A Justiça do Espírito Santo manteve a liberdade provisória de Alex Nascimento Paixão, Yan Krislan Pereira Dias e Felipe Silva Rodrigues, acusados de envolvimento no sequestro e na morte de Lázaro Airan dos Santos Pereira, de 17 anos, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo.
Os três respondem ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Denis Marchiore, Wallyson Pereira Carvalho e Lucas Eduardo Soares Chaves dos Santos continuam presos.
De acordo com o advogado Gabriel Almeida, que representa Alex Nascimento e Bruno Alves, a liberdade provisória dos três acusados foi concedida durante a instrução processual. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) recorreu da decisão e pediu ao TJES a suspensão da medida, mas o recurso foi rejeitado na quarta-feira (2).
Um quarto envolvido, Bruno Alves, foi o primeiro a deixar a prisão. Segundo a defesa, ele foi solto depois que o MPES concluiu não haver elementos suficientes para denunciá-lo.
A reportagem de A Gazeta procurou o MPES e o TJES para obter detalhes sobre as decisões. As duas instituições informaram que o processo tramita em segredo de Justiça e, por isso, não podem divulgar informações. As defesas de Denis, Wallyson e Lucas também foram procuradas. O espaço permanece aberto para manifestação.
O advogado Lázaro Souza Lopes, que representa Yan Krislan Pereira Dias, afirmou que conseguiu demonstrar durante a instrução processual que a participação do acusado teria se limitado à recuperação da televisão e que ele não teria envolvimento na morte de Lázaro.
Segundo a defesa, imagens de videomonitoramento e interrogatórios indicam que apenas Denis Marchiore, que dirigia o Ford New Fiesta branco com teto preto no qual Lázaro entrou no dia do sequestro, e Lucas Eduardo Soares Chaves dos Santos, que teria entrado no veículo junto com o adolescente, teriam saído do carro com a vítima.
A defesa também afirma que a análise das antenas de telefonia não identificou a presença do celular de Yan na região onde o corpo de Lázaro foi encontrado. O advogado informou que as alegações finais já foram apresentadas e que a defesa aguarda a decisão judicial. Segundo ele, Yan é inocente e não participou do homicídio.
A reportagem mantém este espaço aberto para manifestações da defesa dos demais citados.
Câmeras de segurança registraram o adolescente entrando em um carro. Depois disso, ele não foi mais visto. O corpo de Lázaro foi encontrado em 4 de julho, algumas semanas após o desaparecimento, enterrado em uma área de mata em Barra Nova, em São Mateus.
Em agosto de 2025, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do adolescente e apontou a existência de uma milícia armada. Na ocasião, sete pessoas foram presas.
Segundo a investigação, os sete foram indiciados por homicídio qualificado por motivo torpe, em concurso de pessoas e mediante emboscada, além de milícia armada, sequestro e ocultação de cadáver.