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Como falso site de doações levava vítimas a golpe de empréstimo

Integrantes da quadrilha foram presos no Espírito Santo e em Minas Gerais. A Polícia Civil já constatou movimentação de R$ 18 milhões

Publicado em 29 de Junho de 2026 às 13:09

Jaciele Simoura

Publicado em 

29 jun 2026 às 13:09
Grupo é preso por criar site falso de doações para vítimas de enchentes
Grupo é preso por criar site falso de doações para vítimas de enchentes Polícia Civil

Um falso site de arrecadação de doações para vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024, foi usado em um esquema criminoso que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, evoluiu para a aplicação de golpes de falsos empréstimos em diversos estados do país. A investigação aponta que a quadrilha movimentou mais de R$ 18 milhões e fez vítimas em pelo menos cinco estados.


Na última sexta-feira (26), a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Piúma, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Polícia Civil de Minas Gerais, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha (ES) e Muriaé (MG).


Entre os presos está Diego Leite de Sousa, de 31 anos, apontado como líder da organização criminosa. Os irmãos dele, Jackson Leite de Sousa, de 33 anos, e Jefferson Leite de Sousa, de 35 anos, também foram alvos da operação, assim como Thays Martins Nascimento, de 27 anos, esposa de Jefferson.

Como o golpe funcionava

Segundo o delegado Rodrigo de Mello Toscano, titular da Delegacia de Polícia de Piúma, o grupo criou um site falso que simulava uma campanha de arrecadação de recursos para famílias atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.


A página utilizava imagens da tragédia e símbolos oficiais do governo gaúcho para transmitir credibilidade e convencer as pessoas a fazerem doações. No entanto, o dinheiro nunca chegava às vítimas. Depois, o site foi retirado do ar.


"Apurou-se que esse site foi utilizado para redirecionar pessoas a um empréstimo falso", explicou o delegado. Quem acessava a página e clicava nos links era direcionado para números de telefone controlados pelos investigados.


"Quando recebiam o contato, eles convenciam as vítimas a fornecer dados sensíveis, como CPF e até a imagem facial. Com essas informações, conseguiam aplicar diversos golpes", afirmou Rodrigo Toscano

.

Segundo a investigação, os dados pessoais eram usados na prática de diferentes fraudes financeiras.

Mais de R$ 18 milhões movimentados

A Polícia Civil ainda trabalha para identificar o valor total obtido pelo grupo, mas já constatou movimentações milionárias.


"Os valores exatos ainda não foram totalmente apurados e seguem sob investigação. Mas já é possível afirmar que o apontado como líder da organização criminosa movimentou recursos por meio de uma pessoa jurídica que realizou transações com mais de 40 pessoas, totalizando uma quantia atípica superior a R$ 18 milhões", afirmou o delegado.


De acordo com a Polícia Civil, os investigados estavam em Piúma. Após a decretação das prisões preventivas, em maio deste ano, eles deixaram o município.


Diego Leite de Sousa foi para Vila Velha, enquanto os irmãos e a esposa de um deles seguiram para Muriaé, em Minas Gerais, cidade que, até então, não tinha qualquer ligação com a investigação.


Os quatro foram denunciados pelos crimes de organização criminosa e estelionato qualificado. A reportagem tenta localizar a defesa dos presos. O espaço segue aberto para manifestações.

Orientação para evitar golpes

O delegado destacou que o caso não deve desestimular quem deseja ajudar pessoas em situações de calamidade, mas reforçou a importância de verificar a autenticidade das campanhas antes de fazer qualquer transferência.


"Queremos alertar para que as pessoas sempre prestem atenção ao destino desse dinheiro. Confiram o site, conversem com outras pessoas que já tenham feito doações e verifiquem a chave Pix. É importante ter certeza de que essa ajuda não vai acabar financiando criminosos", finalizou.

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