Se você pensa que poesia não é para você, talvez mude de ideia depois de assistir o humorista Gregorio Duvivier no palco. O ator e comediante chega a Vitória com “O Céu da Língua”, um monólogo que transforma palavras, expressões populares e as peculiaridades da língua portuguesa em matéria-prima para o humor.
A peça terá quatro dias de apresentações, de 4 a 7 de novembro, no Teatro Universitário da Ufes, com duas sessões por dia. Os ingressos estão a partir de R$ 70, através da plataforma Sympla.
Em cena, Gregório utiliza expressões como “céu da boca”, “batata da perna” e “pisando em ovos” para mostrar como usamos a poesia sem nem perceber. As mudanças na escrita, palavras que deixaram de ser usadas e outras que ganharam novos sentidos entram na brincadeira. Termos como “irado”, “sinistro” e “brutal”, por exemplo, aparecem para mostrar como a linguagem muda de acordo com cada geração.
Afta, língua, seborreia, “namorido”, “almojanta” e outras invenções do português também entram na brincadeira. O humor ainda aparece quando o ator fala sobre palavras que mudaram de significado ao longo do tempo e sobre expressões que usamos diariamente sem perceber que estamos recorrendo à poesia.
Formado em Letras pela PUC-Rio e autor de três livros sobre poesia, o artista mistura no palco o humorista e o apaixonado pela linguagem.
Depois de passar por 33 cidades brasileiras e reunir cerca de 218 mil espectadores, o espetáculo segue em turnê internacional por 12 cidades europeias. A montagem também acumula prêmios: em 2026, venceu as categorias de Melhor Espetáculo e Melhor Texto no Prêmio do Humor, enquanto Gregorio levou o troféu de Melhor Ator no Prêmio Bibi Ferreira.
“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”
Gregorio Duvivier
A proposta é justamente mudar a maneira como o público enxerga o gênero. Em vez de apresentar a poesia como algo distante, difícil ou restrito aos livros, “O Céu da Língua” mostra que ela pode estar em uma conversa, em uma música, em uma expressão popular ou em uma metáfora usada sem pensar.
A música brasileira também ganha espaço na montagem. Gregorio lembra compositores e letristas que transformaram poesia em canção e ajudaram a aproximar o gênero do grande público.Entre as referências estão Orestes Barbosa e Caetano Veloso, com menções às músicas “Chão de Estrelas” e “Livros”.
A relação com Portugal também é importante na história do espetáculo. Gregorio evoca nomes como Fernando Pessoa e Eugênio de Andrade e retoma a experiência ao lado do humorista português Ricardo Araújo Pereira.
Foi justamente o encontro entre os dois que ajudou a inspirar a criação de “O Céu da Língua”, a partir do espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”, que explorava as diferenças, semelhanças e curiosidades dos dois lados do idioma.
Apesar das referências literárias, quem espera um recital de poesia pode se surpreender. Gregorio não está no palco simplesmente para declamar grandes autores. A proposta é transformar o próprio pensamento sobre a língua em uma espécie de comédia .A diretora Luciana Paes, parceira de Gregorio em trabalhos de improvisação, define a montagem como um “stand-up comedy pegadinha”.
A direção aposta justamente no contraste entre o Gregorio intelectual, apaixonado pelas palavras, e o comediante que domina o palco e conduz a plateia por uma sequência de associações, histórias e observações.“Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, afirma Luciana.
Onde: Teatro Universitário da Ufes – Vitória
Quando: de 4 a 7 de novembro
Com: Gregorio Duvivier
Direção: Luciana Paes
Ambientação musical: Pedro Aune
Projeções: Theodora Duvivier
Cenografia: Dina Salem Levy
Produção local: WB Produções
Este conteúdo foi produzido por Analu Fagundes, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do editor Felipe Khoury.