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Em Itapuã

Mulher denuncia vizinha por ameaça de morte e homofobia em Vila Velha

Vítima, de 32 anos, diz ter sido perseguida em garagem de condomínio e ameaçada após se queixar de brigas entre os vizinhos

Publicado em 20 de Setembro de 2026 às 19:36

Caroline Freitas

Publicado em 

20 set 2026 às 19:36
Vizinha ameaçou moradora que reclamou sobre gritos e discussões no apartamento de cima Leitor A Gazeta

Uma moradora de Vila Velha de 32 anos procurou a Delegacia Regional da cidade para registrar um boletim de ocorrência contra a vizinha, de 58 anos, que teria a ameaçado de morte durante uma briga na garagem do condomínio onde moram, no bairro Itapoã, na manhã de sábado (19). Além das ameaças, a vítima afirma ter sido alvo de ofensas homofóbicas.


Em imagens registradas por ela, a vizinha aparece fazendo ofensas de cunho homofóbico, ameaçando-a em seguida, com falas como “volta na minha porta que eu vou te jogar de lá de cima, eu te quebro todinha, ‘sapatão’”.


Conforme a denúncia, o episódio ocorreu após a vítima bater na porta do apartamento situado logo acima do seu, onde moram a vizinha e o companheiro, para se queixar das brigas frequentes, com gritos que a impediam de dormir. A reclamação mais recente aconteceu na noite de sexta-feira (18).


“Eles são um casal que vive brigando. É gritaria, bateção, pisação, parece que tem agressão… E não é uma vez ou outra. É todo dia. Uma vez, quando começaram a brigar, eu subi, toquei a campainha e falei: ‘Pelo amor de Deus, vocês gritam demais, eu acordo de madrugada para trabalhar, não estou conseguindo dormir, estou tendo crise de ansiedade…'. Ela me mandou embora, disse que estavam discutindo a relação e ninguém tinha nada a ver com isso”, a vítima relatou, em entrevista à reportagem.


Ela alega ainda que, na sexta-feira (18), acionou a polícia após as brigas se agravarem, com receio de que alguém acabasse morto. Em seguida, bateu na porta dos vizinhos novamente, dizendo que precisava dormir e que estava passando mal. Segundo a vítima, o companheiro da vizinha também teria discutido com ela.


“Ele me xingou e bateu a porta na minha cara. No sábado (19), saí para fazer a unha. Quando voltei, ele estava com o carro estacionado em frente à minha vaga da garagem. Fiquei olhando, ele tirou, mas os dois continuaram me encarando e não saíram (dali). Daí, ela veio e começou a bater no meu carro e começou a fazer um escândalo, dizendo que eu quero silêncio, mas meu cachorro faz barulho. E ela tem cachorro. Tem cachorro no prédio inteiro. Todo cachorro late. Ela só queria ter um motivo para me culpar.”

Vítima gravou ameaças e perseguição

A gravação – à qual a reportagem teve acesso, mas não será divulgada neste momento devido ao fato de a autora das ameaças ainda não ter sido autuada – mostra a vizinha reclamando que a mulher teria ido até sua casa de madrugada para tirar satisfação por conta de barulhos. Os ânimos estão exaltados, e ela começa a se aproximar da vítima, que segue gravando tudo enquanto tenta fugir, com medo de ser agredida.


“Foi aquela gritaria toda, com ela falando, inclusive, da minha orientação sexual, que foi o que mais me constrangeu. Os vizinhos todos na janela, ela correndo atrás de mim... É uma pessoa totalmente descontrolada. Eu estou até rouca, porque gritei que era doida, mas foi só isso. Saí correndo, com medo. Não sou de agredir ninguém.”


Ainda de acordo com a vítima, que pediu para não ser identificada, um vizinho desceu para ajudá-la e tentou interromper a discussão. Os dois teriam acionado a polícia, assim como o advogado dela, mas nenhuma viatura teria aparecido para atender à ocorrência. Diante disso, ela compareceu a uma delegacia para fazer o boletim de ocorrência.

A reportagem de A Gazeta tenta contato com os vizinhos envolvidos. O espaço segue aberto para eventuais manifestações. 

Vítima quer medida protetiva

“Agora estou na casa de um amigo, em Vitória. Tive uma crise de pânico e estou com medo de voltar para a minha própria casa e tentarem algo, me jogarem do quarto andar, como ela disse. Quero pedir uma medida protetiva.”


A Polícia Civil confirmou, em nota, que a vítima compareceu à Delegacia Regional de Vila Velha e registrou o caso, que foi classificado, inicialmente, como crime contra a dignidade sexual.


“O procedimento será encaminhado, inicialmente, ao Distrito de Polícia de Vila Velha, localizado no bairro Santa Inês, onde a vítima foi orientada a comparecer para dar prosseguimento aos procedimentos necessários.”

A reportagem também procurou a Polícia Militar para falar sobre a alegação de que foi acionada e não compareceu, mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno. Caso isso ocorra, o texto será atualizado. 

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