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Corretor de imóveis suspeito de golpes milionários é preso em Aracruz

Corretor de imóveis suspeito de golpes milionários é preso em Aracruz

Elias Sérgio Lopes, de 46 anos, negociava propriedades e estabelecimentos comerciais sem quitar as dívidas com os donos originais; ao menos cinco pessoas declaram à polícia prejuízos sofridos

Luana Luiza

Repórter / [email protected]

Publicado em 26 de março de 2026 às 20:02

Elias Sérgio Lopes, de 46 anos, negociava propriedades e estabelecimentos comerciais sem quitar as dívidas com os donos originais; ao menos cinco vítimas foram identificadas pela polícia
Corretor foi preso suspeito de causar prejuízo milionário com golpes imobiliários no Norte do ES Crédito: Polícia Militar

Um homem de 46 anos, identificado como Elias Sérgio Lopes, foi preso no último sábado (21) no distrito de Jacupemba em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, suspeito de aplicar uma série de golpes envolvendo a venda de imóveis e estabelecimentos comerciais. Segundo o delegado Ricardo Barbosa, ele negociava imóveis que ainda não estavam quitados, revendendo-os sem concluir o pagamento aos verdadeiros proprietários.

Quando ele fazia a revenda, ele não pagava a pessoa de quem havia comprado. Ele fez isso com pelo menos cinco pessoas. Ele adquiria o bem, combinava uma data para pagamento e, quando chegava o prazo, alegava não ter recursos

Ricardo Barbosa

Delegado

Entre as vítimas está o empresário Jonathan Mattedi, que afirma ter pago R$ 400 mil e outros bens pela compra de um imóvel e, mesmo após quitar o valor combinado, a escritura nunca foi transferida para o nome dele. Foi nesse momento que ele percebeu que havia sido vítima de um golpe.

Procurei porque precisava de um imóvel e comprei, pagando 400 mil no Pix, duas motocicletas 0 km de alto valor e 10 parcelas de 2.500 Foi o dinheiro que juntei em toda a minha vida, e ele se aproveitou disso para financiar a casa, me dando um prejuízo. Só descobri muito depois

Jonathan Mattedi

Empresário
Jonathan Mattedi - empresário
Jonathan Mattedi sofreu um prejuízo superior a R$ 400 mil em Aracruz Crédito: Alberto Costa

Outro caso envolve o empresário Genaro de Oliveira, que negociou a padaria por R$ 900 mil. Como parte do pagamento, ele recebeu uma chácara e parcelas em dinheiro, mas o acordo também não foi cumprido. Ao tentar tomar posse da propriedade, descobriu que o imóvel não pertencia ao corretor.

Ele me pagou valores de forma irregular, não cumpriu os acordos e me deu essa chácara, mas ela não era dele. A proprietária fez o destrato porque ele comprou e não pagou

Genaro Oliveira

Empresário
Genaro de Oliveira - empresário
Genaro de Oliveira negociou a própria padaria, avaliada em quase R$ 1 milhão, e recebeu uma chácara em situação irregular Crédito: Alberto Costa

O prejuízo, segundo a polícia, é de milhões de reais. Enquanto a investigação avança, as vítimas buscam na Justiça formas de recuperar os prejuízos.

Creci

Em nota, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Espírito Santo (CRECI/ES) informou que instaurou, no dia 25 de fevereiro de 2026, um processo ético-disciplinar para apurar a conduta do profissional no âmbito administrativo interno, conforme o Código de Ética da categoria. A inscrição de Elias Sérgio Lopes está suspensa cautelarmente por prazo indeterminado desde 5 de março de 2026.

O conselho reafirmou o compromisso com a legalidade, a ética profissional e a proteção da sociedade, destacando que eventuais condutas individuais não representam a categoria como um todo. O CRECI/ES informou ainda que acompanha o caso e colabora, dentro de suas atribuições legais, com os órgãos competentes, adotando as medidas administrativas cabíveis e garantindo o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

O presidente do Creci/ES, Manoel Dias, orienta que, para evitar golpes desse tipo, é fundamental desconfiar de ofertas com valores muito abaixo do mercado e de negociações tratadas como oportunidades únicas. Também é importante exigir a documentação que comprove a autorização do corretor para representar o proprietário e verificar a situação legal do imóvel antes de fechar qualquer negócio.

A reportagem tenta localizar a defesa e o espaço segue aberto para um posicionamento.

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