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Intolerância religiosa

Justiça solta pai que invadiu terreiro de umbanda com arma em Vila Velha

Suspeito ameaçou atirar nas filhas, de 14 e 16 anos, e nas outras pessoas que estavam na celebração; ele foi liberado após audiência de custódia nesta sexta-feira (05)

Publicado em 05 de Maio de 2023 às 17:11

Maria Fernanda Conti

Publicado em 

05 mai 2023 às 17:11
Homem invadiu Terreiro de Umbanda e foi preso em Vila Velha
Adolescente de 14 anos e a irmã, de 16, acionaram a PM após o pai delas invadir o terreiro de umbanda que elas frequentam Crédito: Fernando Estevão
A Justiça mandou soltar, sem pagamento de fiança, o homem que apontou uma arma contra as filhas e invadiu um terreiro de umbanda no bairro Riviera da Barra, em Vila Velha, na noite da última quarta (03). O suspeito foi liberado nesta sexta-feira (05), após audiência de custódia. Os nomes dos envolvidos não estão sendo divulgados para preservar a identidade das vítimas.
Segundo a decisão da juíza Raquel Almeida Valinho, que consta no site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), a liberdade dele "não oferece risco à ordem econômica, à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, considerando que possui residência fixa e ocupação lícita".
A magistrada ainda determinou uma série de restrições que dizem respeito ao deslocamento do homem, incluindo uma ordem de distância das vítimas. Confira:
  • Proibição de sair da Grande Vitória sem prévia autorização do Juiz natural da causa; 
  • Comparecimento a todos os atos do processo, devendo manter endereço atualizado; 
  • Proibição de frequentar bares, boates, prostíbulos e assemelhados;
  • Proibição de frequentar o local dos fatos e de manter qualquer contato e aproximação das vítimas.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) afirmou que o suspeito estava no Centro de Triagem de Viana, mas que já deixou a prisão.  
Justiça solta pai que invadiu terreiro de umbanda com arma em Vila Velha

Relembre o caso

Um homem de 34 anos foi preso após invadir um terreiro de umbanda no bairro Riviera da Barra, em Vila Velha, e ameaçar com uma arma as pessoas que estavam na celebração – entre elas, duas adolescentes, de 14 e 16 anos, filhas dele. Com um discurso violento e de intolerância religiosa, o suspeito afirmou que "iria matar todos que estavam adorando o capeta", segundo palavras de uma das filhas dele, que foi ameaçada e o denunciou para a polícia.
Polícia Militar foi acionada ao local pelas duas filhas do suspeito. As adolescentes relataram à polícia que o pai delas estava fazendo ameaças com arma de fogo pelo fato de as duas estarem frequentando um terreiro de umbanda. Segundo as filhas do agressor, o homem foi ao local com uma arma e demonstrou intenção de matar todas as pessoas. Ele afirmou, porém, que só não atiraria porque crianças estavam no local.
Em seguida, ainda conforme os relatos, ele ainda pegou um pedaço de pau e tentou agredir a filha de 14 anos, mas foi impedido por pessoas que estavam no local de celebração. A mãe de santo do local, Amanda Nobrega Dutra de Sá, de 47 anos, também teria sido ameaçada. Em entrevista à repórter Daniela Carla, da TV Gazeta, uma das filhas disse que não foi a primeira vez que o homem fez ameaças ou tentou agredir as duas adolescentes.
"Ele disse que preferia estar preso ou estar morto do que ver a gente ali (no terreiro de umbanda). Ele falou que a gente ia conhecer o nosso verdadeiro pai. Chamou a gente de desgosto"
X. - Adolescente de 14 anos, filha do agressor
A mãe de santo Amanda Nobrega Dutra de Sá, responsável pelo terreiro de umbanda onde aconteceu o crime, afirmou que as duas adolescentes têm autorização da mãe para frequentar as celebrações no local.
Ainda a pedido das duas adolescentes, os militares foram até o bairro onde elas moram, na mesma região do município, para que as meninas pegassem roupas para dormir na casa da avó. Ao chegar no local, os policiais conseguiram contato com a mãe das menores. O nome do bairro também não está sendo informado para preservar as vítimas – que são menores de idade.
Em frente à residência, havia um carro estacionado que parecia com o do pai das adolescentes. Os policiais pediram que a mulher chamasse o marido, que, de imediato, atendeu a solicitação e foi ao encontro dos militares. Ele foi detido e encaminhado para o Plantão Especializado da Mulher (PEM), em Vitória.

"Tenho medo de ele voltar"

Em entrevista à repórter Daniela Carla, da TV Gazeta, a mãe de santo Amanda Nobrega Dutra de Sá, 47 anos, responsável pelo terreiro de umbanda, afirmou que ficou triste após a invasão do homem e disse que tem medo de o agressor voltar.
Mãe de santo Amanda Nobrega Dutra de Sá diz ter medo de agressor voltar ao local
Mãe de santo Amanda Nobrega Dutra de Sá diz ter medo de agressor voltar ao local Crédito: Fernando Estevão
"Ele disse que iria 'meter bala' em todo mundo. Mas falou que em respeito às crianças, não ia fazer isso. Eu fiquei muito triste por causa das meninas, porque elas entraram em pânico. Choravam e tremiam. [Sinto] uma mistura de raiva, medo e insegurança. Tenho medo de ele voltar"
Amanda Nobrega Dutra de Sá - Mãe de santo
De acordo com a mãe de santo, o homem teria ido ao local duas vezes na mesma noite, Na segunda ocasião foi que ele mostrou a arma, fazendo ameaças.

Como fazer uma denúncia contra intolerância religiosa?

A Polícia Civil informou que há, na Região Metropolitana de Vitória, a Seção de Investigações Especiais - Pessoas Vítimas de Discriminação Racial, Religiosa, Orientação Sexual ou Deficiência Física. A unidade foi criada em 2019, é subordinada à Divisão Especializada da Região Metropolitana (DRM) e funciona na Chefatura de Polícia Civil.

Para registros de Boletim de Ocorrência em casos como este, a Polícia Civil orienta que os cidadãos e cidadãs priorizem os serviços on-line. O registro de Boletins de Ocorrência pode ser feito na Delegacia On-line, no endereço http://delegaciaonline.sesp.es.gov.br/

Apenas registros de homicídios, sequestros, estupros e furtos e roubos de veículos não são aceitos pela Deon. O 190 deve ser acionado em caso de crime em andamento. Disque Direitos Humanos - Disque 100.

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