Quatro meses após o acidente que matou a universitária Sara Gimenes Torres, de 22 anos, na Rodovia Leste-Oeste, em Castelo Branco, Cariacica, o namorado dela, Ramon Mapelli dos Santos, de 24 anos, continua foragido.
Contra Ramon há um mandado de prisão preventiva. Segundo a Polícia Civil, ele dirigia um dos veículos envolvidos em uma corrida ilegal, conhecida como “racha”, no momento do acidente, ocorrido em 22 de abril deste ano.
A corporação informou, nesta segunda-feira (24), que o caso continua sendo investigado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT). A polícia pede que informações para que possam ajudar a localizar Ramon sejam repassadas por meio do Disque-Denúncia 181.
A reportagem tenta contato com a defesa de Ramon, mas não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Canal de denúncias
Como denunciar
Informações que possam ajudar a localizar o investigado podem ser repassadas anonimamente pelo Disque-Denúncia 181.
As denúncias podem ser feitas pelo telefone 181, pelo site do Disque-Denúncia ou pelo WhatsApp, no número (27) 99253-8181. Segundo a Polícia Civil, o anonimato é garantido e todas as informações recebidas são apuradas.
Imagens de videomonitoramento (veja abaixo) divulgadas pela corporação na época do caso mostram três veículos trafegando, segundo a polícia, em alta velocidade pela rodovia.
Ramon conduzia um Toyota Etios quando perdeu o controle da direção, rodou na pista, bateu em um poste, capotou e caiu em uma valeta central de drenagem. Após o capotamento, Ramon fugiu do local, conforme apontam as investigações. Desde então, a polícia tenta localizar o jovem.
Sara ficou presa às ferragens e chegou a ser levada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, mas não resistiu aos ferimentos.
Uma amiga da universitária, que estava no banco de trás do veículo, contou à Polícia Militar que Ramon dirigia o carro e Sara estava no banco do passageiro. A amiga teve ferimentos leves; já o namorado de Sara fugiu do local, segundo a corporação.
Dias depois do acidente, os advogados dos outros dois motoristas flagrados por uma câmera de segurança negaram que seus clientes estivessem disputando racha com Ramon.
Histórico de ameaças e agiotagem
Na decisão, o juiz Alexandre Pacheco Carreira, que emitiu o mandado de prisão, aponta que o investigado já esteve envolvido em casos de ameaça, incluindo um registro em 2020 e outro mais recente, no qual teria intimidado uma vítima com o uso de arma de fogo.
Também há, nos autos, informações de que ele teria se envolvido recentemente com agiotagem, com cobrança abusiva de valores e intimidação de vítimas. Em um dos episódios, ele teria exposto a vítima em redes sociais e feito ameaças.
O magistrado destacou ainda que Ramon foi preso em flagrante por receptação, em 2024, após ser encontrado com ele um celular com restrição de furto ou roubo. Além disso, há registros de envolvimento em crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria.
Ramon ligou para família da vítima
Na ocasião da morte da namorada, Ramon entrou em contato com a família de Sara para pedir perdão e afirmou que pretendia se apresentar à polícia, o que não aconteceu e resultou no pedido de prisão dele.
Em entrevista ao produtor da TV Gazeta, Breno Alexandre, o tio da jovem, Fernando Gimenes, contou que Ramon Mapelli solicitou autorização para comparecer ao velório, pedido que foi recusado pelos familiares.
Segundo o tio da vítima, o namorado de Sara entrou em contato com a família por meio de uma chamada de vídeo e se mostrou bastante abalado. “Ele pediu perdão, desesperado, chorando. Falou mais de uma vez que era apaixonado pela Sara, que ela era a paixão da vida dele”, relatou.
Ainda de acordo com o familiar, o rapaz questionou o que poderia fazer diante da situação, mas foi informado de que nada mudaria o ocorrido.
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