A Justiça suspendeu o porte de arma do cabo da Polícia Militar Bernardo Menezes Coutinho e concedeu uma medida protetiva de urgência a uma administradora, de 43 anos. Ela denuncia ter sido agredida pelo policial após fazer um comentário em comemoração ao resultado das eleições presidenciais em um bar no bairro Itapuã, em Vila Velha.
O caso aconteceu na última segunda-feira (2).
Novas imagens obtidas pela reportagem da TV Gazeta (veja acima) mostram o policial segurando a mulher pelos cabelos e dando um soco no rosto dela. Após as agressões, ele deixou o estabelecimento a pé e seguiu até o prédio onde mora, no mesmo bairro.
Conforme apuração do repórter André Afonso, da TV Gazeta, policiais militares foram acionados no dia da ocorrência e estiveram no prédio onde o cabo mora. Eles teriam tocado o interfone, mas Bernardo se recusou a descer.
Em seguida, os policiais deixaram o local. O boletim de ocorrência foi registrado sem a identificação do suspeito, apesar de a vítima afirmar que, durante as agressões, as pessoas presentes sabiam que ele era policial militar.
Após o episódio, a administradora procurou um advogado, que solicitou à Justiça uma medida protetiva de urgência e a suspensão do porte de arma do cabo. Os pedidos foram acolhidos. A decisão também determina que o militar não frequente os mesmos locais que a vítima e não mantenha contato com ela, seus familiares ou testemunhas.
A reportagem tenta localizar a defesa de Bernardo e o espaço segue aberto para manifestações.
Procurada na quarta-feira (4), a assessoria de imprensa da Polícia Militar havia informado, por meio de nota, que o homem não tinha sido formalmente identificado no registro da ocorrência. Por isso, segundo a corporação, não havia elementos que permitissem confirmar sua identidade ou afirmar que se tratava de um integrante da PM. A instituição também informou que não havia registro de denúncia formal sobre o caso na Corregedoria.
Após a decisão judicial, a corporação foi novamente procurada. Dessa vez, informou que tomou conhecimento do fato e que, por meio da Corregedoria, realizará o devido acompanhamento.
“A instituição esclarece que, por não se tratar de fato abrangido pelo Código Penal Militar, a investigação criminal não é conduzida pela PMES. As medidas protetivas determinadas pela Justiça serão cumpridas e acompanhadas pela Corporação”, destacou.
Ainda conforme a Polícia Militar, a conduta do cabo será avaliada à luz do Código de Ética e Disciplina da PMES, observados os procedimentos legais e administrativos cabíveis.
A administradora de 43 anos relatou que foi agredida com socos e teve o nariz fraturado após fazer um comentário comemorando o resultado das eleições presidenciais em um bar no bairro Itapuã, em Vila Velha.
Em entrevista à TV Gazeta, a mulher contou que estava no bar com a mãe e uma amiga. O suspeito estava em uma mesa com outras mulheres. Inicialmente, houve um desentendimento entre a administradora e o grupo. Em seguida, o homem se levantou e a atacou pelas costas.
“Partiu para cima de mim com vários socos na minha face. Falaram que em um momento eu desacordei, mesmo assim ele me jogou contra o vidro do estabelecimento e continuou agredindo, ninguém fazendo nada, inclusive o dono do estabelecimento. Quando eu acordei, meu rosto estava todo ensanguentado”, disse a vítima.
* Com informações do repórter André Afonso, da TV Gazeta.