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Seis foram presos

Família usava até crianças durante entregas de armas na Grande Vitória

Investigações mostraram que suspeitos fabricavam e também faziam o delivery dos produtos ilegais, levando até crianças junto e guardando as armas na mochila dos menores

Publicado em 26 de Abril de 2024 às 13:43

Júlia Afonso

Publicado em 

26 abr 2024 às 13:43
Delegados José Darcy Arruda e Daniel Belchior, que detalharam como esquema funcionava
Delegados José Darcy Arruda e Daniel Belchior, que detalharam como esquema funcionava Crédito: Divulgação | Polícia Civil
Para não levantar suspeitas, a família envolvida na fabricação e venda de armas pela Grande Vitória saía em grupo para as entregas, normalmente de carro. Segundo a Polícia Civil, iam pai, mãe e até crianças. "Chegavam a colocar a arma na bolsa da criança", afirmou o delegado Daniel Belchior. Tudo isso para passarem despercebidos em possíveis blitzes ou fiscalizações durante o trajeto.
A Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) começou a apurar o caso no ano passado. Em dezembro aconteceu a primeira fase da Operação Legado Armeriaquando a fábrica onde as armas eram produzidas foi descoberta, em Cariacica. Na ocasião, foram apreendidos diversos materiais, de pistola a carabina. Wilrison Manske foi preso em flagrante. Ele é apontado como um dos fabricantes das armas. 
Passada a primeira fase, as investigações continuaram e outros integrantes do grupo foram identificados. A surpresa é que todos faziam parte da mesma família. Eles foram presos no último dia 23, em casa e em seus locais de trabalho, nos municípios de Serra e Cariacica. Veja abaixo quem é quem, conforme a Polícia Civil.

01

Edilson Manske

É o pai da família. Apontado pela polícia como responsável por fabricar as armas.

02

Wilrison Manske

Filho de Edilson e apontado como um dos que fabricava as armas caseiras. Foi preso na primeira fase da operação, em dezembro do ano passado.

03

Tiago Manske

Filho de Edilson. Atuava como entregador das armas. Normalmente esse "delivery" era feito de carro. 

04

Ariane Vingler Gonçalves

Esposa de Wilrison. Segundo a polícia, ela era a responsável por gerenciar os pagamentos, além de ajudar nas entregas.

05

Bruno Vingler de Sena, conhecido como 'Jhon Caseiras'

Irmão de Ariane. Ele era o que fazia as negociações das vendas com os clientes na Grande Vitória. 

06

Hellen Luise Santos Silva

Esposa de Bruno. Atuava na parte das entregas das armas.
Segundo as investigações, os fabricantes das armas aprenderam tudo na internet. Eles vendiam sob encomenda, de acordo com o calibre que o cliente pedia, mas costumavam fazer, principalmente, as chamadas submetralhadoras, consideradas armas semi industriais. 
O preço delas variavam entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil. Só no ano passado, estima-se que eles tenham vendido 200 armas, ou seja, faturaram até meio milhão de reais. 
QUEM COMPRAVA?
O delegado Daniel Belchior, titular da Desarme, explicou que os clientes eram os mais variados: desde organizações criminosas como o Primeiro Comando de Vitória (PCV), sediado no Bairro da Penha, até para criminosos de Cariacica e Guarapari. Eles também forneciam para revendedores ilegais de armas. A atuação do grupo era em toda a Grande Vitória
Os clientes faziam a encomenda com Bruno, mais conhecido como Jhon Caseiras, através da internet, e a arma era feita. Depois disso, era a hora da entrega.
DELIVERY
Os suspeitos aproveitavam que estavam em família para despistar as autoridades na hora da entrega. "O que chamou a atenção da polícia foi a forma deles passarem despercebidos, por exemplo, por uma blitz ou fiscalização: eles realizavam as entregas das armas juntos. Então saía pai, mãe e filho, por vezes até escondendo a arma na bolsa da criança, para não chamar a atenção", detalhou o delegado Belchior. 
OUTROS TRABALHOS
Outra forma de despistar a polícia era com os empregos: alguns membros do grupo tinha trabalhos formais, mas conseguiam conciliar com a vida criminosa.
Segundo o delegado da Desarme, uma das mulheres trabalhava como professora, um homem atuava como auxiliar de serviços gerais, e outro em uma loja que vendia ferros. 
"O desafio da investigação da fabricação de armas caseiras envolve não só a dificuldade de rastrear as armas como também as pessoas que fabricam, porque elas não possuem perfil de envolvimento com esse tipo de situação, às vezes não têm passagem criminal, mas em função de um atrativo financeiro acabam se dedicando à atividade criminosa", concluiu Belchior.

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