Um falso site de arrecadação de doações para vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024, foi usado em um esquema criminoso que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, evoluiu para a aplicação de golpes de falsos empréstimos em diversos estados do país. A investigação aponta que a quadrilha movimentou mais de R$ 18 milhões e fez vítimas em pelo menos cinco estados.
Na última sexta-feira (26), a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Piúma, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Polícia Civil de Minas Gerais, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha (ES) e Muriaé (MG).
Entre os presos está Diego Leite de Sousa, de 31 anos, apontado como líder da organização criminosa. Os irmãos dele, Jackson Leite de Sousa, de 33 anos, e Jefferson Leite de Sousa, de 35 anos, também foram alvos da operação, assim como Thays Martins Nascimento, de 27 anos, esposa de Jefferson.
Como o golpe funcionava
Segundo o delegado Rodrigo de Mello Toscano, titular da Delegacia de Polícia de Piúma, o grupo criou um site falso que simulava uma campanha de arrecadação de recursos para famílias atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
A página utilizava imagens da tragédia e símbolos oficiais do governo gaúcho para transmitir credibilidade e convencer as pessoas a fazerem doações. No entanto, o dinheiro nunca chegava às vítimas. Depois, o site foi retirado do ar.
"Apurou-se que esse site foi utilizado para redirecionar pessoas a um empréstimo falso", explicou o delegado. Quem acessava a página e clicava nos links era direcionado para números de telefone controlados pelos investigados.
"Quando recebiam o contato, eles convenciam as vítimas a fornecer dados sensíveis, como CPF e até a imagem facial. Com essas informações, conseguiam aplicar diversos golpes", afirmou Rodrigo Toscano
.
Segundo a investigação, os dados pessoais eram usados na prática de diferentes fraudes financeiras.
Mais de R$ 18 milhões movimentados
A Polícia Civil ainda trabalha para identificar o valor total obtido pelo grupo, mas já constatou movimentações milionárias.
"Os valores exatos ainda não foram totalmente apurados e seguem sob investigação. Mas já é possível afirmar que o apontado como líder da organização criminosa movimentou recursos por meio de uma pessoa jurídica que realizou transações com mais de 40 pessoas, totalizando uma quantia atípica superior a R$ 18 milhões", afirmou o delegado.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados estavam em Piúma. Após a decretação das prisões preventivas, em maio deste ano, eles deixaram o município.
Diego Leite de Sousa foi para Vila Velha, enquanto os irmãos e a esposa de um deles seguiram para Muriaé, em Minas Gerais, cidade que, até então, não tinha qualquer ligação com a investigação.
Os quatro foram denunciados pelos crimes de organização criminosa e estelionato qualificado. A reportagem tenta localizar a defesa dos presos. O espaço segue aberto para manifestações.
Orientação para evitar golpes
O delegado destacou que o caso não deve desestimular quem deseja ajudar pessoas em situações de calamidade, mas reforçou a importância de verificar a autenticidade das campanhas antes de fazer qualquer transferência.
"Queremos alertar para que as pessoas sempre prestem atenção ao destino desse dinheiro. Confiram o site, conversem com outras pessoas que já tenham feito doações e verifiquem a chave Pix. É importante ter certeza de que essa ajuda não vai acabar financiando criminosos", finalizou.