que a ação tenha ocorrido com autorização de outra liderança da organização criminosa, mas a investigação não reuniu elementos suficientes para identificar um possível mandante.


De acordo com Cleudes Jr., Marcelinho já estava preso no Presídio de Segurança Máxima 2 na época do crime, mas continuava exercendo influência sobre o grupo. Segundo a investigação, ele comandava o tráfico ligado ao PCV nas regiões de Vale do Sol e Soteco, em Viana.


Maciel, conhecido como “Cara de Paca”, era amigo de Marcelinho e teria mantido a ligação com ele mesmo após a mudança no comando da facção. “Maciel continuou repassando informações para o Marcelinho, o que teria desagradado aqueles que assumiram o lugar da antiga liderança”, explicou Cleudes Jr.


Os investigadores apuraram que os envolvidos descobriram que Maciel estava trabalhando como ajudante de pedreiro na obra em Areinha e foram até o endereço para matá-lo. Tiago trabalhava no mesmo local e, segundo a investigação, não era alvo do ataque. 


A Polícia Civil concluiu que o pastor foi morto como "queima de arquivo". "Ele possivelmente conhecia os atiradores porque também era do bairro, fazia serviço social, e acabou perdendo a vida por conta disso. Ele não tinha nenhuma passagem pela polícia, nada, tinha ficha limpa”, afirmou o delegado.

Terceira vítima conseguiu escapar

Um jovem de 24 anos também estava no local no momento do ataque. A investigação esclareceu que, ao contrário de Tiago e Maciel, ele não trabalhava na obra. 


"Segundo o relato dele, ele passou e viu o Maciel no local e o chamou para fumar maconha. O Maciel passou maconha pra ele e ele sentou atrás de um carro. Enquanto isso, o Maciel voltou lá para trabalhar. Foi nesse momento que os caras chegaram. Se ele tivesse dentro da obra, ele teria sido morto porque não tinha como fugir", disse o delegado.


O jovem também foi atingido pelos disparos, mas mesmo ferido conseguiu se jogar de um barranco e permaneceu no local até a chegada do socorro. 

Três envolvidos foram identificados
Da esquerda para a direita: Jeferson França, 29, preso preventivamente em 30 de setembro de 2026; Gabriel Lima, 21, morto em 2 de janeiro de 2025, em Viana; e Arthur Mauricio Pinto, 21, morto em 17 de janeiro de 2025, na Serra
Da esquerda para a direita: Jeferson França, 29, preso preventivamente em 30 de setembro de 2026; Gabriel Lima, 21, morto em 2 de janeiro de 2025, em Viana; e Arthur Mauricio Pinto, 21, morto em 17 de janeiro de 2025, na Serra Divulgação | Polícia Civil

Com base em depoimentos de testemunhas e relatórios de investigação, a DHPP de Viana identificou Jefferson França Gonçalves de Souza, conhecido como “Dumbo”, Gabriel Lima Pires dos Santos, o “Boquella”, e Arthur Mauricio Pinto como envolvidos diretamente no ataque.


Segundo a investigação, Jefferson dirigiu o Gol branco com placa clonada usado no crime. Já Gabriel e Arthur foram apontados como os responsáveis pelos disparos contra as vítimas.


Jefferson já estava preso por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo. Segundo Cleudes Jr., ele foi detido por esses crimes pouco tempo depois do ataque em Areinha.


A ligação de Jefferson com o duplo homicídio, porém, só foi apontada posteriormente. Após novos depoimentos reforçarem as suspeitas, a DHPP de Viana representou pela prisão preventiva dele também pelo crime de 2024. A ordem foi cumprida na semana passada.


Jefferson foi interrogado sobre o caso, mas exerceu o direito de permanecer em silêncio e não confessou o crime. Com a conclusão do inquérito, ele passa a responder também pelo duplo homicídio e pela tentativa de homicídio.



Os outros dois homens apontados como executores morreram em janeiro de 2025. Gabriel Lima Pires dos Santos, o “Boquella”, foi morto a tiros no dia 2 de janeiro, em Soteco, Viana. Já Arthur Mauricio Pinto foi morto a tiros no dia 17 de janeiro, em Central Carapina, na Serra. 


A Polícia Civil aponta que os dois homícidios têm relação com a disputa entre grupos criminosos. 

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