A influenciadora digital Thayna da Rocha Endringer e Flavio dos Santos Medina são os dois presos durante a Operação Slots, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15) no Espírito Santo e em outros cinco Estados.
Nas redes sociais, Thayna compartilhava registros de viagens internacionais para destinos como Suíça, Dubai, Paris, Londres e Roma. Em seu perfil, também publicava conteúdos promovendo plataformas de apostas on-line.
Em algumas postagens, aparecia junto a Flavio e teriam um relacionamento amoroso. No entanto, o advogado Felippe Ribeiro procurou a reportagem para informar que faz a defesa de Thayna e afirmou que a cliente e Flávio não têm envolvimento atualmente. Acrescentou ainda que a mulher possui uma medida protetiva contra o homem.
Segundo a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas por meio de bets ilegais e empresas de fachada. Thayna foi presa em Alphaville Jacuhy, na Serra, por meio de mandado de prisão temporária. O local da prisão de Flavio não foi divulgado.
Além das prisões, a operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão no Estado e em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe. Durante a ação, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores de até R$ 951,1 milhões, além do sequestro de um imóvel de alto padrão e de veículos de luxo.
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) confirmou que os Thayna e Flavio deram entrada no sistema prisional capixaba na quarta-feira (15).
Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram uma organização criminosa voltada à exploração clandestina de plataformas de apostas on-line. O grupo utilizaria influenciadores digitais para divulgar os sites irregulares e empresas intermediadoras de pagamento para receber, movimentar e distribuir os recursos obtidos com a atividade ilícita.
As diligências também apontaram uma evolução patrimonial considerada incompatível com a renda formalmente declarada pelos investigados, além da utilização de empresas com características de fachada para ocultar a origem dos valores.
De acordo com a PF, as plataformas divulgadas pelos investigados não possuíam autorização para funcionar no Brasil e utilizavam indevidamente símbolos do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), do Ministério da Fazenda, e do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), criando uma falsa aparência de regularidade.
Ainda conforme a investigação, os valores depositados pelos apostadores eram direcionados para empresas sem autorização para explorar a atividade.
O outro lado
Pela manhã, o advogado Douglas Luz informou que faz a defesa de Thayna e Flavio e afirmou que os dois não têm relação com o tráfico de drogas. "A investigação limita-se apenas a crimes de lavagem de capitais e de ordem tributária. O primeiro passo da defesa será pedir uma revogação da prisão temporária", declarou.
Após a publicação da reportagem, o advogado Felippe Ribeiro entrou em contato com A Gazeta afirmando fazer exclusivamente a defesa de Thayna. "A defesa reafirma que Thayna é inocente e que sua inocência será demonstrada no curso da instrução processual, por meio da produção das provas pertinentes, em estrita observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa", disse.
Às 17h de quinta-feira (16), o advogado Douglas Luz enviou um novo documento à reportagem de A Gazeta, no qual Thayna diz ter assinado diversas procurações de outros profissionais, mas afirma que quem faz a defesa dela, exclusivamente, é Douglas, Jadson da Silva Martins e Vitor Ferreira. O escritório divulgou nota destacando os mesmo pontos que haviam sido ponderados por Felippe: que a influenciadora não estava em um relacionamento atual com Flavio e que ele não foi preso na casa dela.
Atualização
A versão inicial da reportagem informava que Thayna e Flavio eram casados e haviam sido presos no mesmo local. Após a publicação, o advogado Felippe Ribeiro, que atua exclusivamente na defesa da influenciadora, informou que a cliente e Flavio não mantêm um relacionamento e que ela possui uma medida protetiva contra ele.
Thayna foi presa no Alphaville Jacuhy, na Serra. O local onde Flavio foi preso não foi informado. O título e o texto da reportagem foram atualizados.